Cultivem a alegria

sábado, 30 de janeiro de 2010

Cultivem a alegria dentro de si
Quando sentirem desânimo, melancolia
Quando sentirem a fé vacilante
Quando tudo parecer dar errado
Ergam os olhos ao alto
E sintonizem a luz do Pai Criador
Mantenham a mente vigilante e alerta
Afastem os maus pensamentos
Tragam música na alma
Tragam o coração em festa
Enfeitem de flores as janelas
Sintam a luz do sol
Sintam o vento, sintam o ar entrar nos pulmões
E agradeçam pela vida
E vocês verão que todos os problemas se dissiparão
E parecerão distantes e menores do que antes
Deus não nos desampara jamais
Tenham confiança e tudo dará certo
Tenham esperança de que as águas turbulentas se acalmarão
Que a tempestade que por vezes nos invade o íntimo se dissipará
E a luz há de brilhar
Forte e constante em nossas vidas
Acreditem no amor
Acreditem na paz
Acreditem na força da fé e na misericórida divina

Graças a Deus

Alceu

Depoimento - Marcelinho

Sabe quando você acha que já chegou ao fundo do poço, que já conheceu o que há de mais sujo e mais baixo, quando se acredita que está na lama, no fundo do abismo, que não há mais nada que possa te colocar mais baixo? Pois a droga ultrapassa todos esses limites e te põe num nível ainda mais baixo, num degrau abaixo do pior que você pode imaginar. A droga destrói tudo, traga tudo com uma voracidade inacreditável, com uma velocidade infinita, que você não consegue explicar como entrou nessa e muito menos tem a menor ideia de como fazer para sair.
A droga destruiu a minha vida. Fez com que eu moralmente deixasse de pertencer à classe humana e passasse a viver pior do que o pior dos animais mais selvagens, mais irracionais.
Eu não tinha mais sentimentos, não tinha amor próprio, não tinha vontade de fazer nada, de estudar, de trabalhar, de me relacionar normalmente com as pessoas, de viver em sociedade.
Nem sei por quanto tempo vivi assim. Na época, eu não tinha consciência de mais nada, não tinha mais capacidade de pensar com lucidez, com clareza.
Vivia em estado de constante alucinação, de loucura, com o organismo entorpecido, com a mente adulterada, com meus sentimentos anestesiados.
Nada mais me importava. Não sentia mais nada por ninguém, não tinha amor próprio, não tinha mais vontade de viver.
A vida me parecia vazia. Não acreditava em Deus, não acreditava no amor. Não me entendia com a minha família. E a droga foi a minha fuga, a forma que encontrei de não ter que enfrentar a vida, de enfrentar a realidade.
Mas não adiantou nada. O vazio não se preenchia. A solidão não passava. Não tinha esperança, não tinha perspectivas de vida, não tinha mais vontade de viver.
E acabei morrendo, afundado no uso das drogas, cada vez mais fortes, cada vez mais constantes. Sei que fui um suicida, que acabei com a vida que recebi do Criador e que eu não tinha esse direito, que eu não podia ter acabado com tudo.
Acabar com tudo... Grande ilusão. Eu achava que se eu morresse, todo sofrimento acabaria e eu não teria que enfrentar as dificuldades e as desilusões.
Mas descobri, a amargas penas, que não era assim.
Sofrimento verdadeiro eu conheci depois que morri.
Mas isso foi há muito tempo.
Graças a Deus, o sofrimento não é eterno e sempre há uma nova chance, mesmo para os que erraram como eu errei.
Deus me perdoou e eu tenho profundo arrependimento pelas coisas que eu fiz, pelas coisas que eu deixei de viver, pelas oportunidades desperdiçadas.
Mas também sei que naquele momento era o que eu tinha condições de fazer. Eu não sabia nada da vida após a morte, da imortalidade da alma, fui um fraco, um irresponsável, covarde, que precisou do sofrimento para crescer, para aprender.
Amem a vida! Ocupem suas mentes com boas leituras, com boas conversas, com bons amigos, com a prática do bem, da caridade com os menos favorecidos.
Aproveitem a oportunidade que receberam do Pai Criador.
Agradeçam por estarem vivos.
Agradeçam por serem perfeitos.
E acima de tudo agradeçam pela oportunidade de terem conhecido a Doutrina Consoladora ainda em vida, enquanto ainda há tempo de mudar, enquanto ainda tem a chance de fazer algo para melhorar o mundo.
Boa noite a todos.
Fiquem em paz.

Marcelinho (30/01/10)

Depoimento - Anderson

sábado, 16 de janeiro de 2010

Eu tinha toda uma vida pela frente mas por um momento de descuido joguei tudo fora. Acabei com os meus sonhos de vida, acabei com os sonhos e com a alegria e a vida dos meus pais.
Como fui imbecil, idiota em acreditar nos meus colegas, em acreditar que só um pouquinho não me viciaria! Eu tinha tudo e joguei tudo isso fora por tão pouco, por uma ilusão passageira, por um momento de prazer, de delírio e que paguei caro com a minha própria vida.
Jovens, cuidado! Afastem-se do mal caminho, estudem, escutem o que seus pais, amigos de verdade, professores falam. É verdade sim que a droga vicia, que é um caminho sem volta, um caminho que destrói, que mata, um abismo sem fundo.
Até hoje ainda sofro as consequências da minha burrice, desse passo em falso que eu dei na minha vida e que foi o fim dela.
Fim é maneira de dizer, pois o fim da vida na Terra foi o começo de um sofrimento ainda maior, pois eu não tinha mais um corpo mas ainda sentia tudo. Não estava mais vivo, mas tinha plena consciência de tudo o que tinha acontecido e de tudo que eu tinha feito. Falava e ninguém me ouvia. Gritava por socorro e não tinha resposta. Sentia falta da droga e não tinha mais como comprá-la.
Mas este fim também foi um recomeço. Descobri que a vida não termina com a morte e que mesmo com os filhos que mais erram, Deus é só amor, misericórdia e perdão.
Mesmo tendo errado tanto, recebi a misericórdia e a compaixão divina de ser recolhido e acolhido numa estação de tratamento e repouso, onde compreendi o que tinha acontecido, desintoxiquei meu períspirito, estou estudando, aprendendo a me equilibrar e ajudando como posso os novos amigos que chegam todo dia, tao necessitados ou mais do que eu fui um dia.

Um abraço, Anderson (16/01/10)

Cidadão do Mundo

sábado, 19 de dezembro de 2009

De dia ando
De noite tardo
De tarde adormeço
Mas não me largo
Não me deixo entregar
Pelo mundo eu vou
Caminhando sem rumo
Caminhando sem parar
Levo a vida, leve e solto
Como uma folha ao vento
Voando ao sabor da brisa
Com a leveza por dentro
Não me digam o que fazer
Não me digam aonde ir
Sou dono do meu destino
Sou livre como um menino
O céu é o meu limite
Para mim não há fronteiras
Para o espírito não há barreiras
Sou cidadão do mundo
Sou livre, o Universo é minha Pátria
Deus é o meu leme
E Jesus, a minha estrela guia
Trago a bandeira da liberdade como meu estandarte
A liberdade de pensar
A liberdade de amar
A liberdade de seguir
Caminhando com os próprios pés
Aonde o vento me levar
Aonde a vida assim quiser
Mas sempre com a certeza de que não estou sozinho
Com a certeza de que Deus olha por mim
De que se estiver no caminho certo
Ele sempre estará por perto
Meu coração apesar de tudo
Às vezes é inquieto
Às vezes questiona o que está por vir
Sinto dentro de mim
A ânsia de saber
A ânsia de conhecer mais
De conhecer novos caminhos
De desbravar novos horizontes
Às vezes trôpego,
Outras vezes firme
Mas eu sempre me levanto
Não me deixo cair,
Não me deixo no chão ficar
Vou adiante, seguindo pra qualquer lugar
Sou livre, sou errante
Sigo a vida sem cessar
Dia após dia
Hora após hora
Minuto a minuto
Para junto de ti, Pai, chegar.

Um cidadão do mundo

Um novo olhar

Belo é o céu no fim da tarde
Belo é o mar que nossa alma invade
Belo é o sol que nos aquece
Bela é a chuva que do céu desce
Bela é a obra de Deus Pai Criador
Belo é o exemplo de Jesus, de humildade e amor
Belo é o sentimento de amizade fraterna
Belas são as flores que desabrocham na primavera
Belo é o coração que emana luz
Belo é o exemplo de nosso Mestre Jesus
"Amai-vos uns aos outros como eu vos amei.
Transformai a Terra no Paraíso que eu sempre sonhei".
União, fraternidade, humildade e fé.
Esperança num mundo melhor.


João de Deus

Depoimento - Patrick

sábado, 6 de junho de 2009



 É com tristeza que vejo o quanto o mundo está mudado, o quanto os valores estão deturpados, perdidos no tempo.


Hoje vemos uma liberdade muito grande entre os jovens e até mesmo entre as crianças pequenas, aos quais não são impostos limites, que crescem achando que podem tudo, que terão tudo o que quiserem, que podem fazer tudo o que quiserem.
Mas esta aparente liberdade concedida pelos pais, pela sociedade, esta conquista de espaço que vemos hoje, na realidade é o início, muitas vezes, de uma prisão, de uma perda de controle sobre a própria vida, pois a criança que cresce sem limites, sem saber discernir o certo do errado, cresce fraca, insegura. Parece ser muito segura de si, é um verdadeiro reizinho dentro do lar, os pais acham as atitudes independentes do filho, as ousadias de atitudes, a liberdade de expressão, como uma demonstração de inteligência, de maturidade e acabam muitas vezes incentivando esse tipo de comportamento.
E quando menos percebem, a criança chega à adolescência, acha-se auto-suficiente, dona da verdade e torna-se um jovem inconseqüente, que para se auto-afirmar precisa da aprovação da turma, e daí para o envolvimento com drogas e com coisas erradas é um passo.
E digo, com experiência e vivencia de causa, é um passo para um abismo profundo, um passo em falso para um caminho sem volta.

Depoimento - Jussara



Que dor de cabeça! Não há nada que faça essa dor de cabeça passar. Minha cabeça parece que vai explodir em algumas horas. É um desespero sem fim, um tormento diário que carrego há anos comigo.


Mas eu sei que eu fui culpada por isso. Eu sei que a causa dessa dor infinita foram as drogas, foi o abuso que eu fiz delas.


Minha cabeça dói tanto, tanto...


Mas já faz tanto tempo que o meu corpo está morto e enterrado a muitos metros debaixo da terra, que o meu corpo se foi, mas o estranho é que tudo que eu fiz com ele quando eu estava vivo ainda reflete em mim de alguma maneira.


Eu não tenho mais corpo mas sinto muita dor, sinto como se eu estivesse viva, com a diferença que as pessoas não me vêem e não me ouvem mais e o acesso às drogas não é mais possível, pelo menos diretamente.

Depoimento - Pamela

sábado, 23 de maio de 2009



Está tão frio hoje à noite...

E noites frias como essa, me fazem lembrar dos tempos difíceis que passei nas ruas.

Éramos vários meninos e meninas jogados à própria sorte, dormindo em calçadas frias, embaixo de viadutos, usando pedaços de papelão, cobertores velhos e trapos imundos para nos esquentarmos, para tentar amenizar o frio. E é claro, a melhor forma de afugentar o frio eram as drogas. Não havia nada melhor do que as drogas para o frio passar, pois ficávamos anestesiados pelos seus efeitos e aí, a fome e o frio, a dor, tudo sumia.

E a gente conseguia dormir pele menos um pouco. Mas quando eu acordava a sensação era terrível e eu já acordava querendo mais, pois quando o efeito passava, tudo voltava e o sofrimento era ainda maior.

Aquilo não era vida.

Quem vive nas ruas enfrenta todo tipo de violência, presencia coisas erradas, às vezes até crimes, passa fome, frio, não tem para onde ir, não tem um lugar decente para dormir, para tomar banho e depois de um trecho esquece até que é gente, vira meio bicho.

Como fui parar nas ruas? Foi por causa da maldita droga.

Luz e trevas

sábado, 2 de maio de 2009



O poder da luz é muito maior do que a força das trevas.


O poder de Deus, o Seu Amor por nós é uma força que pode tudo, que transforma tudo, é uma força tamanha, com a qual as trevas não têm influência, que as forças do mal não podem derrotar.


Por mais que pareça que o mundo está ao avesso, com tanta maldade imperando entre os homens, com tanta barbárie acontecendo debaixo dos nossos olhos, isto tudo é passageiro, é transitório. A Terra está passando por momentos muito difíceis, por momentos de grande aflição e desespero para muitas pessoas. Tantas tragédias, tantas guerras, tantas coisas que nos oprimem o peito, que nos angustiam, por nos sentirmos impotentes e muitas vezes frustrados por nada podermos fazer diante deste cenário, por vezes dantesco, que se desdobra à nossa frente.


Mas é preciso paciência e resignação, pois como eu já disse, tudo não passa de uma fase transitória, que em breve, em muito menos tempo do que possamos imaginar, passará e dias de luz tomarão conta do nosso planeta.

Depoimento - João Carlos

sábado, 25 de abril de 2009



Sinto como se houvesse fogo me queimando as entranhas. Também, eu tomei tanta coisa, misturei tanta coisa, na busca inútil pelo prazer, pelo êxtase, na tentativa de esquecer os meus problemas, de preencher o vazio que eu sentia dentro de mim...


Mas nada que eu fizesse, nada que eu tomasse conseguia preencher o vazio que havia em minha vida.


O fogo me queima o estomago, a boca, a garganta. Desde aquela noite terrível, em que eu resolvi que acabaria de vez com tudo, que eu decidi que não queria mais viver, que a minha vida não tinha mais sentido, que eu não agüentava mais viver assim e ingeri tudo que encontrei, de álcool e drogas de todo tipo.


Amarga ilusão. Naquela noite em que eu achava que finalmente encontraria a paz e o sossego que eu tanto almejava, que eu finalmente deixaria de sofrer, foi que os piores momentos da minha vida começaram.


Plantio bendito

sábado, 18 de abril de 2009



Semear idéias


Plantar alegrias


Adubar com esperança


Aquecer com o coração


Regar com fraternidade


Revolver a terra com humildade


Germinar a paz entre os homens


Colher um futuro melhor para a humanidade




Euclides

Depoimento - Paulo



Eu não queria ter morrido. Eu era tão jovem... Sinto muita saudade da minha casa, da minha família, das minhas coisas, dos meus amigos, da vida que eu levava antes de me envolver com as drogas.


Sinto saudade da minha infância, das brincadeiras inocentes, dos passeios e viagens que fazíamos nos finais de semana e nas férias. Sinto saudade do cheiro de mato, do contato com a terra, do perfume das flores, do céu azul, do calor do sol, das coisas simples.


Sinto saudade da minha mãe. Sinto saudade dos meus irmãos. Sinto saudade de tudo que eu fui um dia, das coisas boas que eu tive dentro de mim.


Nasci e cresci numa cidade do interior. Filho de uma família abastada, dona de muitas terras, fazendas, comércios, que teve uma infância simples e que apesar de confortável, prezava pelas coisas da terra, da natureza.


Mas eu cresci, estudei e quis continuar meus estudos na cidade grande. E vim para a selva de pedra.


No começo, eu pouco saia, quase não tinha amigos, dedicava quase todo o meu tempo aos estudos. Mas no meio em que eu estudava e trabalhava, na residência médica, tive contato com substâncias utilizadas para sedar pacientes, mas que são verdadeiras drogas, que se utilizadas em quantidade e circunstâncias incorretas, viciam sim.

sábado, 11 de abril de 2009

“Amar a Deus sobre todas as coisas. Amar ao próximo como a ti mesmo.” Que este ensinamento do Cristo, que resume toda a Lei Mosaica, seja nossa estrela guia, nosso norte e esteja presente em cada momento de nossas vidas.


Que a oração seja constante, que a prática do Evangelho seja nosso objetivo de vida.


O amor é inerente ao ser humano como parte que somos do Pai Criador.


Toda criatura, por pior que seja, possui, ainda que em estado latente, o amor dentro de si, seja por um ente querido, seja por um animal de estimação, por uma planta. Todo ser humano traz dentro de si uma centelha do amo Divino, que só precisa de tempo para germinar.


Que o amor de Deus possa tocar todas as criaturas viventes e que o amor do Cristo renasça diariamente em cada coração.


Anselmo (11/04/09)

Depoimento - Alice



Hoje vocês falaram muito sobre o amor


Sobre o amor pelo próximo, pela natureza... E eu me senti emocionada com isso. Será que eu sei o que é amor? Não sei...


Gostaria muito de sentir o que dizem que o amor propicia, do que o amor é capaz.


Mas eu acho que eu nunca amei de verdade ninguém. E também não sei se fui amada.


Cresci num orfanato, sem conhecer minha família, minha mãe me abandonou quando eu nasci. Nunca tive carinho de mãe, nem de irmãos. É claro que tive alguns amigos, algumas pessoas boas que cruzaram o meu caminho, mas eu estava tão desiludida, tão fechada para o amor que eu não conseguia me abrir para receber abertamente aquelas demonstrações de afeto e de amizade.


Cresci com sentimento de rejeição, de abandono, pensava “Por que será que ela não me quis?”,  “Será que eu sou tão miserável, tão detestável para ser abandonada deste jeito?”. Sempre tive curiosidade em conhecer minha mãe, mas isso nunca chegou a acontecer.

O poder do amor



O amor é a força motriz que impulsiona o Universo.


Francisco de Assis, Lutero, Martin Luther King, Gandhi, Irmã Dulce, Madre Teresa de Calcutá e tantas outras figuras de nossa história que souberam amar o próximo verdadeiramente, que lutaram contra as desigualdades, contra as injustiças, que lutaram em nome da liberdade, do amor e da fraternidade.


O amor é a mais poderosa força do Universo.


O amor liberta, o amor perdoa, o amor engrandece a alma e inunda o coração de paz.

Depoimento - Cristina

sábado, 4 de abril de 2009



Eu não entendia o que se passava. Não conseguia entender o que tinha acontecido comigo.

A última coisa de que me recordava era de que eu comecei a sentir uma falta de ar tremenda, uma dor forte no peito, como se meu coração estivesse explodindo. E então eu perdi os sentidos e cai no chão. Quando acordei o peito ainda doía, mas a falta de ar tinha passado. Eu estava num hospital, vendo médicos e enfermeiras tentando me reanimar, tentando me trazer de volta à vida, mas quão surpresa eu fiquei quando percebi que eu não estava junto do meu corpo. Eu assistia a tudo a alguns metros de distância, como se não fosse mais eu, como mera espectadora, mas era eu.

Eu não conseguia compreender direito o que se passava, mas depois de um tempo percebi que eu tinha morrido e que o meu corpo já não me pertencia, já não estava mais comigo. Mas de um forma muito estranha eu ainda me sentia ligada a ele, eu ainda tinha algumas percepções de dor e de angústia que eu sabia que vinham do meu corpo.

Aquele momento foi uma das experiências mais estranhas que já tive. Naquele tempo eu não sabia de nada do que eu sei hoje e não conseguia compreender direito o que estava acontecendo.

Gratidão ao Criador

sábado, 21 de março de 2009



Agradeça pela luz. Pela luz da sabedoria do Pai, pela luz do conhecimento, que abriu as cortinas das trevas da ignorância em que a humanidade já esteve mergulhada um dia. Na época em que não era dado o direito ao conhecimento a todos os seres humanos e sim somente a algumas classes privilegiadas, que se julgavam superiores e donos da verdade, guardiões do saber, ao passo em que o restante da humanidade não tinha acesso ao conhecimento.


Agradeça por sua mente lúcida e perfeita.


Agradeça por suas faculdades mentais fluírem com facilidade através do seu corpo, permitindo a busca pelo saber, a busca pela evolução, a busca pelo conhecimento.


Agradeça pelas oportunidades recebidas do Pai Maior e lembre-se sempre de que tudo o que você tem hoje lhe foi emprestado temporariamente para que fizesse bom uso dos seus instrumentos, do seu corpo, mas que Deus espera de nós a evolução e não a estagnação, a solidariedade e não a omissão, a fraternidade e não o egoísmo.


Agradeça pela dádiva da vida.

Depoimento - Amadeu



É a primeira vez que venho aqui e me senti muito bem e gostei. Mas os estudos de vocês me fizeram refletir e pensar na minha situação. Será que quando eu voltar para a Terra, eu terei problemas, alguma deficiência decorrente do mau uso que fiz do meu corpo, decorrente dos maus tratos causados pelo exagero do uso de drogas? Confesso que fiquei um pouco preocupado e pensativo. E também curioso para saber mais sobre as Leis Divinas, sobre a ordem que rege o Universo.


Quando estive aí na Terra, tive acesso à cultura, à educação, tive uma religião, uma família, amigos, estive no meio de pessoas muito cultas e inteligentes, mas mesmo com tudo isso não consegui me manter afastado dos entorpecentes, que eu tinha pleno conhecimento do que causavam e de como atuavam sobre o cérebro e sobre o restante do nosso organismo.


Mas nada disso foi suficiente para me livrar do vício, para que eu não me envolvesse com esta praga que tomou conta da Terra, desta ferida, que me dói até hoje.


Eu sabia de tudo, até porque pesquisei muito sobre o assunto, inclusive foi tema de estudo de minha tese de doutorado. Mas não sei explicar em que momento eu fraquejei e me tornei vulnerável às drogas.

Depoimento - Sandra

sábado, 14 de março de 2009



Trago muita culpa dentro de mim. Por todas as coisas erradas que fiz, por todas as oportunidades que joguei fora, por todas as chances que Deus me deu e que eu desperdicei.


Eu era jovem, bonita, bem sucedida profissionalmente e tinha tudo para ter um futuro brilhante, pleno e feliz, mas por acaso do destino, por falta de vigilância e fé acabei desperdiçando a minha vida e me perdendo num caminho que só me trouxe muita dor e sofrimento.


Eu era uma publicitária bem sucedida, que alcancei o sucesso profissional muito cedo e ainda muito jovem me vi diante de um mundo para o qual, hoje sei que eu não estava preparada.


Conheci muita gente importante, grandes empresários, participei de projetos e campanhas grandiosos que acabaram me envaidecendo o ego, me ofuscando a razão e me projetando para um mundo que eu não conhecia. Passei a freqüentar muitas festas, solenidades, recebi prêmios, ganhei muito dinheiro, mas a facilidade e a rapidez com que eu tive acesso a tudo isso, foram demais para a minha alma jovem e despreparada para a vida.


Depoimento de uma mãe - Márcia

sábado, 7 de março de 2009


            Eu não consegui salvar meu filho. Mas morri tentando defendê-lo, como fiz a minha vida toda, desde que ele nasceu, desde que ele saiu de dentro de mim.
            Só quem é mãe pode entender o que se passa num coração de mãe quando vê o filho sofrer, quando vê o filho correndo perigo.
E vocês não têm idéia do que eu passei e das coisas que tive de enfrentar para defender o meu filho dos traficantes.
Nós morávamos numa favela, num morro dominado por traficantes. A lei do morro é assim: todo mundo sabe o endereço dos traficantes, todo mundo sabe o que acontece, mas ninguém denuncia, ninguém abre a boca senão morre, senão pode ter problemas.
E eu sabia do perigo que o meu filho corria vivendo naquele ambiente, convivendo com pessoas envolvidas com o tráfico e usuários de drogas.
Mas o que eu podia fazer? O que eu podia fazer, se eu não tinha condições de sair dali, se a gente não tinha condições de morar em outro lugar, longe de tudo aquilo?
Quando ele era pequeno era mais fácil, eu conseguia tê-lo por perto, dentro de casa, sob os meus olhos atentos.
Mas quando ele cresceu um pouco mais, antes mesmo de chegar à adolescência, ele ganhou a liberdade e conquistou o direito de brincar na rua, de ir sozinho à escola.
Eu trabalhava o dia todo, saia muito cedo e só chegava em casa à noite. Uma vizinha me ajudava a cuidar dele, mas ela também tinha os seus afazeres e não conseguia saber com detalhes o que ele fazia o dia todo. Quando ele era pequeno ficava na creche e eu levava e buscava, mas quando ele ficou maior, teve que deixar a creche e foi para a escola. Mas a escola ocupava o tempo dele só parte do dia. O restante ele ficava com esta vizinha até eu voltar, mas ele tinha os amigos, brincavam na rua, se divertiam.
E aí começaram os problemas. Ele acabou conhecendo uns meninos que já tinham experimentado drogas e que achavam o barato legal e ofereceram para o meu filho.
Eu conversava muito com ele em casa, tentando alertá-lo sobre o perigo das drogas, sobre as más companhias, mas ele era apenas um menino e na maior parte das vezes não me dava muita atenção.
Quando eu percebi que ele estava envolvido já era tarde, ele já era quase um homem e eu não conseguia mais segura-lo.
Ele chegou a me agredir, tanto com palavras quanto fisicamente, ensandecido pelo efeito das drogas.
Eu tentava impedi-lo de sair de casa, tentava chamá-lo para a realidade, para acordá-lo desta loucura e traze-lo volta para junto de mim.
Cheguei à loucura de procurar os traficantes e proibi-los de vender drogas para o meu filho, de ameaçá-los dizendo que eu os denunciaria para a polícia se eles não deixassem o meu filho em paz, se eles não deixassem que eu tentasse recuperar meu filho.
E é claro que eles riram na minha cara, me chamando de velha louca e estúpida, me ameaçando que se eu não parasse de me meter nos negócios deles, que se eu não deixasse livre o caminho deles, eu teria que arcar com as conseqüências, que não seriam nada boas para mim.
Eu contei tudo para o meu filho, implorei que ele deixasse de usar drogas, que ele se afastasse desse caminho, que ele voltasse para o nosso lar, para a nossa vida antiga, feliz. Mas ele estava muito viciado e não me ouviu.
E eu não podia ver meu filho se destruindo e não fazer nada e procurei a policia. Mas por ironia do destino, os policiais que me atenderam estavam envolvidos até a alma com os traficantes, com a propina que recebiam deles para que o tráfico continuasse correndo solto no morro e fora dele e vocês já sabem o meu fim.
Os traficantes ficaram sabendo o que eu fiz e armaram uma emboscada para mim.
E foi assim que eu morri. Meu desespero foi tão grande por não poder mais tentar proteger o meu filho, que agora estava sozinho no mundo, sem ninguém para olhar por ele.
Eu queria continuar do lado dele, eu queria tirá-lo dessa vida, mas agora que eu não tinha um corpo, que ele não conseguia me ver nem me ouvir, tudo parecia ainda mais difícil. Desesperada, sem saber o que fazer, só me restava rezar. E orei fervorosamente à Nossa Mãe Santíssima, que como mãe da humanidade e mãe de Jesus, saberia entender meu coração amargurado e oprimido.
Desde que eu morrera, eu não conseguira me desligar do meu filho e não encontrava sossego, pois não consegui seguir em frente e partir. Permaneci em minha antiga casa, ao lado dele, tentando influencia-lo com palavras boas, com pensamentos positivos, mas nada adiantava, ele não me ouvia. Também, era de se esperar, pois ele não me ouvia nem quando eu ainda estava viva, ao seu lado.
Mas nesse dia em que orei, cansada, desesperada e sem esperança, amigos espirituais me socorreram e me convenceram a seguir com eles para que eu pudesse me recuperar, me fortalecer e prometeram que meu filho não ficaria desamparado.
Eu concordei e segui com eles. Pouco tempo depois, meu filho também desencarnou, vítima de uma overdose e, com a graça de Deus e da nossa Mãe Santíssima, ele foi socorrido e eu tive a oportunidade de visita-lo e ficar ao seu lado na estação de tratamento.
Hoje estou bem, meu filho está se tratando e em fase de recuperação. O amor de mãe é um amor que rompe as barreiras da morte, rompe todas as fronteiras para ver o filho feliz, para que o filho não sofra.
Mães, amem com toda força que tiverem, os seus filhos, apóiem, instruam, eduquem, estejam próximas deles, ganhem a confiança deles e façam tudo o que puderem para que eles não se aproximem desta chaga monstruosa que destrói famílias, que destrói sonhos, que destrói vidas.

Márcia 

 
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