sábado, 20 de janeiro de 2007


O mar e sua imensidão...
Quantos pescadores levados,
Quantos amores tragados
Pela sua ilusão, pela sua vastidão.
Quantas almas levadas,
Quantas pessoas encantadas
Pela sua ilusão.
Quantas mães esquecidas,
Quantas mágoas trazidas
No seu coração.
Mas no mar Deus espelhou o céu,
Como disse o poeta.
No mar Deus escreveu ao léu.
Foi através do mar que conquistadores
Descobriram e desbravaram novas terras,
Novos continentes, novos horizontes.
Foi pelo mar que chegou o alívio aos doentes,
Trazendo especiarias e substâncias
Recém descobertas, até então desconhecidas.
Foi pelo mar que belezas foram trazidas.
E é no mar que depositamos
Nossas esperanças de um novo ano
De que tudo será lavado, levado e renovado pelas suas águas.
De que todas as coisas ruins serão deixadas em suas espumas.
De que todas as infelicidades serão abandonadas em suas ondas.
Fecho os olhos e penso no balanço do mar,
No movimento das ondas,
Na pureza e na clareza da espuma
Que se desmancha na areia.
Naquela imagem tão bela da água
Que se revolta, que se levanta e
Depois se deita humilde sobre as areias da praia.
Assim também deve ser o nosso coração: humilde,
Que mesmo após as maiores tormentas e tempestades,
Se rende ao poder do amor, ao poder do olhar, ao poder do perdão.
Que mesmo após bradar de ódio e de revolta
Se curva humilde.
Como as ondas majestosas
Terminam na areia da praia aos nossos pés.

Evanhoé

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