Sabe quando você acha que já chegou ao fundo do poço, que já conheceu o que há de mais sujo e mais baixo, quando se acredita que está na lama, no fundo do abismo, que não há mais nada que possa te colocar mais baixo? Pois a droga ultrapassa todos esses limites e te põe num nível ainda mais baixo, num degrau abaixo do pior que você pode imaginar. A droga destrói tudo, traga tudo com uma voracidade inacreditável, com uma velocidade infinita, que você não consegue explicar como entrou nessa e muito menos tem a menor ideia de como fazer para sair.
A droga destruiu a minha vida. Fez com que eu moralmente deixasse de pertencer à classe humana e passasse a viver pior do que o pior dos animais mais selvagens, mais irracionais.
Eu não tinha mais sentimentos, não tinha amor próprio, não tinha vontade de fazer nada, de estudar, de trabalhar, de me relacionar normalmente com as pessoas, de viver em sociedade.
Nem sei por quanto tempo vivi assim. Na época, eu não tinha consciência de mais nada, não tinha mais capacidade de pensar com lucidez, com clareza.
Vivia em estado de constante alucinação, de loucura, com o organismo entorpecido, com a mente adulterada, com meus sentimentos anestesiados.
Nada mais me importava. Não sentia mais nada por ninguém, não tinha amor próprio, não tinha mais vontade de viver.
A vida me parecia vazia. Não acreditava em Deus, não acreditava no amor. Não me entendia com a minha família. E a droga foi a minha fuga, a forma que encontrei de não ter que enfrentar a vida, de enfrentar a realidade.
Mas não adiantou nada. O vazio não se preenchia. A solidão não passava. Não tinha esperança, não tinha perspectivas de vida, não tinha mais vontade de viver.
E acabei morrendo, afundado no uso das drogas, cada vez mais fortes, cada vez mais constantes. Sei que fui um suicida, que acabei com a vida que recebi do Criador e que eu não tinha esse direito, que eu não podia ter acabado com tudo.
Acabar com tudo... Grande ilusão. Eu achava que se eu morresse, todo sofrimento acabaria e eu não teria que enfrentar as dificuldades e as desilusões.
Mas descobri, a amargas penas, que não era assim.
Sofrimento verdadeiro eu conheci depois que morri.
Mas isso foi há muito tempo.
Graças a Deus, o sofrimento não é eterno e sempre há uma nova chance, mesmo para os que erraram como eu errei.
Deus me perdoou e eu tenho profundo arrependimento pelas coisas que eu fiz, pelas coisas que eu deixei de viver, pelas oportunidades desperdiçadas.
Mas também sei que naquele momento era o que eu tinha condições de fazer. Eu não sabia nada da vida após a morte, da imortalidade da alma, fui um fraco, um irresponsável, covarde, que precisou do sofrimento para crescer, para aprender.
Amem a vida! Ocupem suas mentes com boas leituras, com boas conversas, com bons amigos, com a prática do bem, da caridade com os menos favorecidos.
Aproveitem a oportunidade que receberam do Pai Criador.
Agradeçam por estarem vivos.
Agradeçam por serem perfeitos.
E acima de tudo agradeçam pela oportunidade de terem conhecido a Doutrina Consoladora ainda em vida, enquanto ainda há tempo de mudar, enquanto ainda tem a chance de fazer algo para melhorar o mundo.
Boa noite a todos.
Fiquem em paz.
Marcelinho (30/01/10)
Depoimento - Marcelinho
sábado, 30 de janeiro de 2010
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