Aqui hoje faz
muito frio. Como na noite em que morri. Lembro como se fosse hoje, estava uma
noite muito fria, uma garoa fina, um vento cortante e os poucos pedaços de
papelão e um velho cobertor mal davam conta de me proteger.
O frio estava tão
forte, tão intenso que eu já não sentia meus pés, minhas mãos. O vento parecia
que tinha me anestesiado os sentidos.
A fome e o
frio naquela noite pareciam me castigar ainda mais. Tentei em vão me aquecer,
me encobrir, me proteger, mas meu corpo não resistiu.
Vivi muitos
anos nas ruas. É uma vida muito triste, solitária, sofrida. Perdi tudo que eu
tinha e fui viver nas ruas. Foram anos de muito sofrimento e aprendizado.
Aprendi a valorizar
mais a vida, as amizades, um pedaço de pão, um simples sorriso, um olhar de
compaixão me faziam sentir melhor. A gente precisa de tão pouco pra ser feliz. Aprendi
isso nas ruas quando perdi tudo. Quando o pouco que eu tive um dia era muito
para quem não tinha mais nada.
Mas a vida nas
ruas é uma vida sem esperança, é uma vida de medo de não acordar, de medo do
escuro, do frio, da fome, uma vida de lutas, uma vida sem sonhos, sem
perspectivas. Uma vida em que se vive um dia de cada vez, na esperança de ter
algo para comer, na esperança de ter um lugar para dormir, na esperança de que alguém
lhe estenda a mão.
Fico feliz
quando vejo pessoas do bem fazendo algo pelos que nada tem além da vontade de
lutar pela vida, de lutar para ter o que comer.
Continuem com
o trabalho, continuem no caminho do bem, da caridade, dividindo seu tempo, seus
recursos com os necessitados de rua.
Força,
perseverança e ânimo! Não desanimem diante das dificuldades, da falta de
recursos e das críticas.
Façam o melhor
que puderem com o coração. E Deus sempre estará do lado de vocês. Mantenham firme
o propósito ao qual se destinaram e o amparo divino nunca faltará.
Não esmoreçam
na fé, mantenham a boa vontade, o amor no coração e a confiança no amparo do
Plano Superior e tudo dará certo.