Quanto
fiz meus pais sofrerem. Quanta teimosia havia dentro de mim e ainda há.
Ainda
teimo em acreditar que a vida não é justa, que Deus não é justo, que as pessoas
não têm chances iguais, apesar de tudo que eu tenho aprendido, de tudo que têm
me ensinado lá no “Pouso para o Repouso”.
Eles
me ensinaram que Deus é nosso Pai Criador, que Ele ama todos os seus filhos
igualmente, que Ele não castiga ninguém. Mas para mim é difícil de acreditar
nisso.
É
difícil entender por que algumas pessoas têm tudo na vida, enquanto outras
nascem na miséria, sofrem maus tratos em casa, daqueles que deveriam protegê-las,
sofrem humilhações, passam necessidades de todo o tipo. É difícil acreditar num
Deus justo quando não se tem nada na mesa e a barriga vazia. É difícil
acreditar na igualdade do amor desse Pai quando se passa frio, quando se sofre
maus tratos, quando se vive na mais profunda miséria de corpo e de alma.
Ainda
hoje tenho meus conflitos em relação a isso, em relação a essa justiça e amor
de Deus que vocês tanto falam. Começo a compreender algumas coisas, começo a
entender que muito do que passamos é responsabilidade nossa, mas ainda tenho
muitas dúvidas e descrenças.
Como
é possível acreditar na justiça, quando se nasce num lar sem nenhuma condição
de amor e sem nenhuma condição material para viver uma vida digna?
Foi
por isso que acabei me envolvendo com as drogas, Mas aí é que eu me afundei de
vez. Fiz minha mãe sofrer muito, hoje sei que ela me amava, do jeito que ela
podia, apesar dos seus momentos de raiva, de descontrole, em que ela descontava
em mim e nos meus irmãos toda a sua frustração com a vida e com o meu pai.
E
foi por isso que eu fugi de casa e fui viver nas ruas, para conseguir mais
drogas, para fugir dessa realidade dura.
Acabei
com a minha vida nas ruas. Mesmo depois de morrer continuei tendo necessidade
das drogas, continuei perseguindo aqueles que eram meus companheiros de droga
quando em vida.
Recebi
auxilio e ajuda dos amigos do “Lar do Pouso para o Repouso”, que têm cuidado de
mim, me dado apoio, amor, carinho e têm me ensinado muitas coisas.
Mas
ainda é difícil para mim, compreender algumas coisas.
Eles
me dizem que tenho que ter paciência, que preciso abrir meus olhos para as
verdades do Pai, para abrir meu coração para o amor.
Quando
faço isso me sinto bem, me sinto mais leve e sinto aquela raiva, aquela mágoa,
que sempre senti, diminuir, me sinto mais tranqüila.
Quero
continuar vivendo com eles, quero continuar sendo ajudada.
Obrigada
meu Deus, obrigada amigos queridos pela ajuda que tenho recebido.
E
perdão pela minha teimosia em acreditar no amor, em acreditar na vida.
Graças
a Deus.
Ana
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