Depoimento - Pedro Henrique

domingo, 30 de março de 2008

A vida nas ruas é uma ilusão. Uma falsa ilusão de liberdade.
Fui viver nas ruas porque queria ser livre, porque não queria dar satisfação para minha mãe, para minha família.
No começo foi muito legal. Eu passava o dia todo sem fazer nada, sem ter obrigações. Passava o dia jogando conversa fora, me divertindo com outros meninos e meninas que também passavam o dia na rua, pedindo nos faróis, sentados pelos bancos das praças, conversando, vadiando.

Mensagem - Irmão da Cruz

sábado, 29 de março de 2008

Muito tem se falado sobre a necessidade de mudar o mundo em que vivemos, em fazer algo pelos nossos jovens, pelas nossas crianças, pela educação em nosso país.
Mas quantos de nós estamos dispostos a dar o testemunho em prol dos que necessitam?
Quantos de nós temos realmente em nosso íntimo a vontade de ajudar, a vontade de fazer algo pelo nosso próximo?
Quantos de nós estamos dispostos a abrir mão de um pouco do nosso tempo e dar um pouco de nós mesmos pelos nossos irmãozinhos necessitados?
Quantos de nós temos boa vontade e amor, suficientemente grandes, para iniciar um trabalho de prevenção às drogas com a nossa juventude?
Pensem nisso. Pensem que o trabalho que vocês têm realizado aqui é de extrema importância, pois nossos irmãozinhos necessitam deste contato com a energia de vocês, precisam de oportunidade para aprender, para se conscientizarem sobre a sua situação e de oportunidade para refletirem sobre os seus erros, mas também é muito importante que trabalhemos com os encarnados, com jovens e crianças que ainda não se envolveram com o vício, mas que se encontram em situação de risco, expostos ao perigo das drogas. Às crianças e jovens que nunca ouviram falar em Deus, em Jesus, aos que não tiveram a oportunidade de conhecer valores morais, aos que se encontram hoje pelas ruas, abandonados, às vezes abandonados dentro de seus próprios lares.
Pensem com carinho nesta necessidade e procurem formas de colocar em prática o que vocês já conhecem tão bem na teoria.
Como eu já disse outras vezes, mas repito hoje para que vocês reflitam sobre as suas atitudes do dia a dia: “Infinita é a nossa capacidade, mas infinita também tem que ser a nossa vontade”.
Que Deus esteja com vocês.
Fiquem em paz.

Irmão da Cruz (29/03/08)

Depoimento - Alice

Estou tão cansada...
Não sei há quanto tempo eu já deixei a vida terrena, há quanto tempo eu desencarnei e tenho sofrido.
Estou cansada, meu corpo está muito debilitado, maltratei demais o meu organismo.
Estou cansada, sinto dores por todo o corpo, sinto fome, sinto frio...
Já não sei mais no que eu me tornei, já não me reconheço quando olho para mim, quando me olho no espelho. Sou uma migalha, um farrapo do que eu fui um dia.

IInfinita capacidade... infinita boa vontade...


Boa noite a todos.

Muito tem se falado sobre a necessidade de mudar o mundo em que vivemos, em fazer algo pelos nossos jovens, pelas nossas crianças, pela educação em nosso país.

Mas quantos de nós estamos dispostos a dar o testemunho em prol dos que necessitam?

Quantos de nós temos realmente em nosso íntimo a vontade de ajudar, a vontade de fazer algo pelo nosso próximo?

Quantos de nós estamos dispostos a abrir mão de um pouco do nosso tempo e dar um pouco de nós mesmos pelos nossos irmãozinhos necessitados?

Quantos de nós temos boa vontade e amor, suficientemente grandes, para iniciar um trabalho de prevenção às drogas com a nossa juventude?

Pensem nisso. Pensem que o trabalho que vocês têm realizado aqui é de extrema importância, pois nossos irmãozinhos necessitam deste contato com a energia de vocês, precisam de oportunidade para aprender, para se conscientizarem sobre a sua situação e de oportunidade para refletirem sobre os seus erros, mas também é muito importante que trabalhemos com os encarnados, com jovens e crianças que ainda não se envolveram com o vício, mas que se encontram em situação de risco, expostos ao perigo das drogas. Às crianças e jovens que nunca ouviram falar em Deus, em Jesus, aos que não tiveram a oportunidade de conhecer valores morais, aos que se encontram hoje pelas ruas, abandonados, às vezes abandonados dentro de seus próprios lares.

Pensem com carinho nesta necessidade e procurem formas de colocar em prática o que vocês já conhecem tão bem na teoria.

Como eu já disse outras vezes, mas repito hoje para que vocês reflitam sobre as suas atitudes do dia a dia: “Infinita é a nossa capacidade, mas infinita também tem que ser a nossa vontade”.

Que Deus esteja com vocês.

Fiquem em paz.
 

Irmão da Cruz

Depoimento - Alice


Estou tão cansada...

Não sei há quanto tempo eu já deixei a vida terrena, há quanto tempo eu desencarnei e tenho sofrido.

Estou cansada, meu corpo está muito debilitado, maltratei demais o meu organismo.

Estou cansada, sinto dores por todo o corpo, sinto fome, sinto frio...

Já não sei mais no que eu me tornei, já não me reconheço quando olho para mim, quando me olho no espelho. Sou uma migalha, um farrapo do que eu fui um dia.

Mas estou tão cansada e esta noite chorava baixinho, cansada de sofrer, cansada de chorar, cansada de ficar sozinha e rezei. Pedi a Deus que tivesse compaixão de mim, que me perdoasse pelos meus erros, por todas as coisas erradas que fiz, por todas as escolhas erradas que fiz. Pedi a Ele que me desse o alívio, que eu esperava ter encontrado na morte, mas que logo descobri que não existia, que este alívio não chegava pois a morte não existe, pois tudo o que eu sentia na Terra, todos os sofrimentos que passei continuavam existindo mesmo sem ter um corpo de carne.

E apareceram pessoas que me ajudaram a me levantar e me trouxeram aqui.

Estou tão fraca que me deixei trazer, mesmo sem entender muito bem para onde estava sendo trazida e o que eu viria fazer aqui.

Mas o fato é que me senti muito bem com as palavras de reflexão que ouvi aqui e com as preces que vocês fizeram por nós.

Somos muitos que estamos aqui, muitos que estão sofrendo e que aqui encontramos o alívio necessário ao nosso coração tão sofrido.

Tenho que ir, minha cabeça está doendo e estou muito cansada. Meus benfeitores dizem que eu irei repousar por algum tempo e ser medicada até que eu esteja curada.

Obrigada meu Deus por ter ouvido as minhas preces, por ter enviado esses amigos para me socorrer.

Espero voltar a ter paz, a conseguir dormir, voltar a ser feliz.

 Um abraço,

Alice

Depoimento - Pedro Henrique


A vida nas ruas é uma ilusão. Uma falsa ilusão de liberdade.

Fui viver nas ruas porque queria ser livre, porque não queria dar satisfação para minha mãe, para minha família.

No começo foi muito legal. Eu passava o dia todo sem fazer nada, sem ter obrigações. Passava o dia jogando conversa fora, me divertindo com outros meninos e meninas que também passavam o dia na rua, pedindo nos faróis, sentados pelos bancos das praças, conversando, vadiando. Mas também foi nas ruas que eu conheci o crack, a heroína, a maconha, a cocaína... Também cheirei cola, bebia, consumia tudo que aparecesse na minha frente. Foram esses amigos de rua que me ofereceram, que me ensinaram a consumir, que me incitavam a pedir e até mesmo a roubar para manter o nosso vício. O que o grupo decidia, todos tinham que fazer e foi assim que me envolvi em diversos crimes.

Quanta coisa errada eu fiz!

Nunca mais vi a minha família, nunca mais voltei para casa.

Quando eu percebi no que eu tinha me envolvido, percebi também que não tinha mais volta. Até tentei deixar de me drogar, mas a dependência era tão grande, o grau de envolvimento e dependência do grupo também era tamanho, que eles não me deixavam ir embora, afinal estávamos todos no mesmo barco.

A vida na rua é muito difícil. Você pode até achar que tem liberdade, que pode estar em qualquer lugar que quiser, que não tem hora nem obrigação para fazer as coisas, mas isso é pura ilusão. A vida nas ruas não é uma vida livre não, pois somos prisioneiros de nós mesmos, pois não temos direito a nada, nem direito à vida, pois o que eu passei nas ruas não pode ser chamado de vida.

Perdi minha identidade, minha dignidade, meu amor próprio, o amor de minha família, que apesar de ser uma família pobre, era uma família trabalhadora, honesta, mas eu nunca quis ouvir os conselhos de minha mãe e achava que ela estava “pegando no meu pé” quando me dizia pra estudar, quando me dizia pra ir à escola, pra ser alguém na vida, pra um dia ter um emprego, pra formar uma família, mas eu era muito teimoso, muito orgulhoso e me julgava auto-suficiente pra tomar as minhas decisões, pra seguir o rumo que eu quisesse e foi isso que eu fiz. E me dei muito mal... Me arrependi muito e me arrependo até hoje por não ter ouvido a minha mãe, por ter abandonado o meu lar, que por mais simples que fosse era meu lar, era um lugar onde eu estava seguro, onde eu era amado, ainda que naquela época eu não tivesse condições de entender isso.

O meu orgulho e a minha teimosia aliados à minha falta de fé em Deus e de conhecimento das coisas da vida, me impediram de ter uma vida melhor, de ter um futuro feliz, ou melhor, me impediram de ter um futuro, pois desencarnei muito cedo, antes de completar 18 anos.

A “Estação do Pouso para o Repouso” hoje é o meu lar, o meu porto seguro, onde fui acolhido, tratado com muito amor e respeito por amigos bondosos que hoje considero meus verdadeiros irmãos.

Não valorizei os meus irmãos que eu tive quando encarnado na minha ultima existência, não valorizei a minha família. E hoje tenho amigos que são a minha família no plano espiritual.

Peço perdão a Deus e à minha mãe que eu sei que fiz sofrer. Peço ajuda do Pai Criador para que eu nunca mais me aproxime das drogas, para que eu não desperdice a oportunidade da vida.

A vida é um presente que recebemos de Deus e devemos valoriza-la. A quantidade de jovens que, assim como eu, se envolveram com esta desgraça e que hoje aguardam uma nova chance para reencarnar é enorme. Vocês não imaginam como esperamos por esta nova oportunidade e como isso nos dá medo, nos dá a sensação de insegurança por não sabermos se seremos fortes o bastante para não repetirmos os mesmos erros.

Que o Pai da Vida nos dê amparo e forças nesta nova jornada.


Um abraço,

Pedro Henrique

Em nome da paz

sábado, 22 de março de 2008


“Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Que estas palavras do Cristo estejam presentes em nossos corações, com toda a luz que representam, com toda a luz que significam.

Que a humanidade possa viver em paz, que os homens se vejam como verdadeiros irmãos.

Que independente da crença, da raça, da religião, os homens vivam em harmonia, que haja respeito, compreensão, que o Cristo esteja vivo dentro de cada um, que o Cristo renasça em cada coração, em cada lar, em cada comunidade, em cada civilização.

Que a paz se torne uma realidade. Basta de tantas guerras, basta de tanta inveja, basta de tanta ambição! Pois é isto que o Cristo e o nosso Pai querem de nós: paz, amor, harmonia e fraternidade!

Não podemos admitir passivamente que as guerras continuem, que as pessoas continuem se matando por tão pouco, por falta de amor e de fraternidade. Não podemos admitir que a ambição, que a ganância pela riqueza e pelo poder, ditem as regras, conduzam os governantes de todas as Nações. Não podemos admitir que haja tanta miséria num país como o nosso, rico em recursos naturais, rico em trabalho, rico em indústrias, rico em campos, mas pobre de espírito, com tantas desigualdades, com tanta criança passando fome, humilhação, com crianças sendo exploradas, com crianças vivendo nas ruas, com criança “se vendendo”, com criança matando.

Que mundo é esse em que vivemos? Que mundo é esse em que dizemos que amamos a Deus, que nos revoltamos com Judas que traiu Jesus, que nos revoltamos com aqueles que O crucificaram, mas tão pouco fazemos pelo nosso próximo como o Mestre nos ensinou?

Mais de dois mil anos se passaram e a humanidade não aprendeu a verdadeira mensagem de amor e de perdão que o Mestre nos ensinou, Ele que deu a sua vida pela humanidade, Ele que nos deu a verdadeira lição de fraternidade e compaixão.

Quando iremos despertar para os verdadeiros valores espirituais, para o que realmente importa?

Quando faremos algo para melhorar o mundo em que vivemos?

Quando daremos uma prova de fraternidade, de amor ao nosso próximo, como Jesus nos ensinou?

Pratiquem a paz em cada momento de suas vidas, vivam em paz, mantenham a mente em paz, vibrem paz pelo nosso Planeta, vivenciem a paz dentro de seus lares.

E tenham certeza de que Jesus espera que cada um de nós dê a sua prova de amor a Ele, amando-nos uns aos outros como Ele nos amou.

Boa noite a todos. Fiquem em paz.

Deus está sempre com vocês.  Irmão da Cruz

Depoimento - Daniel


Saí pela madrugada dirigindo feito louco. Sempre tive paixão por carros, pela velocidade, sentir o vento batendo em meu rosto, desafiar meus próprios limites, não ter limites... isto sempre me atraiu.

Mas naquela noite, eu exagerei. Tomei de tudo um pouco, misturei o que podia e o que não podia. E depois, feito alucinado, peguei o carro e saí. E “levei elas” comigo. Minha namorada e minha irmã. As duas pessoas que eu mais amava naquela época.

As duas também eram companheiras das festas e “noitadas” que eu passava entre amigos de bagunça, de diversão. Mas eu era o mais louco de todos. Eu não gostava e ainda não gosto de ter limites, de ter barreiras que eu não possa transpor, coisas que não me deixem fazer.

Mas eu, na minha inconseqüência, não pensava em nada, não me importava com nada e envolvi a minha irmã nestas brincadeiras, nestas “baladas”. E foi nestas festas que eu conheci a minha namorada. Gostava muito de estar ao lado delas, gostava de me divertir.

Mas fui muito inconseqüente quando peguei o carro naquela noite sem ter a menor condição de dirigir, de conduzir um veiculo. Eu mal estava conseguindo me manter em pé, tal o grau de embriaguez e drogado que eu estava. Mas fazia calor e eu queria sair, sentir o vento em meu rosto, como eu sempre gostei, como eu gostava de me sentir, livre, sem limites.... A estrada sumindo à minha frente, a velocidade e um segundo de descuido, o carro saiu da estrada e foi arremessado num barranco, despencando no abismo. Morremos na hora, eu e as duas pessoas que eu tanto amava.

Quando despertamos, sentíamos muitas dores, sentíamos a cabeça girando, ainda sob o efeito dos entorpecentes, ainda sem entender o que estava acontecendo conosco. Vagamos por muito tempo, fomos vítimas de entidades que queriam se divertir conosco, que nos fizeram de joguetes em suas mãos, e continuamos sentindo desesperadamente a necessidade da droga, a necessidade de continuar nos anestesiando com toda a sorte de entorpecentes que nos davam o alívio momentâneo para as nossas dores e para que esquecêssemos da nossa desgraça.

Mas nunca nos separamos. Eu continuei cuidando das duas como eu pude, pois no íntimo, me sentia culpado por tê-las envolvido no acidente, pela minha inconseqüência.

Depois de muito tempo vagando, cansados que estávamos, sem saber mais o que fazer, lembrei-me de uma oração que mamãe nos ensinara quando crianças; lembrei-me de mamãe, que muito sofreu ao perder os seus dois únicos filhos e pedi ajuda a Deus, pedi que Ele tivesse pena de nós, que Ele nos enviasse um anjo que pudesse nos ajudar e nos aliviar a dor. E este anjo, como milagre apareceu. Seu nome é Tavinho, que veio junto com outros amigos bondosos e nos acolheram com todo o seu amor, com toda a amizade e nos socorreram,  nos levaram para tratamento, nos deram abrigo e repouso, alívio e forças. Estamos em tratamento ainda, em processo de recuperação.

Espero, em outra reencarnação, ser mais forte e não me envolver com pessoas que me ofereçam o que motivou a minha desgraça. Mas se eu me envolver, se eu encontrar pessoas assim em meu caminho, que eu possa ter forças suficientes e fé no Pai Criador para saber dizer “Não”, para não desperdiçar mais uma chance, mais uma oportunidade de vida como eu fiz na minha última existência.

Que Deus me perdoe pelos meus erros, pela minha fraqueza e pela minha inconseqüência, pois eu muito me arrependo por tudo o que fiz e pelo que fiz os que me amavam passarem.

Boa noite e fiquem em paz!

 Daniel

O poder das mães

sábado, 15 de março de 2008


Ah! Se as mães soubessem do poder que elas possuem e de como está impregnado  o seu amor maternal.
Ah! Se as mães soubessem como são valiosos os dias, as horas e as noites  dedicadas à educação moral de seus filhos.
Ah! Se as mães soubessem como Deus aguarda do seu concurso materno o auxilio para encaminhar seus filhos. E como são válidos e poderosos aos olhos de Deus as suas sinceras preces e pedidos em prol de seus filhos.
Se todas as mães da Terra tivessem plena convicção do poder que Deus lhes confere e da importância de sua missão terrena, talvez não houvessem tantos jovens transviados do caminho reto da evolução.
Orientai as mães , mostrai a elas como são importantes na vida dos filhos, como o amor maternal é poderoso e como suas preocupações são ouvidas pelo Senhor .
A família é parte fundamental na formação da criança e do jovem. E o amor maternal é força propulsora para que a negatividade que governa grande parte da juventude seja quebrada, para que as forças do bem possam ter acesso a nossa juventude perdida.
Que o Senhor ilumine a todas as mães da Terra.

Com carinho! 
Armando 

O COMEÇO DO RECOMEÇO



Fácil é enveredar por este caminho. Um segundo de descuido, um instante de desatenção e quando se percebe está totalmente envolvido com este flagelo humano que são as drogas.

Mas difícil e doloroso é o retorno, a recuperação, a desintoxicação, a volta à vida normal, à alegria de viver, à volta do “Eu”.

Pois as drogas matam tudo o que o ser humano tem de melhor, desde a saúde orgânica até os bons sentimentos que existem dentro de si. As drogas terminam com a história de um futuro feliz, terminam com as chances que o ser humano tem de ter uma vida, de ter uma família, de ter sucesso, de ser feliz.

Muitos até conseguem se recuperar, mas mesmo assim, é muito doloroso, é muito difícil, é um tratamento longo, de muita paciência, persistência e vigilância constante para não ter uma recaída, para não descer novamente às profundezas do abismo.

Mas outros não têm força suficiente para enfrentar a si mesmos, pois a maior luta não é contra as drogas, é contra si mesmo, contra a sua vontade, a sua compulsão.

Muitos caem no mais baixo degrau que um ser humano pode descer, transformando-se em verdadeiros trapos, em verdadeiros farrapos humanos, envoltos em miséria moral e espiritual.

Mas nosso Pai querido nos dá sempre uma nova chance, desde que queiramos ser ajudados, desde que nos arrependamos pelo que fizemos, pelos caminhos errados que escolhemos.

Deus, em sua infinita bondade e misericórdia, sempre dá a oportunidade a seus filhos de recomeçar, de ter uma nova chance, de voltar e dizer “Não”, de escolher outro caminho.

Fiquem em paz! Graças a Deus.
 

César

Depoimento - Simone


Sinto muito frio. Estou só. Há muito tempo venho sofrendo, venho vagando solitária, sem ninguém com quem conversar, sem ninguém para me confortar, sem ninguém que me amasse.

Fiquei sozinha na vida, sofri muitas humilhações, me rebaixei, me vendi para poder comer, para poder continuar vivendo, se é que aquilo podia se chamar de vida.

Transformei-me numa sombra, num farrapo, era apenas de longe uma sombra do que fui um dia.

Tive família, tive carinho, tive amor, tive dinheiro, tive amigos, tive um emprego, tive uma vida, que poderia ter sido bem diferente se eu não tivesse me envolvido com as drogas.

Deixei tudo para trás por causa das drogas, perdi tudo o que tinha, inclusive minha integridade física e mental, minha dignidade e meu amor próprio.

Não tinha mais orgulho, não tinha vontade de viver, só queria me enterrar e dormir, fugir da realidade, fugir dos problemas.

A droga é fuga, para não ter que enfrentar os problemas, para não ter que “encarar as coisas de frente”, como elas realmente são.

Quando eu consumia, quando eu “viajava”, eu me desligava por completo dos meus problemas, das coisas que eu não sabia como lidar e que eu achava na época que eram problemas.

Quanta ilusão! Problemas foram o que eu descobri depois que eu me envolvi com os tóxicos. Os problemas que eu achava que tinha, eram futilidades, inutilidades da minha vida de menina rica, mimada, acostumada a ter tudo, que não tinha aprendido a lidar com as situações da vida, despreparada para enfrentar a realidade, para enfrentar o cotidiano. Eu achava que a menor adversidade ou contrariedade fosse um problemão, chorava, não queria aceitar as coisas, não queria abrir mão do meu orgulho.

Quantas mentiras me contaram quando me disseram para experimentar, quando me disseram que meus problemas desapareceriam, que tudo pareceria mais leve, mais alegre.

Mas eu me enganei muito, sai de casa, me destruí por completo, destruí a minha vida, a minha saúde, a minha sanidade.

Fiquei sozinha no mundo, sofri muito até desencarnar nas piores condições que vocês podem imaginar.

Quero ajuda!

Agora compreendo o que fiz comigo, o que fiz com a minha vida.

Quero me tratar, quero voltar a ser feliz

Não quero mais sentir dor. Cansei de sofrer!

Vou seguir com estes amigos que me trouxeram aqui, que estão me convidando a acompanha-los.

Eles dizem que eu preciso me tratar, que eu preciso descansar e me recuperar, desintoxicar o meu organismo.

Quero seguir com eles, quero deixar de sofrer.

Agradeço pela oportunidade que estou tendo, pela ajuda que estou recebendo.

Eles me dizem que quando eu estiver mais forte, voltarei aqui para estudar e ouvir coisas que me ajudarão a entender a grandeza da bondade de Deus e da vida.

Boa noite! Vou me despedindo, indo embora para um lugar onde acredito que voltarei a ter paz.

 Simone

ORAÇÃO A MÃE DE JESUS

sábado, 8 de março de 2008


Mãe amada, Mãe bendita!
Socorra as mães que aflitas
Rogam o socorro Divino
Para seus meninos.
Mãe misericordiosa!
Olhai pelos jovens queridos
Que seguem pelo labirinto
Sem volta...

Que em busca de emoções
Perdem-se e perdem a razão,
Da desgraça que os assola.
E enveredam por um triste caminho
Perdem a trilha de retorno ao ninho...
E desabam no abismo da dor.

Mãe de Jesus querido
Vos suplicamos o auxílio,
O despertar e a luz.
Conduza nossos meninos
Aos braços de Seu Filho Jesus !


Irmã Maria Cândida

Vida: dom divino


  
A vida é um dom Divino. O corpo carnal é um presente Divino. Ele nos é dado como oportunidade de aprendizado e evolução.
A Terra é nossa escola e nossa oficina. O corpo caarnal é uma ferramenta para que o espírito evolua.
Mas, quantos de nós usamos mal ou inadequadamente essa ferramenta. Quantos de nós nos mutilamos espiritualmente, destruindo o corpo e a mente através dos vícios, das drogas, dos desregramentos. E quando deixamos o corpo carnal e percebemos que o corpo espiritual que é eterno está lesado ou danificado; sofremos terrivelmente. Não é um sofrimento material, é maior, é um sofrimento moral, é um sofrimento da alma ou do espírito, como queiram.
Muitos irmãos desencarnam nesta triste situação, sofrem terrivelmente. Por isso necessitamos que nossos irmãozinhos sejam bem esclarecidos, bem recebidos e respeitados na sua dor e na sua grande necessidade.
O trabalho está fluindo de acordo com o nosso planejamento.
Agradecemos de todo o coração, com todo o amor à Deus e a humanidade. Agradecemos e regamos muita luz, paciência, afeto e fraternidade à todos.
Obrigado! Graças à Deus.

                  
Tavinho

Depoimento - Pedro




Esperei tanto tempo por esta oportunidade, fiquei tanto tempo sem poder falar, sem pensar com clareza que nem sei direito como começar a falar, a contar o que aconteceu comigo e o que eu estou sentindo.

Fui recolhido em estado deplorável por amigos dedicados e que me deram muito amor e atenção, há algum tempo, na Estação do Pouso para o Repouso, onde tive tratamento adequado para minha desintoxicação e para a minha recuperação, desde o meu amor próprio até a minha lucidez, coisas que eu havia perdido há muito tempo, coisas que eu nem me lembrava que existiam.

Penso que foi por teimosia, rebeldia e vontade de provar que eu era forte, que eu me envolvi com as drogas. Queria provar para mim mesmo e para a minha família que eu era forte, poderoso, que eu fazia o que queria, que eu era o melhor, pois era assim que as drogas faziam com que eu me sentisse. Mas isso foi no início. Pois depois eu consumia em tal quantidade que o meu organismo foi ficando alterado e eu já não sentia a mesma força e o mesmo prazer de outros tempos. E cada vez o “barato” passava mais rápido e então era preciso consumir mais, mais e mais, num ritmo insano e desenfreado, que acabou me levando ao desencarne.

Muito me arrependo pelo que fiz, muito me entristece lembrar as coisas que passei, mas estou aqui para alertar sobre o perigo real das drogas e deste mundo de tráfico, violência, crimes, consumo e vício.

Eu não achava que iria me viciar quando experimentei pela primeira vez, influenciado por amigos, ou melhor companheiros de escola, pois amigo verdadeiro não envolve o outro neste caminho tão triste e tão perigoso. Mas como fui inocente e tolo, como fui fraco e não soube dizer “Não!”, não soube resistir às fraquezas do meu corpo e do meu espírito.

Que Deus se compadeça de todos os jovens, encarnados e desencarnados, que se encontram envolvidos com esta chaga da humanidade.

Que os homens de bem possam se empenhar no combate a esta ferida que dói, dói e não cicatriza, trazendo dor, sofrimento, desespero e morte a tantas famílias.

Jamais deixem de trabalhar, jamais desistam desta luta e façam o que puderem para tornar o mundo melhor.

Fiquem com Deus e continuem orando por nós.

 Pedro

Depoimento - Daniel


Ainda hoje sinto dores horríveis na cabeça. Quando encarnado, muito maltratei o meu corpo, muito debilitei o meu organismo.

Não vou contar detalhes do que aconteceu comigo. Tenho assistido as reuniões de vocês e sei que vocês já receberam diversas mensagens de histórias e relatos como o meu e não quero ser repetitivo.

Todos nós que nos envolvemos com este mundo pavoroso e sem saída, temos histórias parecidas, ou melhor, o fim das histórias é que é sempre o mesmo.

O sofrimento que passamos e que fizemos os que nos amam sentir é o que mais me dá tristeza. Sei que fiz  minha família sofrer muito, sei que eles me amavam e não queriam que eu tivesse um fim tão triste, mas nada puderam fazer para me impedir de enveredar por estes caminhos sem volta.

Quero dizer a vocês que continuem com este trabalho tão importante de auxílio, doação de fluidos e ajuda no resgate de jovens que, como eu, um dia estiveram no fundo do poço e que precisam muito de ajuda, precisam muito de amor e compreensão.

Ninguém quer sofrer pela eternidade, ninguém quer sentir dor indefinidamente. Mas sair deste ciclo de misérias é muito difícil.

Muitos jovens, ou melhor, a maioria desencarna sem ter consciência do que aconteceu com eles, sem ter esperança de recuperação e continuam sentindo necessidade da droga, pois seu perispírito está tão impregnado e tão debilitado que é difícil perceberam o seu novo estado, a sua nova condição e muitos se perdem e caem nas mãos de entidades que querem que eles continuem viciados.

O nosso trabalho é resgatar estes jovens, esclarece-los e faze-los compreender a eternidade da alma e leva-los para tratamento.

Nesta primeira fase o sofrimento é muito grande, eu mesmo ainda me encontro em tratamento, ainda tenho dores, mas elas já são bem menores do que quando fui acolhido pelos amigos espirituais que se importaram comigo e hoje ajudo como posso nesta tarefa de resgate de tantos companheiros de infortúnios.

Deus é nosso Pai misericordioso e só quer o bem de seus filhos, mas nós, na nossa imperfeição, temos o nosso livre arbítrio e nem sempre seguimos pelo caminho correto, pela estrada mais curta rumo ao Pai e nos emaranhamos em teias pegajosas e perigosas, difíceis de nos desvencilharmos quando tomamos consciência do perigo em que nos envolvemos e das coisas erradas que fizemos.

Agradeço a Deus pela oportunidade de estar vivo. Sim, digo vivo, pois mesmo desencarnado continuo me sentindo mais vivo do que nunca, continuo lúcido e consciente de tudo o que fiz e planejo muitas coisas para o meu futuro.

E o que eu tenho certeza é de que quero usar cada minuto que eu tiver na luta contra esta realidade monstruosa que são as drogas.

Graças a Deus pela dádiva da vida.


Um abraço, Daniel

POEMA

sábado, 1 de março de 2008



Olha o toco no chão,
Olha a pedra na estrada,
Olha o fio da navalha,
E a peixeira afiada.

Olha a nuvem escura
E a poeira da estrada
A lua escondida
E a emboscada.

Olha a falta de fé
E a decisão errada
Olha a falta de amor
E a vida acabada.

Olha quanto sofrer
Quanta lágrima derramada.
E o esperar amanhã...
Não significa nada.

Hoje, tudo é passado
Mas ficou a lição,
O sofrer e a mágoa .
Que não me levou
A nada... a nada...!

O que eu quero hoje é luz
No meu escuro caminho.
O perdão, o esquecer
E um pouco de carinho.

Renascer...recomeçar...
Aprender a viver, a servir e a amar.
Curar-me da dor moral
E encontrar a  sonhada paz!   

                                                  
JÚLIO    


Fraternidade, compaixão, compreensão, misericórdia do Pai.

Caridade para aqueles que necessitam.

Amizade, fraternidade, amor verdadeiro, fraternal pelos nossos semelhantes.

Nesta noite, Pai, pedimos compaixão pelos nossos irmãozinhos, pela nossa infância, pela nossa juventude, que se encontra envolvida com este mundo tão triste, nesta estrada tão dolorosa que muitos têm trilhado e que muito têm sofrido.

Pedimos, Pai, pelos nossos governantes, por todos aqueles que poderiam fazer algo por nossas crianças, por todos os educadores que estejam envolvidos na tarefa de esclarecer, de alertar, de formar o caráter destas crianças e tentar afasta-las do perigo deste caminho tão triste.

Pedimos a todos que unam os seus pensamentos em prol destas crianças, que emanem luz para iluminar as trevas que tentam se instaurar em nosso mundo, que vibrem pela paz no nosso planeta que está passando por tempos difíceis, dolorosos.

Mas não há mal que dure para sempre.

Não há trevas que não tenham fim.

A luz, a esperança, a paz, podem ser alcançadas com a união de nossos pensamentos, de nossas atitudes voltadas para a prática da caridade.
 

Um abraço fraternal de um amigo

Depoimento - Elias


Passei a maior parte da minha infância nas ruas, entre outros meninos e meninas, que assim como eu, muito cedo ganhamos as ruas e deixamos o conforto de um lar, o afeto de nossos pais e perdemos qualquer possibilidade de nos tornarmos homens de bem, como a lição que vocês leram esta noite.

Muito cedo comecei a me envolver com drogas e com pessoas que, assim como eu, no início só queriam relaxar, se divertir, mas que depois tornamos isso nossa rotina, nossa vida, nosso dia a dia.

Não havia sequer um dia em que eu não me drogava, em que eu não partia em busca do “pó”, das “pedras” e que eu fazia o que fosse preciso para conseguir satisfazer o meu vício. Roubei, me envolvi nos piores crimes que vocês podem imaginar, com pessoas perigosas, que me incitavam a consumir cada vez mais e a envolver e viciar outros meninos, outras crianças inocentes, que perderam sua infância, sua vida, sua saúde, sua dignidade neste mundo perverso, pavoroso, que destrói vidas, que destrói futuros, que destrói tudo o que temos de bom dentro de nós.

Desencarnei muito jovem, destruí meu corpo com as substâncias venenosas que eu ingeria sem parar, sem controle sobre mim mesmo. Sofri, vaguei por muito tempo, sentia dores terríveis, não entendia o que estava acontecendo comigo, não entendia como eu podia continuar sentindo dor, sentindo vontade de consumir mais drogas, se eu estava morto, como percebi depois de um tempo. Como isso era possível? Eu não conseguia compreender no meu limitado entendimento sobre as coisas da vida e de Deus.

Deus... Hoje eu o trago vivo dentro de mim, trago Deus dentro do meu peito, vivo, e a cada dia agradeço a Ele a oportunidade que estou tendo de aprender, de me recuperar, de reconstruir o meu organismo, de iniciar uma nova vida. E peço perdão pelo que fiz comigo, de tudo que fiz meus pais sofrerem, de tudo que eu perdi, das oportunidades que joguei fora, do tempo desperdiçado...

Hoje tenho consciência do que eu passei, do que fiz aqueles que me amavam passar e tenho dentro de mim a certeza de que tudo poderia ter sido diferente se eu tivesse conhecido Deus na minha infância, se eu tivesse a confiança num futuro promissor, se eu soubesse da eternidade da vida.

Mas mesmo com toda a minha rebeldia, com toda a minha insanidade daquela época, Deus se compadeceu de mim e me enviou amigos que não quiseram saber quem eu era, o que eu tinha feito, nem me julgaram pelos meus atos. Deus foi misericordioso e me fez enxergar o que eu estive cego por tanto tempo, me fez ver o que realmente tinha importância e o que eu ainda poderia fazer no futuro.

Fui recolhido no Lar do Pouso para o Repouso, onde fui tratado, acolhido e, onde pude restabelecer parte das minhas energias e do meu perispírito que ainda está em processo de recuperação.

Hoje já me encontro bem melhor, em tratamento ainda, mas consciente da minha pequenez e da minha vontade de crescer, de me tornar alguém melhor.

Obrigado por me darem a chance de contar a minha história e que ela possa servir de exemplo para outras pessoas que talvez estejam passando pelo que eu passei.

Obrigado Senhor, pela dádiva da vida, pela oportunidade que me destes de conhecer estes amigos queridos que me acolheram e que se preocupam comigo e com meus companheiros.

Boa noite a todos. Fiquem em paz.


Elias

 
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