Depoimento - Felipe
sábado, 11 de agosto de 2007
Hoje,
o sentimento que trago vivo no peito é uma profunda tristeza e a saudade... ah,
a saudade que dói apertada por ter deixado para trás tantos sonhos, tanta vida
e aqueles que amo e que cedo deixei desamparados. Na realidade, desamparei a
minha família ainda quando estava encarnado. Aquela que eu tive por companheira
durante a minha curta jornada na Terra ficou sozinha com os meus dois filhos.
Ah,
que saudade, Gláucia, Matheus e Marcelo... Como eu gostaria de poder voltar
atrás, como eu queria poder não ter feito as coisas que fiz, como eu queria não
ter feito vocês sofrerem. Sei que por muito tempo eu não pensei em vocês, eu
abandonei moralmente e até financeiramente todos vocês. Tudo o que eu ganhava
ia para compra de entorpecentes que eu achava que aliviavam o vazio que eu
trazia dentro de mim, dentro do meu coração.
Não
soube entender nem valorizar a minha esposa, os meus filhos, o meu trabalho e
acima de tudo a vida que Deus me deu.
Destruí
a minha saúde, destruí todo e qualquer vínculo afetivo com os meus filhos, que
eu não vi nascer, que eu não vi crescer e que me viam como um estranho, que às
vezes voltava embriagado e drogado para casa, mas que às vezes desaparecia por
um tempo para depois retornar.
Deus,
quando a humanidade se livrará desta desgraça, desta chaga que fere tantas
almas que destrói tantas vidas, tantas famílias, tantos sonhos?... Que mata e
fere mais do que armas de fogo, do que as guerras. Viver no mundo das drogas é
viver numa guerra interior, numa batalha consigo mesmo, numa constante luta
entre largar tudo e recuperar a sua identidade, pois o drogado deixa de saber
até mesmo quem ele é, e o que ele está fazendo aqui, pois deixa de ter um
propósito de vida, deixa de traçar planos para o futuro.
Quando
Senhor? Quando estaremos livres deste mal terrível que assola os dias da
humanidade?
Ergo
meu pensamento a Deus e convido vocês a fazerem o mesmo, a nos unirmos em uma
oração de súplica para que a paz reine sobre a Terra, para que a paz reine
soberana nos corações e sobre os homens.
Peço
a Deus que ilumine também os governantes do mundo todo, os homens que têm o
poder de tirar as crianças da rua e de impedir que aqueles que ainda têm um lar
caiam nesta vida tão triste. É preciso conscientização, é preciso união e
priorização da educação como forma de afastar as crianças e os jovens desta
estrada tão triste que eu mesmo trilhei.
Ainda
estou em um Centro de Recuperação pois meu perispírito ainda trás muitas marcas
do que as drogas fizeram com o meu organismo, com o meu corpo físico, mas já
estou bem melhor. E acima de tudo estou muito lúcido e consciente de meus atos.
Atos dos quais me arrependo profundamente e que se eu pudesse gostaria de
voltar no tempo e jamais ter seguido este caminho.
Quanta
vida eu ainda tinha pela frente quando deixei a Terra, minha família.... e
principalmente meus filhos.
Acho
que pela proximidade do “Dia dos Pais” estou emotivo e não consigo deixar de
derramar lagrimas de tristeza, de arrependimento e de perdão por tudo que fiz
meus filhos sofrerem.
Espero
que eles consigam entender que o pai deles estava doente, iludido por promessas
de uma vida fácil, de um mundo onde não havia tristeza, onde não havia
problemas... que ilusão.
Graças
a Deus a Gláucia soube ampará-los e eles hoje estão crescendo fortes,
saudáveis, estudiosos e longe das drogas.
Orem
por mim, orem por eles.
Sei
que ainda teremos muito tempo antes de podermos nos reencontrar, mas saber que
a vida continua, que esta saudade que sinto não será eterna, é um grande alívio
para o meu coração oprimido e ao mesmo tempo agradecido a Deus por eu saber que
meus filhos não estão seguindo o mesmo caminho que segui.
Obrigado
pela oportunidade de eu poder abrir o meu coração.
Obrigado
pelas orações que vocês têm endereçado a mim a aos meus companheiros.
Obrigado
a Deus pela dádiva da imortalidade da alma.
Artigos Relacionados:
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Postar um comentário