Queridos
irmãos, boa noite.
Já
há algumas noites que eu venho acompanhando as reuniões de vocês. Fui aqui
trazido por companheiros que têm se dedicado à nossa recuperação, à minha e à
de meus companheiros de tragédia. Nós, que tão cedo deixamos a vida na Terra.
Nós que tão cedo tivemos ceifada a nossa existência pela desgraça em que nos
envolvemos, pela teia de horrores em que ficamos presos.
Quero
dizer que muito tenho aprendido com os estudos de vocês, que muito têm me ajudado
a entender melhor o que aconteceu comigo e com os meus companheiros de drogas.
Nós, que nos envolvemos com esta mazela que tem levado tantas vidas, que tem
destruído a alegria de tantos lares, que vem acabando com a alegria de tantos
jovens, que assim como eu, foram fracos para resistir aos apelos que todos os
dias batem à porta de tantos jovens, que quando percebem já estão num caminho,
não digo sem volta, mas muito difícil de sair. E este caminho é longo, é
doloroso. No começo parece que tudo é só alegria, euforia, uma sensação de
grandeza, de poder, pois quando se está sob o efeito da droga, achamos que
podemos tudo, achamos que somos os melhores, que todos gostam de nós, que somos
pessoas extrovertidas, desinibidas, cheias de amigos. Mas depois de um tempo
você passa a precisar de mais e mais e mais, numa loucura que não tem fim, numa
compulsão que enlouquece, que deixa você agoniado por mais e cada vez precisa
de mais para sentir o que sentia antes, no início. E quando você acorda se
sente um lixo perante si mesmo, perante sua família, perante seus amigos de
verdade, que realmente querem o seu bem. Pois aqueles outros, que só consumiam
drogas com você e só te ofereciam drogas, que se diziam seu amigos, esses não
são amigos não, são companheiros de desgraça
ou que causaram a sua desgraça.
Não
sei explicar direito como comecei, como entrei nessa, mas foram nas festas, nas
ditas “baladas”, em que você, para se sentir alguém, para se enturmar, acaba
experimentando, sempre achando que poderá parar, que tem controle sobre si e
que só fará aquilo que quiser.
Mas quanto engano, meu
Deus, quanto equívoco quando pensei que tivesse controle sobre mim, mas era a
droga que me controlava. Perdi tudo que tinha:
meus amigos, minha família, minha saúde e por fim a minha vida.
Destruí
o meu corpo e hoje sei que destruí também parte do meu perispírito, que ainda
apresenta as marcas do que as drogas fizeram comigo, com a minha sanidade
física e mental.
Estou,
como tantos outros amigos, em processo de recuperação, de desintoxicação do meu
corpo espiritual. E em processo de aprendizado, pois sei que o que plantamos,
teremos que colher. E eu agora tenho consciência de que estou colhendo os
frutos amargos do que fiz comigo mesmo e que ainda terei muito o que resgatar.
E poder pedir perdão ao Pai que nos deu a vida, da qual eu não soube cuidar e
que desperdicei com coisas que só me fizeram mal e que fizeram aqueles que me
amavam sofrer.
Quero,
no futuro, quando estiver melhor, poder trabalhar, assim como o irmão Tavinho,
que já se comunicou aqui com vocês e que agora está nos ajudando a nos
recuperar e a ver que acima de tudo existe Deus e que a vida é um bem precioso
que temos que cuidar.
Fiquem
com Deus e sempre que puderem orem por nós, pois precisamos muito das vibrações
amigas e da força espiritual que vocês têm nos encaminhado.
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