O meu
mundo nunca foi cor de rosa, nem azul, nem verde da esperança, porque nunca
tive esperança de nada de bom.
Meu
mundo sempre foi escuro, nebuloso e triste.
Não
conheci minha verdadeira mãe. Acho que ela não quis a mim. Fui criado em meio a
brigas e desavenças com um punhado de outras crianças infelizes como eu.
Afeto?
Nunca soube o que era isso!
Não
tive brinquedos, só os quebrados que me davam e nem sei de onde vinham. Talvez
de restos do lixo de alguém.
Cresci
achando-me culpado por ter que viver, e com doze anos já estava servindo de
aviãozinho na favela. Até que um dia, numa batida policial fui ferido
gravemente, pego com a muamba em fraga e morri. Isso já faz tempo!
Sabe
que quando percebi que estava no fim até fiquei feliz! Mas não era o fim, na
verdade era o começo.
Muito
tempo já passou, sei que tenho muito que aprender e muito que me retratar com
Deus.
Não
estou contando minha história para me justificar, não... Estou contando-a para
que vocês aprendam algo muito importante. Atrás de cada viciado e de cada
atravessador há uma história de vida bem triste, há desamor, há desinteresse
pela vida e descrédito de Deus.
Ninguém que vive no mundo das drogas e do crime é
feliz.
Somos um bando de aves sem ninho, sem amor e sem
carinho.
Hoje encontrei pessoas amigas que me auxiliam a compreender o verdadeiro sentido da palavra
VIDA e quero me curar para um dia poder
ajudar jovens como eu a VIVER de bem com a vida e próximos de Deus.
Obrigado por eu poder me comunicar com vocês, venho
até vocês com outros dois jovens da equipe de recuperação da estação “ Pouso
para o Repouso”, onde já estou bem recuperado e quero ajudar outros que como eu
passou pela vida pensando na morte.
Obrigado, que Deus ajude a todos.