Saí pela madrugada
dirigindo feito louco. Sempre tive paixão por carros, pela velocidade, sentir o
vento batendo em meu rosto, desafiar meus próprios limites, não ter limites...
isto sempre me atraiu.
Mas naquela noite, eu
exagerei. Tomei de tudo um pouco, misturei o que podia e o que não podia. E
depois, feito alucinado, peguei o carro e saí. E “levei elas” comigo. Minha
namorada e minha irmã. As duas pessoas que eu mais amava naquela época.
As duas também eram
companheiras das festas e “noitadas” que eu passava entre amigos de bagunça, de
diversão. Mas eu era o mais louco de todos. Eu não gostava e ainda não gosto de
ter limites, de ter barreiras que eu não possa transpor, coisas que não me
deixem fazer.
Mas eu, na minha
inconseqüência, não pensava em nada, não me importava com nada e envolvi a
minha irmã nestas brincadeiras, nestas “baladas”. E foi nestas festas que eu
conheci a minha namorada. Gostava muito de estar ao lado delas, gostava de me
divertir.
Mas fui muito
inconseqüente quando peguei o carro naquela noite sem ter a menor condição de
dirigir, de conduzir um veiculo. Eu mal estava conseguindo me manter em pé, tal
o grau de embriaguez e drogado que eu estava. Mas fazia calor e eu queria sair,
sentir o vento em meu rosto, como eu sempre gostei, como eu gostava de me
sentir, livre, sem limites.... A estrada sumindo à minha frente, a velocidade e
um segundo de descuido, o carro saiu da estrada e foi arremessado num barranco,
despencando no abismo. Morremos na hora, eu e as duas pessoas que eu tanto
amava.
Quando despertamos,
sentíamos muitas dores, sentíamos a cabeça girando, ainda sob o efeito dos
entorpecentes, ainda sem entender o que estava acontecendo conosco. Vagamos por
muito tempo, fomos vítimas de entidades que queriam se divertir conosco, que
nos fizeram de joguetes em suas mãos, e continuamos sentindo desesperadamente a
necessidade da droga, a necessidade de continuar nos anestesiando com toda a
sorte de entorpecentes que nos davam o alívio momentâneo para as nossas dores e
para que esquecêssemos da nossa desgraça.
Mas nunca nos separamos.
Eu continuei cuidando das duas como eu pude, pois no íntimo, me sentia culpado
por tê-las envolvido no acidente, pela minha inconseqüência.
Depois de muito tempo
vagando, cansados que estávamos, sem saber mais o que fazer, lembrei-me de uma
oração que mamãe nos ensinara quando crianças; lembrei-me de mamãe, que muito
sofreu ao perder os seus dois únicos filhos e pedi ajuda a Deus, pedi que Ele
tivesse pena de nós, que Ele nos enviasse um anjo que pudesse nos ajudar e nos
aliviar a dor. E este anjo, como milagre apareceu. Seu nome é Tavinho, que veio
junto com outros amigos bondosos e nos acolheram com todo o seu amor, com toda
a amizade e nos socorreram, nos levaram
para tratamento, nos deram abrigo e repouso, alívio e forças. Estamos em
tratamento ainda, em processo de recuperação.
Espero, em outra
reencarnação, ser mais forte e não me envolver com pessoas que me ofereçam o
que motivou a minha desgraça. Mas se eu me envolver, se eu encontrar pessoas
assim em meu caminho, que eu possa ter forças suficientes e fé no Pai Criador
para saber dizer “Não”, para não desperdiçar mais uma chance, mais uma
oportunidade de vida como eu fiz na minha última existência.
Que Deus me perdoe pelos
meus erros, pela minha fraqueza e pela minha inconseqüência, pois eu muito me
arrependo por tudo o que fiz e pelo que fiz os que me amavam passarem.
Boa noite e fiquem em
paz!
Postar um comentário