Depoimento - Amilton

sábado, 24 de janeiro de 2009


Tenho me sentido tão mal. Sinto que de uns tempos pra cá meu organismo chegou no limite. As drogas acabaram comigo em vida. E continuam acabando comigo depois de morto.
É estranho, é esquisito, tudo isso que tem acontecido comigo depois que eu morri. Eu vi meu corpo lá, estendido no chão, morto. Acompanhei tudo, os bombeiros do resgate tentando me reanimar, as pessoas gritando, chorando após o acidente, meu corpo estendido, inerte, a dor imensa, lancinante no meu peito e eu vendo tudo... Como era possível? Como eu podia estar lá, morto e ao mesmo tempo aqui, sentindo-me vivo, apesar da dor, apesar do desespero, mas vivo? Como eu podia ser dois? Como eu podia estar em dois lugares ao mesmo tempo? Aprendi na faculdade que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço nem tampouco o mesmo corpo pode estar em dois lugares. Mas como podia ser eu e não ser eu?



Cai a tarde


Chega a noite


E a escuridão oculta os sofrimentos


A escuridão esconde rostos


Esconde historias de horror e de tormentos


Vidas sem vida


Vidas sem sentido


Vidas destruídas


Famílias arrasadas


Historias inacabadas


Juventude interrompida


Juventude transviada


Desviada do caminho do bem


Do caminho da luz


E destruída pelo caminho das drogas


Consumida por este mundo perverso


Por este mundo ao avesso


Que a luz do Senhor ilumine


As trevas que envolvem nosso planeta


E que fomentam essa chaga que destrói,


Que mata, que acaba com vidas, com sonhos,


Com nosso futuro, com nossas crianças e jovens.

Quisera

sábado, 3 de janeiro de 2009



Quisera ter o poder de acalmar os corações,
De abrandar os sofrimentos,
De aplacar as guerras,
De extinguir o ódio da face da Terra.
Quisera ter o poder de transformar os pensamentos,
De unir as pessoas,
De extinguir as diferenças,
De acabar com a maldade,
Com os rótulos e máscaras
De hipocrisia, de egoísmo.
Quisera que a paz reinasse entre os homens,
Que não houvesse outra crença
Que não fosse no Pai Criador.
Que não houvesse lutas de classes, de raças, de religiões
Quisera que os homens se amassem como irmãos,
Colocando em prática os ensinamentos de amor
E o exemplo de humildade do Cristo.

Graças a Deus.

Irmão da Cruz 

Depoimento - Cibelle



Quero me encontrar, quero encontrar respostas para tanta coisa que me angustia, que me tira o sono, se é que posso dizer que sinto sono, pois sei que não tenho mais um corpo de carne, que meu espírito não precisa dormir. Mas acho que preciso é de repouso, de paz de espírito, de respostas para minhas indagações, para tantas dúvidas que me atormentam.
Uns amigos que fiz no além me convidaram para vir aqui esta noite, alguns companheiros de drogas, que ficaram muito tempo comigo, vagando, buscando grupos de jovens que utilizavam drogas, mas que depois se cansaram desta vida e seguiram com uma espécie de anjos, de mensageiros de luz, que os levaram para viver num lugar que eles chamam de “Pouso para o Repouso”, mas que eu não quis conhecer, pois não queria perder a minha liberdade. Eles voltaram algumas vezes e repetiram o convite para segui-los, disseram que lá tinham feito novos amigos, que estavam se tratando, estudando, mas eu, teimoso, não quis ouvi-los, não quis ir com eles.

Depoimento - Celina



Minha vida nunca foi fácil. Nasci e cresci num bairro pobre, na periferia de São Paulo. Casa humilde, mas honesta, com pais trabalhadores, mas que nem sempre tinham comida para por à mesa, nem dinheiro para saciar a fome e as mais básicas necessidades. Meus irmãos foram mais fortes do que eu. Apesar de todos os problemas e dificuldades que passamos, eles conseguiram dar a volta por cima e serem alguém na vida, honestamente, com trabalho, com estudo, com noites sem dormir, estudando para chegar aonde chegaram, para passar no vestibular e cursar uma faculdade. Mas eu fui fraca... Por quê? Não sei. Sempre fui muito orgulhosa e revoltada com a nossa condição de penúria.
Havia dias em que eu via minha mãe chorando, dizendo que não sabia mais o que fazer, que não tinha mais dinheiro e que não havia nada para comer. Às vezes os vizinhos nos ajudavam. Ou os patrões do meu pai, lhe davam roupas e alimentos para trazer para casa. Essa ajuda era recebida com alegria e gratidão por minha mãe e irmãos, mas não por mim. Sentia-me humilhada com aquelas migalhas da solidariedade e queria mais, queria coisas melhores, queria, mas não fazia nenhum esforço para mudar aquela situação.
Ao contrário dos meus irmãos, que sempre agarraram com todas as forças as oportunidades que tinham, eu sequer queria freqüentar as aulas. Às vezes cabulava, ficava pelas ruas, onde conheci pessoas que eu julgava serem meus amigos, mas que foram o inicio da minha desgraça.

 
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