Tudo aquilo
que fazemos volta para nós mesmos. Aprendi isso na prática, a duras penas. Seja
o que fazemos de bom, mas principalmente o que fazemos de mal, o que fazemos
para prejudicar os outros.
Eu vivia preso
ao mal, me dava prazer fazer os outros sofrerem, fazer o que eu achava que era
justiça, mas como eu estava enganado.
Fazer justiça
com as próprias mãos, fazer os outros pagaram pelos seus erros, provarem do
próprio veneno, achava que isso era justiça e que eu estava ajudando a melhorar
o mundo, extirpando aqueles que não mereciam viver, fazendo vingança aos
injustiçados, aos prejudicados, fazendo os culpados pagarem... Mas sem que eu
tomasse consciência, sem que eu pudesse perceber me transformei no algoz, no
justiceiro, que no final das contas também estava fazendo o mal, também estava
prejudicando pessoas que, no futuro, também viriam me cobrar, também iriam
querer fazer justiça com as próprias mãos, num ciclo de vingança, de rancor sem
fim.
Quantas criaturas
se encontram nesta situação tão triste, quantos se encontram presos a tramas
tenebrosas que se estendem por séculos, por inúmeras encarnações, desperdiçando
vidas inteiras, levando consigo outras tantas criaturas à falência, séculos afora,
queda sobre queda, vingança sobre vingança.
Quanta tristeza
eu sinto quando me lembro de quanto tempo valioso desperdicei enveredado que
estava pelo caminho do ódio, da vingança, das trevas.
Quantas e
quantas vidas desperdiçadas, quantos débitos contraídos perante a Divina
Providência, preso à ilusão, ao engano, à falsa ideia de justiça.
Mas graças a
Deus tudo tem um fim e por mais que eu tenha passado séculos preso ao mal, fui
tocado pela luz do amor e do perdão e resolvi deixar para trás estas páginas
escuras da minha vida.
Recebi ajuda,
recebi uma mão que se estendeu para mim como um facho de luz de esperança e me
deixei contagiar, me deixei levar, me agarrei com toda força a essas mãos e
hoje tento reparar um pouco do mal que plantei, da discórdia e do ódio que
semeei.
Sei que tenho
muito ainda a fazer, muitos débitos a resgatar, mas tenho me esforçado e pedido
ajuda e amparo divinos para não me deixar cair, para me manter firmo no novo
caminho que escolhi seguir.
O amor
liberta, o perdão nos dá o alívio e paz de espírito. O ódio, ao contrário, nos
aprisiona, nos deixa cegos para todos e para tudo e sequer enxergamos a ajuda
que muitas vezes se encontra ao nosso alcance, que nos é oferecida de graça, de
forma desprendida, por criaturas que se compadecem do nosso sofrimento. Mas o
coração endurecido, cego de ódio, de rancor, de mágoas e desejoso de vingança
não consegue se libertar e fica estagnado, preso a coisas e pessoas e nos
impede de ser feliz, nos impede de viver.
Peço compaixão
e piedade a Deus por todos aqueles que se encontram perdidos no erro, iludidos
por falsas ideias como eu estive um dia.
João Carlos