Eu
não acreditava em Deus.
E
achava que a vida acabava quando a gente morria.
Eu
não acreditava no amor, nem na bondade e no bem desinteressado, em troca de
nada.
Eu
não acreditava que pudesse ser feliz.
Eu
achava que algumas pessoas nasciam com privilégios, com regalias, com riqueza,
com sorte na vida, enquanto outros, como eu, eram fadados a viver na miséria, a
enfrentar sofrimentos, a sofrer humilhações. E por quê? Era justamente isso que
eu não entendia.
Não
entendia por que a vida era tão injusta com alguns e tão generosa com outros.
Não entendia por que alguns tinham tudo enquanto outros só apanhavam da vida.
E
por isso eu não acreditava que Deus existisse. Pois aquele Deus que a Igreja
queria que eu acreditasse que existia, eu não podia aceitar, pois como Ele
seria capaz de ser tão injusto? Eu preferia não acreditar na existência Dele.
E
com toda essa revolta e com todas essas indagações, em meio a muita miséria e
sofrimentos eu cresci, cheia de ódio, cheia de dor e de angústias que me
afligiam.
E
é claro, como não podia deixar de ser, pra piorar ainda mais as coisas, me envolvi
com drogas e passei a viver nas ruas, a me maltratar ainda mais, a debilitar
muito o meu corpo.
Quando
desencarnei, sofri muito, pois não sabia o que estava acontecendo, não entendia
o que se passava comigo.
Como
eu pode podia continuar ouvindo, sentindo, sofrendo, sentindo dor, sentindo
necessidades de drogas, se o meu corpo estava lá, enterrado a muitos metros do
chão? Eu não acreditava em nada do que eu sentia, achava que estava louca,
alucinada pelo efeito das drogas. Mas se eu estava drogada, por que eu me
sentia assim, precisando de mais drogas, com aquela sensação ruim de quando o
efeito passava?
Quase
enlouqueci sem conseguir entender o que se passava, mas o mesmo Deus que eu não
soube aceitar quando em vida, que eu nunca acreditei existir, teve compaixão de
mim e me enviou auxílio e socorro e me tirou do sofrimento em que eu estava.
Não
sei dizer quanto tempo passei assim, quanto tempo estive perdida e iludida.
Mas
aprendi que o tempo não importa, que temos toda a eternidade pela frente, mas que
o tempo não deve ser desperdiçado e sim, utilizado a favor do nosso progresso e
da nossa evolução.
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