Orgulho, vaidade e egoísmo

sábado, 28 de fevereiro de 2009



O orgulho e a vaidade endurecem nosso coração e ofuscam nossos olhos.


Nos orgulhamos pelo que somos, pelo que temos, pelo que sabemos, por onde moramos, pelos títulos que temos, mas nada disso é nosso, nada disso nos pertence, pois não temos, não somos, mas estamos.


Estamos assim neste mundo, estamos neste momento, mas amanhã poderemos não estar mais, poderemos não ter o que hoje nos faz nos julgarmos melhores do que os outros ou que temos mais conhecimento ou títulos do que os outros.


Quanta ilusão permeia o nosso espírito ainda repleto de imperfeições, de vícios, de vaidade, orgulho e egoísmo!


E fácil ser compreensivo conosco e com aqueles que amamos. É fácil ajudar aqueles que são da nossa família e do nosso circulo de amizades, mas e os menos favorecidos tanto material quanto espiritualmente?

Depoimento - João Pedro



Depois que eu me envolvi com drogas, minha vida não foi nada fácil.

Eu sabia que aquilo me fazia mal, que me fazia perder o controle sobre mim mesmo, que me impedia de trabalhar direito, de pensar com clareza, mas ao mesmo tempo a vontade era tão grande, uma verdadeira compulsão em consumir, que me dava até tremedeira, calafrios quando eu tentava parar com aquilo, mas eu não conseguia.

Por diversas vezes estive internado, por diversas vezes fugi e pus todo o tratamento a perder. Outras vezes eu até levava o tratamento até o fim, mas logo tinha uma recaída e começava o inferno tudo de novo, começava aquela loucura, aquela vontade incontrolável e, eu caia de novo, chegava até o fundo do poço, às ultimas conseqüências para conseguir a droga.

Que triste é a vida de quem é dependente químico... Nos raros momentos de lucidez, eu prometia a mim mesmo que aquilo não voltaria a acontecer, que eu deixaria de me drogar, que eu tentaria resgatar tudo o que eu tinha perdido nestes anos, mas bastava eu ficar sozinho ou me ver contrariado pra começar tudo de novo.

Depoimento - Priscila



Eu nunca tinha experimentado drogas. E eu sempre ouvira dizer que as drogas faziam mal, que viciavam, que levavam à morte. Mas eu tinha curiosidade para saber se era assim mesmo, se era como diziam. Mas eu também tinha muito medo. E se fosse verdade? E se eu realmente me viciasse e não conseguisse mais sair dessa?


Passei muito tempo assim, neste dilema. Até o dia em que o meu namorado me ofereceu um cigarro de maconha, me disse que eu ficaria mais relaxada, que era muito bom, que eu me sentiria mais alegre, mais leve. No começo eu relutei, por causa do medo, da dúvida, mas depois, de tanto ele insistir e inclusive ameaçar que se eu queria ficar com ele, eu tinha que gostar das coisas que ele gostava e fazer as coisas que ele fazia.


E eu, fraca, jovem, ingênua e sem juízo, acabei cedendo à pressão dele e experimentei. No começo, foi realmente muito bom, mas depois vocês já sabem, não preciso ficar repetindo o que muitos outros já contaram aqui.


Minha vida simplesmente acabou, minha saúde se deteriorou e eu acabei morrendo, sem entender o que estava acontecendo comigo, sem saber o que fazer, pra onde ir e o que tinha acontecido.

Depoimento - Carla

sábado, 14 de fevereiro de 2009



Sinto uma angústia no peito, um nó na garganta, uma vontade de chorar, mas já não tenho mais lágrimas.


Há quanto tempo estou assim?


Nem consigo mais me lembrar.


Aliás não me lembro mais direito nem de quem sou, ou melhor, do que eu fui um dia,


Fui uma menina que teve uma infância feliz, que teve amor, carinho, família, educação e uma religião.


Mas bastou chegar na adolescência e eu me afastei de tudo isso, em busca de liberdade, de emoções, em busca do desconhecido, junto com supostos amigos que me apresentaram as drogas.


Que fim triste foi o meu!


Acabei com tudo o que eu tive de bom, destruí o amor que minha família sentia por mim, tornei-me outra pessoa, nem eu mesma me reconhecia mais.


Afundei-me na droga, na bebida, na prostituição. Vivia no mais completo delírio, na mais completa loucura, fazia tudo pelas drogas, pela sensação que elas me davam.


E esta vida desregrada não podia durar muito. Desencarnei muito cedo e continuei vagando por aí, sem rumo, me drogando através dos meus antigos companheiros de noitadas.


Não posso mais viver assim. Não consigo mais continuar desse jeito. Quero mudar, quero me sentir limpa outra vez, quero me sentir feliz, como fui na minha infância.


Quero seguir com estes anjos de luz que aqui se encontram e que me prometem uma nova chance, uma nova vida, que me dizem que eu ainda posso voltar a ter paz.


Obrigada pela oportunidade que estou recebendo.


Meu peito já não se encontra tão oprimido.


Obrigada meu Deus.





Muito obrigada.



Carla



São tantos que aqui se encontram... Tantos jovens necessitados, que precisam tanto de auxílio, de tratamento, de doações de energia.


São tantos aqui e milhares em todo o mundo, vítimas deste mundo cruel, deste mal dos nossos tempos que são as drogas.


Continuem orando e emanando vibrações de amor, de cura, de paz para os nossos irmãozinhos.


Que eles possam receber o auxílio do Pai Maior e que se conscientizem da sua real situação, que estejam abertos a receber o tratamento do seu corpo e do seu espírito.




Eliseu



O amor de Deus é infinito, incondicional, ama sem esperar nada em troca.


Espelhemo-nos no amor do Pai e amemos sem esperar ser amados, façamos o bem sem esperar reconhecimento, sem esperar gratidão.


Amemos por amor. Amemos pelo bem do outro, pela felicidade do outro.


O amor liberta. O egoísmo e a vaidade nos amarram, nos mantém presos a nós mesmos e às nossas imperfeições.


Aprendamos a olhar para fora de nós, para aqueles que têm menos do que nós, que precisam do nosso amor e da nossa compaixão.


E se não recebermos um “obrigado”, se não recebermos o reconhecimento, é talvez porque a pessoa não tenha condições de nos dar isso.


Mas nossa consciência estará tranqüila por ter feito o que era certo, na hora em que foi preciso.


Se amarmos incondicionalmente, a vida fica mais fácil, mais leve, nosso coração fica mais tranqüilo.


Ponha um pouco de amor na sua vida. Lembre-se do amor do Pai Criador que, não importa o que façamos, está sempre disposto a nos socorrer, a nos perdoar e a nos dar uma nova chance para recomeçar.



Ulisses

Juventude em perigo



Jovens, crianças


Perdidos num mar de lama e de desespero


Num abismo profundo e perigoso


Em meio às trevas e guerra violentas


De interesses, de poder,


De maldade e de ambição


Expostas aos mais variados riscos


Expostas a todo tipo de violência


Desde a violência doméstica


À falta de amor, de respeito,


De afeto e compreensão.


Piedade Senhor!


Piedade e socorro para as nossas crianças e jovens!


Que a força do teu amor atinja o coração e a consciência de quem tem oportunidade de fazer algo, de quem tem sob a sua responsabilidade um pequeno que veio a este mundo para ser amado, para ser respeitado, para aprender, evoluir, crescer saudável tanto material quanto espiritualmente.


Luz para cada lar responsável em educar uma criança, em formar um futuro cidadão.


Misericórdia para aqueles que se encontram em meio a guerras inúteis, sem sentido, envolvendo crianças e jovens, dizimando famílias e às vezes até colocando armas em suas mãos.


Esperança de um futuro melhor, de um futuro promissor para cada um destes jovens.


Oremos por todas as crianças e jovens que se encontram desamparados, em situação de risco, forças para que eles se mantenham afastados do mau caminho, das más companhias e do mundo das drogas.


Senhor, que o teu amor se estenda sobre o nosso planeta e inunde de luz a todos que sofrem.


Graças a Deus,




Pedro

Depoimento - Marcos Vinícius

sábado, 7 de fevereiro de 2009



Tudo isso ainda é muito novo para mim. Tudo isso é muito esquisito e muito louco para o meu entendimento. Mas eu já sei que eu não tenho mais corpo. Eu já sei que eu morri. Mas ainda não entendo o que isso quer dizer.

Eu não tenho corpo, mas continuo sentindo tudo, ouvindo tudo, tenho vontade de drogas, continuo sentindo fome, dor, frio, compulsão.

Mas eu ouço e nem sempre as pessoas me ouvem, nem sempre respondem.

Minha mente está confusa, preciso de respostas. Vim aqui hoje junto com um amigo que me disse que tinha um conhecido que tinha seguido com uns enfermeiros para um lugar onde eles recebem tratamento e onde explicaram para ele muitas coisas que ele também não compreendia.

Disse que tinha umas pessoas que ajudavam pessoas como nós, “mortas-vivas”, e eu resolvi acompanha-lo aqui hoje. E gostei. Me senti bem, senti uma paz muito grande e nós dois já decidimos que iremos conhecer este lugar que eles estão falando que nos acolherá e nos dará tratamento e abrigo.

Obrigado Deus por esta chance que estamos recebendo.

Quem sabe agora, encontremos alívio, paz, descanso e resposta para as nossas indagações.

Obrigado,



Marcos Vinícius

Depoimento - Marcelo



Eu nunca quis que a minha família sofresse. Eu nunca quis que eles passassem pelo que passaram. Já faz tanto tempo...


Principalmente minha mãe, quanto a fiz sofrer, quantas vezes a vi chorar, desesperada, sem saber o que fazer. Não foi culpa dela, não foi culpa de ninguém. A responsabilidade por tudo o que aconteceu comigo foi só minha, foi por minha vontade, por minha rebeldia que eu segui este caminho, que eu me embrenhei por um caminho sem volta, com coisas erradas, com pessoas erradas.


Meus pais me deram de tudo, me deram amor, educação, carinho, me ensinaram o que era certo e o que era errado, mas eu não quis aprender, eu não quis seguir uma vida correta. Eu nunca fui muito bom nos estudos, sempre gostei de ficar pela rua, desde menino, empinando pipa, subindo em muros e telhados, às vezes até assustando os vizinhos.


Tinha um monte de amigos, ou melhor, de falsos amigos, pois amigo de verdade quer o bem da gente e os meus só me levaram para o mau caminho.


Eu queria muito poder voltar no tempo e queria que a minha mãe soubesse que ela não teve culpa de nada, que ela fez o que podia, que ela deu o melhor de si para mim e para a minha irmã. Ela sempre fez tudo por nós, nos deu tudo o que ela podia, nos deu amor, educação, livros, viagens. Minha irmã soube aproveitar, mas eu não, eu não quis aprender, eu não tinha paciência para ler, para estudar, para conversar. Eu só queria vadiar, ficar à toa na vida.


E foi aí que eu dancei: comecei a usar drogas, comecei a faltar às aulas e me envolvi com pessoas perigosas. E numa tarde, há muitos anos, fui morto num confronto com a polícia.


Minha mãe quase enlouqueceu, minha irmã sofreu demais, afinal, apesar de tudo, éramos muito ligados, tínhamos uma ligação forte, apesar das nossas diferenças, uma ligação que nos uniu desde antes do nascimento, pois éramos gêmeos.


Como podem dois filhos dos mesmos pais, gerados ao mesmo tempo, no mesmo ventre, seguirem caminhos tão diferentes?


Eu não tive a força e a doçura da minha irmã para aceitar as oportunidades que recebi e seguir pelo caminho do bem, pelo contrário, me envolvi com bebida, com drogas, com pessoas erradas e acabei com a minha vida muito cedo.


Sofri muito depois que morri, não entendia o que estava acontecendo, não agüentava ver o sofrimento da minha mãe. Meu pai, que sempre foi quieto e calado, ficou ainda mais introspectivo depois da minha morte. Mas a minha irmã sofreu demais. Ela que sempre esteve ao meu lado, mesmo quando eu estava errado, ela que sempre tentou me abrir os olhos, me chamar para as coisas boas, me trazer junto com ela para o caminho do bem, ela que sempre me amou incondicionalmente, mesmo com todas as coisas erradas que eu fazia.


Chorei muito, tentei gritar, mas ninguém me ouvia. Eu via a minha família chorar, sofrer e eu não podia fazer nada.


Fiquei anos vagando sem rumo, continuei no caminho errado por muito tempo. Até que um dia, vi uma luz e resolvi ir até ela. Senti uma paz, um bem estar tão grande como eu não sentia há muitos anos. Eu já estava cansado de sofrer, de vagar, de me drogar e pedi ajuda a Deus. Lembrei da minha família, das coisas que eles me ensinaram a respeito de Deus, de Jesus e pedi ajuda. E a ajuda veio em forma de luz, em forma de um lar que me acolheu, de pessoas amigas e bondosas que me deram todo o apoio que eu precisava para me livrar do vício e me recuperar.


Hoje estou bem, tenho somente uma tristeza grande por ter perdido tanto tempo e por ter feito os que me amavam sofrer. Mas hoje sei que eles também estão bem, que já superaram a minha morte, que conseguiram seguir a vida adiante.


Espero um dia poder estar junto deles. A saudade e o remorso são muito grandes. Quero abraçar a minha mãe e a minha irmã e poder demonstrar a elas o quanto as amo e dizer perdão por tudo que eu fiz de errado e por todas as coisas que deixei de fazer por ter partido tão cedo.


Mas hoje sei que a vida continua após a morte e que um dia voltarei à Terra.


E que eu tenha forças suficientes para não errar de novo e me manter afastado das drogas.


Marcelo

 
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