Cresci
em uma favela na periferia de São Paulo, em meio a muitos vícios, crimes,
pobreza, mas também muita gente honesta e batalhadora. Cedo, eu e meus seis
irmãos deixamos de freqüentar a escola para ajudar em casa. Mal o dia raiava e
íamos todos nós, junto com minha mãe para um dos milhões de semáforos que
existem nesta imensa cidade.
Pai,
eu nunca conheci. Eu era o mais velho de todos e cedo também comecei a me
envolver com pessoas de caráter duvidoso e que me mostraram o caminho das
drogas e dos vícios, me ensinaram a consumir e me mostraram que o dinheiro
vinha mais fácil se eu começasse a distribuir entre os jovens e até mesmo
crianças da comunidade, do que simplesmente vendendo balas no farol. Que o que
eu poderia ganhar em um dia com a venda e a distribuição de drogas, muitas
vezes era o que ganharia em um mês vendendo balas no semáforo.
Deixei-me
envolver por este mundo terrível, medonho, que destrói tantas vidas, tantos
sonhos, tantos planos, tantos futuros. Futuro... esta é uma palavra que não
existe neste mundo que faz tantas vítimas.
Às
vezes eu também consumia, mas não cheguei e me tornar um viciado fora de
controle, pois o que eu fazia mesmo era vender e ajudei a viciar e a envolver
muitas, muitas pessoas.
Quantas
vidas eu comprometi, quantas pessoas eu ajudei a viciar e a colocar neste
caminho.
Até
mesmo nas escolas eu tinha os “esquemas” para infiltrar a droga e fazer com que
mais e mais pessoas precisassem consumir e dependessem da nossa rede de
distribuição.
O
dinheiro fácil, a fragilidade da vida humana, a facilidade com que eu conseguia
mais e mais clientes....
A
culpa me persegue e me atormenta o espírito. Hoje já me encontro mais
consciente e profundamente arrependido por ter seguido este caminho e por ter desencaminhado
tantas pessoas, tantos jovens inocentes, cheios de vida e que tinham todo um
futuro pela frente, mas que graças às drogas tiveram suas vidas ceifadas antes
do tempo.
Quando
desencarnei, vítima de tiros de vingança
de traficantes com os quais eu tinha dívidas, fui muito perseguido pelas
almas daqueles que eu fiz sofrer, que eu contribui para envolver com o mundo
das drogas, que eu iniciei no mundo dos vícios e da loucura. Por muito tempo
tive que me manter escondido, com medo da vingança destes espíritos cujas vidas
eu havia destruído.
Mas
Deus é tão misericordioso e tão bom que teve pena de mim, teve compaixão pela
minha alma, também enferma e que precisava se purificar e pedir perdão a todos
que prejudiquei.
Hoje
trabalho juntamente com os amigos espirituais que têm auxiliado tantos jovens
na sua recuperação, no tratamento de seus corpos espirituais e na
conscientização de que eles estão nesta situação por seus próprios atos.
Vocês
não têm idéia da quantidade de jovens que desencarnam todos os dias em situação
de extremo sofrimento e de comprometimento quase total de suas faculdades
mentais. Muitos têm sido trazidos aqui: os que já estão em condições melhores,
para ouvir os ensinamentos e outros tantos, ainda inconscientes, para
tratamento pelos amigos espirituais com a ajuda das vibrações e fluidos de amor
e energia de vocês.
Continuem
orando por estas crianças. Sim, eu digo crianças pois, apesar da idade
cronológica que tinham ao fim de sua última encarnação ser de adolescentes ou
de adultos, no espírito são todos crianças, carentes de afeto, de amor, de
esperança que o futuro será melhor e que precisam aprender a valorizar a vida
que nos foi dada pelo nosso Criador.
Sei
da responsabilidade que pesa sobre as minhas costas, por tantas vidas que eu
ajudei a destruir, tantos jovens que eu ajudei a desencaminhar.
E
é por isso que, mesmo com todas as minhas imperfeições, tenho me esforçado em
corresponder à confiança em mim depositada pela Espiritualidade Maior ao
permitir que eu trabalhasse em favor daqueles que eu prejudiquei.
Peço
forças a Deus para que eu não fracasse nesta tarefa e conto com a ajuda e com
as preces de vocês para ajudar nossos irmãozinhos. É, hoje sei que somos todos
irmãos perante Deus e perante a eternidade.
Boa noite a todos e fiquem em paz.
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