Não
sei explicar qual foi o momento exato em que eu deixei esta vida na Terra, mas
o fato é que meu coração não agüentou, que a dose foi alta demais, foi forte
demais para o meu organismo.
Há
muito eu vinha exagerando, consumindo tudo o que vocês podem imaginar
desordenadamente, de forma descontrolada e irresponsável.
Perdi
meu emprego, perdi o amor dos meus pais e de meus verdadeiros amigos, perdi a
noção do que era ter uma vida normal, uma vida de adolescente que eu era.
Perdi
tudo o que eu tinha na vida, sofria demais com a falta das drogas em todas as
vezes que fui internado e forçado a largar, mas depois de um tempo
“recuperado”, começava tudo de novo.
Eu
era fraco, não me esforçava o bastante para deixar as drogas, talvez porque no
fundo, mesmo sabendo que elas me faziam mal, me tornavam prisioneiro de mim
mesmo, eu gostava do efeito que elas me causavam, daquela euforia, daquela
sensação de que eu podia tudo, de que eu não tinha problemas, de que eu não
precisava me preocupar com nada.
Hoje
sei que desperdicei tempo valioso, que tive uma existência, não diria em vão,
pois tudo na vida, ainda que pelo sofrimento, é válido e importante para o
nosso crescimento, para a nossa evolução.
Mas
quanta coisa podia ter sido diferente, quanto sofrimento poderia ter sido
poupado se eu não tivesse desequilibrado desta forma o meu organismo e não
tivesse acabado com a minha vida.
Peço
a Deus que me dê forças para que eu nunca mais caia em tentação e me aproxime
desse horror que mata ainda em vida, que destrói famílias, que destrói futuros,
que destrói sonhos.
Estou
em tratamento ainda, mas hoje tenho lucidez para entender o que eu passei, o
que eu mesmo procurei e trouxe para a minha existência.
Boa
noite a todos.
Fiquem com Deus.
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