Chão de cimento
gelado
Vento frio,
cortante
Olhares duros,
implacáveis
Olhares de
desprezo
Olhares de
medo
Olhares de recriminação
Às vezes
olhares de compaixão
Olhares de
dúvida
Olhares de
ternura
Olhares de
todos os lados
Pois quem vive
nas ruas está exposto
Aos olhares de
todos
Olhares assustados
Olhares
desesperados
Olhares de
súplica
Olhares pedindo
socorro
Olhares de
esperança
Olhares de
quem espera a morte
Olhares de quem está sozinho
À própria
sorte
Olhai por nós
Senhor da Vida, Senhor da Luz
Olhai por nós
amado Mestre Jesus
Olhai por nós
seus filhos e irmãos
Esquecidos,
desvalidos
Desiludidos,
cansados de ser miseráveis
Cansados de
tanto sofrer.
Olhai por nós
sem nos recriminar,
Sem nos julgar.
São tantas
histórias,
Tantos motivos...
Tantos sonhos destruídos,
Tantos sonhos
ainda por viver,
Tantos sonhos
que sonhamos merecer.
Somos gente,
somos humanos,
E não bichos.
Temos sentimento,
temos amor,
Temos dor...
E temos
esperança
De encontrar o
caminho,
De encontrar
as respostas
Para o que nos
trouxe até aqui
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