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Mensagem de um ex-morador de rua à Caravana Irmã Caridade

sábado, 6 de abril de 2013



 Aqui hoje faz muito frio. Como na noite em que morri. Lembro como se fosse hoje, estava uma noite muito fria, uma garoa fina, um vento cortante e os poucos pedaços de papelão e um velho cobertor mal davam conta de me proteger.

O frio estava tão forte, tão intenso que eu já não sentia meus pés, minhas mãos. O vento parecia que tinha me anestesiado os sentidos.

A fome e o frio naquela noite pareciam me castigar ainda mais. Tentei em vão me aquecer, me encobrir, me proteger, mas meu corpo não resistiu.

Vivi muitos anos nas ruas. É uma vida muito triste, solitária, sofrida. Perdi tudo que eu tinha e fui viver nas ruas. Foram anos de muito sofrimento e aprendizado.

Aprendi a valorizar mais a vida, as amizades, um pedaço de pão, um simples sorriso, um olhar de compaixão me faziam sentir melhor. A gente precisa de tão pouco pra ser feliz. Aprendi isso nas ruas quando perdi tudo. Quando o pouco que eu tive um dia era muito para quem não tinha mais nada.

Mas a vida nas ruas é uma vida sem esperança, é uma vida de medo de não acordar, de medo do escuro, do frio, da fome, uma vida de lutas, uma vida sem sonhos, sem perspectivas. Uma vida em que se vive um dia de cada vez, na esperança de ter algo para comer, na esperança de ter um lugar para dormir, na esperança de que alguém lhe estenda a mão.

Fico feliz quando vejo pessoas do bem fazendo algo pelos que nada tem além da vontade de lutar pela vida, de lutar para ter o que comer.

Continuem com o trabalho, continuem no caminho do bem, da caridade, dividindo seu tempo, seus recursos com os necessitados de rua.

Força, perseverança e ânimo! Não desanimem diante das dificuldades, da falta de recursos e das críticas.

Façam o melhor que puderem com o coração. E Deus sempre estará do lado de vocês. Mantenham firme o propósito ao qual se destinaram e o amparo divino nunca faltará.

Não esmoreçam na fé, mantenham a boa vontade, o amor no coração e a confiança no amparo do Plano Superior e tudo dará certo.

Um amigo

Mensagem à Caravana Irmã Caridade

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Comove-me ver que tem gente que ainda se preocupa com os menos favorecidos, com os esquecidos que vivem na rua, que não tem nada, que não sabem se durarão mais do que este dia que estão vivendo.
Vivi por muitos anos na rua, apenas com a roupa do corpo, passando fome, frio, humilhações, dores não só do corpo, mas da alma. A vida nas ruas é muito triste, sem esperança, sem perspectivas, uma luta para sobreviver a mais um dia, lutando por um pedaço de pão, por atenção dos que passam por você, como se fosse invisível, como se você não fosse um ser humano, como se você não tivesse alma.
Vocês não têm idéia do que é não ter nada para comer, nada para beber, não ter onde se esquentar numa noite fria, não ter onde se esconder quando chove, não ter como tomar banho e se sentir um pouco mais digno.
Vocês também não fazem idéia do que é a solidão, o desespero, o medo dos bichos e de gente que maltrata os moradores de rua.
A vida nas ruas, às vezes, não é nem mesmo uma vida. É uma sobrevida. Uma luta incessante, dia após dia, noite após noite, uma luta para se manter firme, longe das drogas, longe dos vícios, longe do crime, que tanto rondam os nossos dias.
Fico feliz com o trabalho que está sendo feito, com esta semente de luz que foi plantada aqui, para levar um pouco de alivio e de esperança, para quem muitas vezes já perdeu a vontade de viver. Nem só do pão vive o homem, mas quando a fome castiga o corpo, o espírito também sofre e é difícil ter esperança, pensar em Deus quando a dor maltrata e machuca.
Fico feliz e espero que o trabalho cresça e possa atingir mais pessoas necessitadas.
Muita luz, esperança e fé a todos que tem compaixão por aqueles que precisam de ajuda.
Graças a Deus.


Alice (12/02/11)

Mensagem - Irmão da Cruz

sábado, 25 de setembro de 2010

A todo momento, necessitados do corpo e do espírito cruzam o nosso caminho.
Crianças inocentes que da vida nada receberam senão a miséria e maus tratos.
Idosos de rosto cansado, abandonados à própria sorte, solitários, de rosto sofrido e mãos calejadas pelo tempo.
Mulheres perdidas na vida, sem amor próprio, desprovidos de um lar e de dignidade.
Meninos e meninas mal saídos da infância, perdidos pelas veredas sombrias do mundo do crime e das drogas, crianças sem direito à educação mínima, sem um lar, sem família.


 
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