Perdão e libertação

sábado, 25 de maio de 2013


Tudo aquilo que fazemos volta para nós mesmos. Aprendi isso na prática, a duras penas. Seja o que fazemos de bom, mas principalmente o que fazemos de mal, o que fazemos para prejudicar os outros.

Eu vivia preso ao mal, me dava prazer fazer os outros sofrerem, fazer o que eu achava que era justiça, mas como eu estava enganado.

Fazer justiça com as próprias mãos, fazer os outros pagaram pelos seus erros, provarem do próprio veneno, achava que isso era justiça e que eu estava ajudando a melhorar o mundo, extirpando aqueles que não mereciam viver, fazendo vingança aos injustiçados, aos prejudicados, fazendo os culpados pagarem... Mas sem que eu tomasse consciência, sem que eu pudesse perceber me transformei no algoz, no justiceiro, que no final das contas também estava fazendo o mal, também estava prejudicando pessoas que, no futuro, também viriam me cobrar, também iriam querer fazer justiça com as próprias mãos, num ciclo de vingança, de rancor sem fim.

Quantas criaturas se encontram nesta situação tão triste, quantos se encontram presos a tramas tenebrosas que se estendem por séculos, por inúmeras encarnações, desperdiçando vidas inteiras, levando consigo outras tantas criaturas à falência, séculos afora, queda sobre queda, vingança sobre vingança.

Quanta tristeza eu sinto quando me lembro de quanto tempo valioso desperdicei enveredado que estava pelo caminho do ódio, da vingança, das trevas.

Quantas e quantas vidas desperdiçadas, quantos débitos contraídos perante a Divina Providência, preso à ilusão, ao engano, à falsa ideia de justiça.

Mas graças a Deus tudo tem um fim e por mais que eu tenha passado séculos preso ao mal, fui tocado pela luz do amor e do perdão e resolvi deixar para trás estas páginas escuras da minha vida.

Recebi ajuda, recebi uma mão que se estendeu para mim como um facho de luz de esperança e me deixei contagiar, me deixei levar, me agarrei com toda força a essas mãos e hoje tento reparar um pouco do mal que plantei, da discórdia e do ódio que semeei.

Sei que tenho muito ainda a fazer, muitos débitos a resgatar, mas tenho me esforçado e pedido ajuda e amparo divinos para não me deixar cair, para me manter firmo no novo caminho que escolhi seguir.

O amor liberta, o perdão nos dá o alívio e paz de espírito. O ódio, ao contrário, nos aprisiona, nos deixa cegos para todos e para tudo e sequer enxergamos a ajuda que muitas vezes se encontra ao nosso alcance, que nos é oferecida de graça, de forma desprendida, por criaturas que se compadecem do nosso sofrimento. Mas o coração endurecido, cego de ódio, de rancor, de mágoas e desejoso de vingança não consegue se libertar e fica estagnado, preso a coisas e pessoas e nos impede de ser feliz, nos impede de viver.

Peço compaixão e piedade a Deus por todos aqueles que se encontram perdidos no erro, iludidos por falsas ideias como eu estive um dia.

João Carlos 


Chuva

sábado, 18 de maio de 2013


Que a chuva cristalina recaia sobre a Terra, levando dos corações a mágoa, tirando das almas a dor, o rancor que nossa vida emperra.

Que uma chuva de bênçãos recaia sobre a humanidade, iluminando as almas sofridas, aliviando dores e limpando a atmosfera de toda e qualquer impureza, de todo e qualquer sentimento de orgulho, de ódio, de vaidade, lavando as almas, os corações, banindo da Terra a dor e a maldade.

Que uma chuva de energia e fluidos salutares recaia sobre todo aquele que sofre de dores do corpo e da alma, trazendo alento e conforto, pondo fim a todo sofrimento.

E que uma chuva de misericórdia e do amor de Deus recaia sobre nós, nos dando a certeza de que por pior que as coisas pareçam, o Pai jamais nos deixa sós.

Ulisses

Vidas secas

sábado, 11 de maio de 2013


Estrada de terra batida
Pés descalços, machucados
Pela aridez da estrada, pelas pedras
Caminhando, caminhando,
Sem parar, sem saber aonde chegar
Um dia de cada vez,
Um dia após o outro,
Vidas duras, vidas secas,
Vidas sofridas, vidas amargas,
Vidas quase sem vida.
Com a incerteza e a desilusão
Batendo forte, todo dia,
Dia após dia.
O sol forte e a seca castigam
A fome e a falta de tudo nos intrigam
Onde está a justiça divina?
Por que vidas sofridas assim?
A pele curtida pelo sol,
Coberta de poeira, de sujeira,
A fome dói, a seca castiga,
Andando pela estrada de terra,
Andando pela estrada da vida.
Que Deus proteja os que nada têm
Que Deus proteja e dê coragem
A quem já não tem ninguém.

Luis

Súplica


Chão de cimento gelado
Vento frio, cortante
Olhares duros, implacáveis
Olhares de desprezo
Olhares de medo
Olhares de recriminação
Às vezes olhares de compaixão
Olhares de dúvida
Olhares de ternura
Olhares de todos os lados
Pois quem vive nas ruas está exposto
Aos olhares de todos
Olhares assustados
Olhares desesperados
Olhares de súplica
Olhares pedindo socorro
Olhares de esperança
Olhares de quem espera a morte
Olhares de quem está sozinho
À própria sorte
Olhai por nós Senhor da Vida, Senhor da Luz
Olhai por nós amado Mestre Jesus
Olhai por nós seus filhos e irmãos
Esquecidos, desvalidos
Desiludidos, cansados de ser miseráveis
Cansados de tanto sofrer.
Olhai por nós sem nos recriminar,
Sem nos julgar.
São tantas histórias,
Tantos motivos...
Tantos sonhos destruídos,
Tantos sonhos ainda por viver,
Tantos sonhos que sonhamos merecer.
Somos gente, somos humanos,
E não bichos.
Temos sentimento, temos amor,
Temos dor...
E temos esperança
De encontrar o caminho,
De encontrar as respostas
Para o que nos trouxe até aqui

João Lucas 

Mensagem de um ex-morador de rua à Caravana Irmã Caridade

sábado, 6 de abril de 2013



 Aqui hoje faz muito frio. Como na noite em que morri. Lembro como se fosse hoje, estava uma noite muito fria, uma garoa fina, um vento cortante e os poucos pedaços de papelão e um velho cobertor mal davam conta de me proteger.

O frio estava tão forte, tão intenso que eu já não sentia meus pés, minhas mãos. O vento parecia que tinha me anestesiado os sentidos.

A fome e o frio naquela noite pareciam me castigar ainda mais. Tentei em vão me aquecer, me encobrir, me proteger, mas meu corpo não resistiu.

Vivi muitos anos nas ruas. É uma vida muito triste, solitária, sofrida. Perdi tudo que eu tinha e fui viver nas ruas. Foram anos de muito sofrimento e aprendizado.

Aprendi a valorizar mais a vida, as amizades, um pedaço de pão, um simples sorriso, um olhar de compaixão me faziam sentir melhor. A gente precisa de tão pouco pra ser feliz. Aprendi isso nas ruas quando perdi tudo. Quando o pouco que eu tive um dia era muito para quem não tinha mais nada.

Mas a vida nas ruas é uma vida sem esperança, é uma vida de medo de não acordar, de medo do escuro, do frio, da fome, uma vida de lutas, uma vida sem sonhos, sem perspectivas. Uma vida em que se vive um dia de cada vez, na esperança de ter algo para comer, na esperança de ter um lugar para dormir, na esperança de que alguém lhe estenda a mão.

Fico feliz quando vejo pessoas do bem fazendo algo pelos que nada tem além da vontade de lutar pela vida, de lutar para ter o que comer.

Continuem com o trabalho, continuem no caminho do bem, da caridade, dividindo seu tempo, seus recursos com os necessitados de rua.

Força, perseverança e ânimo! Não desanimem diante das dificuldades, da falta de recursos e das críticas.

Façam o melhor que puderem com o coração. E Deus sempre estará do lado de vocês. Mantenham firme o propósito ao qual se destinaram e o amparo divino nunca faltará.

Não esmoreçam na fé, mantenham a boa vontade, o amor no coração e a confiança no amparo do Plano Superior e tudo dará certo.

Um amigo

Renovação e progresso

sábado, 30 de março de 2013


Nascer, morrer, renascer: esta é a Lei
Renascer não para só para uma nova vida,
Uma nova reencarnação
Mas o renascimento diário,
De renovação de princípios, de propósitos,
De melhoria interior,
De renascimento de sentimentos,
De renovação a cada dia, a cada minuto.
Progresso, evolução contínuos, constantes,
Estes são os propósitos aos quais
O espírito está destinado.
Progredir sempre!
Retroceder jamais!

Pedro

Vidas secas

sábado, 23 de março de 2013


Terra seca
Árida
Arenosa
Pedregosa
Terra
Poeira
Terra
Seca
Pedra
Pedreira
Terra
Batida
Rachada
Seca
Dura
Dureza
Pobreza extrema
Pobreza de pão
Pobreza de alma
De coração
Corações duros
Doídos
Machucados
Endurecidos
Como a terra,
Secos como a poeira
Sem cor,
Sem esperança
Sem eira nem beira
Vidas duras
Vidas secas
Sem esperança
Sem futuro
Vidas esquecidas
Vidas perdidas
Vidas largadas
Ao nada
Ao esmo
Tudo, tudo no mesmo
Tudo igual
Tudo corre
Tudo morre
Vida que escorre
Vida que finda
Vida que luta
Vida que grita
Por compaixão
Por perdão
Por socorro
Sem escolhas
Sem ninguém
Vida que fica à espera
De um amanhã
Que não se sabe se vai chegar

Velho Chico 

Escolhas

sábado, 19 de janeiro de 2013


Aquele que estagnado se encontra
Perde oportunidade preciosa de servir
Deus não criou o homem para ficar parado
Mas para trabalhar, ajudar e evoluir.

Cada dia de nossa jornada
É uma dádiva que nos foi concedida
Oportunidade bendita de trabalho
Na seara abençoada da vida

Muitos são os chamados
Poucos serão os escolhidos
Estejamos vigilantes e alertas
Para que amanhã não estejamos arrependidos

Cada um é responsável pelos seus atos
Deus nos dá a chance de escolher o caminho
Com nosso livre arbítrio fazemos nossas escolhas
E amanhã estaremos chorando ou sorrindo

João de Deus 

 
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