Depoimento - Daniel
sábado, 8 de março de 2008
Ainda
hoje sinto dores horríveis na cabeça. Quando encarnado, muito maltratei o meu
corpo, muito debilitei o meu organismo.
Não
vou contar detalhes do que aconteceu comigo. Tenho assistido as reuniões de
vocês e sei que vocês já receberam diversas mensagens de histórias e relatos
como o meu e não quero ser repetitivo.
Todos
nós que nos envolvemos com este mundo pavoroso e sem saída, temos histórias
parecidas, ou melhor, o fim das histórias é que é sempre o mesmo.
O
sofrimento que passamos e que fizemos os que nos amam sentir é o que mais me dá
tristeza. Sei que fiz minha família
sofrer muito, sei que eles me amavam e não queriam que eu tivesse um fim tão
triste, mas nada puderam fazer para me impedir de enveredar por estes caminhos
sem volta.
Quero
dizer a vocês que continuem com este trabalho tão importante de auxílio, doação
de fluidos e ajuda no resgate de jovens que, como eu, um dia estiveram no fundo
do poço e que precisam muito de ajuda, precisam muito de amor e compreensão.
Ninguém
quer sofrer pela eternidade, ninguém quer sentir dor indefinidamente. Mas sair
deste ciclo de misérias é muito difícil.
Muitos
jovens, ou melhor, a maioria desencarna sem ter consciência do que aconteceu
com eles, sem ter esperança de recuperação e continuam sentindo necessidade da
droga, pois seu perispírito está tão impregnado e tão debilitado que é difícil
perceberam o seu novo estado, a sua nova condição e muitos se perdem e caem nas
mãos de entidades que querem que eles continuem viciados.
O
nosso trabalho é resgatar estes jovens, esclarece-los e faze-los compreender a
eternidade da alma e leva-los para tratamento.
Nesta
primeira fase o sofrimento é muito grande, eu mesmo ainda me encontro em
tratamento, ainda tenho dores, mas elas já são bem menores do que quando fui
acolhido pelos amigos espirituais que se importaram comigo e hoje ajudo como
posso nesta tarefa de resgate de tantos companheiros de infortúnios.
Deus
é nosso Pai misericordioso e só quer o bem de seus filhos, mas nós, na nossa
imperfeição, temos o nosso livre arbítrio e nem sempre seguimos pelo caminho
correto, pela estrada mais curta rumo ao Pai e nos emaranhamos em teias
pegajosas e perigosas, difíceis de nos desvencilharmos quando tomamos
consciência do perigo em que nos envolvemos e das coisas erradas que fizemos.
Agradeço
a Deus pela oportunidade de estar vivo. Sim, digo vivo, pois mesmo desencarnado
continuo me sentindo mais vivo do que nunca, continuo lúcido e consciente de
tudo o que fiz e planejo muitas coisas para o meu futuro.
E
o que eu tenho certeza é de que quero usar cada minuto que eu tiver na luta contra
esta realidade monstruosa que são as drogas.
Graças
a Deus pela dádiva da vida.
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