Cidadão do Mundo

sábado, 19 de dezembro de 2009

De dia ando
De noite tardo
De tarde adormeço
Mas não me largo
Não me deixo entregar
Pelo mundo eu vou
Caminhando sem rumo
Caminhando sem parar
Levo a vida, leve e solto
Como uma folha ao vento
Voando ao sabor da brisa
Com a leveza por dentro
Não me digam o que fazer
Não me digam aonde ir
Sou dono do meu destino
Sou livre como um menino
O céu é o meu limite
Para mim não há fronteiras
Para o espírito não há barreiras
Sou cidadão do mundo
Sou livre, o Universo é minha Pátria
Deus é o meu leme
E Jesus, a minha estrela guia
Trago a bandeira da liberdade como meu estandarte
A liberdade de pensar
A liberdade de amar
A liberdade de seguir
Caminhando com os próprios pés
Aonde o vento me levar
Aonde a vida assim quiser
Mas sempre com a certeza de que não estou sozinho
Com a certeza de que Deus olha por mim
De que se estiver no caminho certo
Ele sempre estará por perto
Meu coração apesar de tudo
Às vezes é inquieto
Às vezes questiona o que está por vir
Sinto dentro de mim
A ânsia de saber
A ânsia de conhecer mais
De conhecer novos caminhos
De desbravar novos horizontes
Às vezes trôpego,
Outras vezes firme
Mas eu sempre me levanto
Não me deixo cair,
Não me deixo no chão ficar
Vou adiante, seguindo pra qualquer lugar
Sou livre, sou errante
Sigo a vida sem cessar
Dia após dia
Hora após hora
Minuto a minuto
Para junto de ti, Pai, chegar.

Um cidadão do mundo

Um novo olhar

Belo é o céu no fim da tarde
Belo é o mar que nossa alma invade
Belo é o sol que nos aquece
Bela é a chuva que do céu desce
Bela é a obra de Deus Pai Criador
Belo é o exemplo de Jesus, de humildade e amor
Belo é o sentimento de amizade fraterna
Belas são as flores que desabrocham na primavera
Belo é o coração que emana luz
Belo é o exemplo de nosso Mestre Jesus
"Amai-vos uns aos outros como eu vos amei.
Transformai a Terra no Paraíso que eu sempre sonhei".
União, fraternidade, humildade e fé.
Esperança num mundo melhor.


João de Deus

Depoimento - Patrick

sábado, 6 de junho de 2009



 É com tristeza que vejo o quanto o mundo está mudado, o quanto os valores estão deturpados, perdidos no tempo.


Hoje vemos uma liberdade muito grande entre os jovens e até mesmo entre as crianças pequenas, aos quais não são impostos limites, que crescem achando que podem tudo, que terão tudo o que quiserem, que podem fazer tudo o que quiserem.
Mas esta aparente liberdade concedida pelos pais, pela sociedade, esta conquista de espaço que vemos hoje, na realidade é o início, muitas vezes, de uma prisão, de uma perda de controle sobre a própria vida, pois a criança que cresce sem limites, sem saber discernir o certo do errado, cresce fraca, insegura. Parece ser muito segura de si, é um verdadeiro reizinho dentro do lar, os pais acham as atitudes independentes do filho, as ousadias de atitudes, a liberdade de expressão, como uma demonstração de inteligência, de maturidade e acabam muitas vezes incentivando esse tipo de comportamento.
E quando menos percebem, a criança chega à adolescência, acha-se auto-suficiente, dona da verdade e torna-se um jovem inconseqüente, que para se auto-afirmar precisa da aprovação da turma, e daí para o envolvimento com drogas e com coisas erradas é um passo.
E digo, com experiência e vivencia de causa, é um passo para um abismo profundo, um passo em falso para um caminho sem volta.

Depoimento - Jussara



Que dor de cabeça! Não há nada que faça essa dor de cabeça passar. Minha cabeça parece que vai explodir em algumas horas. É um desespero sem fim, um tormento diário que carrego há anos comigo.


Mas eu sei que eu fui culpada por isso. Eu sei que a causa dessa dor infinita foram as drogas, foi o abuso que eu fiz delas.


Minha cabeça dói tanto, tanto...


Mas já faz tanto tempo que o meu corpo está morto e enterrado a muitos metros debaixo da terra, que o meu corpo se foi, mas o estranho é que tudo que eu fiz com ele quando eu estava vivo ainda reflete em mim de alguma maneira.


Eu não tenho mais corpo mas sinto muita dor, sinto como se eu estivesse viva, com a diferença que as pessoas não me vêem e não me ouvem mais e o acesso às drogas não é mais possível, pelo menos diretamente.

Depoimento - Pamela

sábado, 23 de maio de 2009



Está tão frio hoje à noite...

E noites frias como essa, me fazem lembrar dos tempos difíceis que passei nas ruas.

Éramos vários meninos e meninas jogados à própria sorte, dormindo em calçadas frias, embaixo de viadutos, usando pedaços de papelão, cobertores velhos e trapos imundos para nos esquentarmos, para tentar amenizar o frio. E é claro, a melhor forma de afugentar o frio eram as drogas. Não havia nada melhor do que as drogas para o frio passar, pois ficávamos anestesiados pelos seus efeitos e aí, a fome e o frio, a dor, tudo sumia.

E a gente conseguia dormir pele menos um pouco. Mas quando eu acordava a sensação era terrível e eu já acordava querendo mais, pois quando o efeito passava, tudo voltava e o sofrimento era ainda maior.

Aquilo não era vida.

Quem vive nas ruas enfrenta todo tipo de violência, presencia coisas erradas, às vezes até crimes, passa fome, frio, não tem para onde ir, não tem um lugar decente para dormir, para tomar banho e depois de um trecho esquece até que é gente, vira meio bicho.

Como fui parar nas ruas? Foi por causa da maldita droga.

Luz e trevas

sábado, 2 de maio de 2009



O poder da luz é muito maior do que a força das trevas.


O poder de Deus, o Seu Amor por nós é uma força que pode tudo, que transforma tudo, é uma força tamanha, com a qual as trevas não têm influência, que as forças do mal não podem derrotar.


Por mais que pareça que o mundo está ao avesso, com tanta maldade imperando entre os homens, com tanta barbárie acontecendo debaixo dos nossos olhos, isto tudo é passageiro, é transitório. A Terra está passando por momentos muito difíceis, por momentos de grande aflição e desespero para muitas pessoas. Tantas tragédias, tantas guerras, tantas coisas que nos oprimem o peito, que nos angustiam, por nos sentirmos impotentes e muitas vezes frustrados por nada podermos fazer diante deste cenário, por vezes dantesco, que se desdobra à nossa frente.


Mas é preciso paciência e resignação, pois como eu já disse, tudo não passa de uma fase transitória, que em breve, em muito menos tempo do que possamos imaginar, passará e dias de luz tomarão conta do nosso planeta.

Depoimento - João Carlos

sábado, 25 de abril de 2009



Sinto como se houvesse fogo me queimando as entranhas. Também, eu tomei tanta coisa, misturei tanta coisa, na busca inútil pelo prazer, pelo êxtase, na tentativa de esquecer os meus problemas, de preencher o vazio que eu sentia dentro de mim...


Mas nada que eu fizesse, nada que eu tomasse conseguia preencher o vazio que havia em minha vida.


O fogo me queima o estomago, a boca, a garganta. Desde aquela noite terrível, em que eu resolvi que acabaria de vez com tudo, que eu decidi que não queria mais viver, que a minha vida não tinha mais sentido, que eu não agüentava mais viver assim e ingeri tudo que encontrei, de álcool e drogas de todo tipo.


Amarga ilusão. Naquela noite em que eu achava que finalmente encontraria a paz e o sossego que eu tanto almejava, que eu finalmente deixaria de sofrer, foi que os piores momentos da minha vida começaram.


Plantio bendito

sábado, 18 de abril de 2009



Semear idéias


Plantar alegrias


Adubar com esperança


Aquecer com o coração


Regar com fraternidade


Revolver a terra com humildade


Germinar a paz entre os homens


Colher um futuro melhor para a humanidade




Euclides

Depoimento - Paulo



Eu não queria ter morrido. Eu era tão jovem... Sinto muita saudade da minha casa, da minha família, das minhas coisas, dos meus amigos, da vida que eu levava antes de me envolver com as drogas.


Sinto saudade da minha infância, das brincadeiras inocentes, dos passeios e viagens que fazíamos nos finais de semana e nas férias. Sinto saudade do cheiro de mato, do contato com a terra, do perfume das flores, do céu azul, do calor do sol, das coisas simples.


Sinto saudade da minha mãe. Sinto saudade dos meus irmãos. Sinto saudade de tudo que eu fui um dia, das coisas boas que eu tive dentro de mim.


Nasci e cresci numa cidade do interior. Filho de uma família abastada, dona de muitas terras, fazendas, comércios, que teve uma infância simples e que apesar de confortável, prezava pelas coisas da terra, da natureza.


Mas eu cresci, estudei e quis continuar meus estudos na cidade grande. E vim para a selva de pedra.


No começo, eu pouco saia, quase não tinha amigos, dedicava quase todo o meu tempo aos estudos. Mas no meio em que eu estudava e trabalhava, na residência médica, tive contato com substâncias utilizadas para sedar pacientes, mas que são verdadeiras drogas, que se utilizadas em quantidade e circunstâncias incorretas, viciam sim.

sábado, 11 de abril de 2009

“Amar a Deus sobre todas as coisas. Amar ao próximo como a ti mesmo.” Que este ensinamento do Cristo, que resume toda a Lei Mosaica, seja nossa estrela guia, nosso norte e esteja presente em cada momento de nossas vidas.


Que a oração seja constante, que a prática do Evangelho seja nosso objetivo de vida.


O amor é inerente ao ser humano como parte que somos do Pai Criador.


Toda criatura, por pior que seja, possui, ainda que em estado latente, o amor dentro de si, seja por um ente querido, seja por um animal de estimação, por uma planta. Todo ser humano traz dentro de si uma centelha do amo Divino, que só precisa de tempo para germinar.


Que o amor de Deus possa tocar todas as criaturas viventes e que o amor do Cristo renasça diariamente em cada coração.


Anselmo (11/04/09)

Depoimento - Alice



Hoje vocês falaram muito sobre o amor


Sobre o amor pelo próximo, pela natureza... E eu me senti emocionada com isso. Será que eu sei o que é amor? Não sei...


Gostaria muito de sentir o que dizem que o amor propicia, do que o amor é capaz.


Mas eu acho que eu nunca amei de verdade ninguém. E também não sei se fui amada.


Cresci num orfanato, sem conhecer minha família, minha mãe me abandonou quando eu nasci. Nunca tive carinho de mãe, nem de irmãos. É claro que tive alguns amigos, algumas pessoas boas que cruzaram o meu caminho, mas eu estava tão desiludida, tão fechada para o amor que eu não conseguia me abrir para receber abertamente aquelas demonstrações de afeto e de amizade.


Cresci com sentimento de rejeição, de abandono, pensava “Por que será que ela não me quis?”,  “Será que eu sou tão miserável, tão detestável para ser abandonada deste jeito?”. Sempre tive curiosidade em conhecer minha mãe, mas isso nunca chegou a acontecer.

O poder do amor



O amor é a força motriz que impulsiona o Universo.


Francisco de Assis, Lutero, Martin Luther King, Gandhi, Irmã Dulce, Madre Teresa de Calcutá e tantas outras figuras de nossa história que souberam amar o próximo verdadeiramente, que lutaram contra as desigualdades, contra as injustiças, que lutaram em nome da liberdade, do amor e da fraternidade.


O amor é a mais poderosa força do Universo.


O amor liberta, o amor perdoa, o amor engrandece a alma e inunda o coração de paz.

Depoimento - Cristina

sábado, 4 de abril de 2009



Eu não entendia o que se passava. Não conseguia entender o que tinha acontecido comigo.

A última coisa de que me recordava era de que eu comecei a sentir uma falta de ar tremenda, uma dor forte no peito, como se meu coração estivesse explodindo. E então eu perdi os sentidos e cai no chão. Quando acordei o peito ainda doía, mas a falta de ar tinha passado. Eu estava num hospital, vendo médicos e enfermeiras tentando me reanimar, tentando me trazer de volta à vida, mas quão surpresa eu fiquei quando percebi que eu não estava junto do meu corpo. Eu assistia a tudo a alguns metros de distância, como se não fosse mais eu, como mera espectadora, mas era eu.

Eu não conseguia compreender direito o que se passava, mas depois de um tempo percebi que eu tinha morrido e que o meu corpo já não me pertencia, já não estava mais comigo. Mas de um forma muito estranha eu ainda me sentia ligada a ele, eu ainda tinha algumas percepções de dor e de angústia que eu sabia que vinham do meu corpo.

Aquele momento foi uma das experiências mais estranhas que já tive. Naquele tempo eu não sabia de nada do que eu sei hoje e não conseguia compreender direito o que estava acontecendo.

Gratidão ao Criador

sábado, 21 de março de 2009



Agradeça pela luz. Pela luz da sabedoria do Pai, pela luz do conhecimento, que abriu as cortinas das trevas da ignorância em que a humanidade já esteve mergulhada um dia. Na época em que não era dado o direito ao conhecimento a todos os seres humanos e sim somente a algumas classes privilegiadas, que se julgavam superiores e donos da verdade, guardiões do saber, ao passo em que o restante da humanidade não tinha acesso ao conhecimento.


Agradeça por sua mente lúcida e perfeita.


Agradeça por suas faculdades mentais fluírem com facilidade através do seu corpo, permitindo a busca pelo saber, a busca pela evolução, a busca pelo conhecimento.


Agradeça pelas oportunidades recebidas do Pai Maior e lembre-se sempre de que tudo o que você tem hoje lhe foi emprestado temporariamente para que fizesse bom uso dos seus instrumentos, do seu corpo, mas que Deus espera de nós a evolução e não a estagnação, a solidariedade e não a omissão, a fraternidade e não o egoísmo.


Agradeça pela dádiva da vida.

Depoimento - Amadeu



É a primeira vez que venho aqui e me senti muito bem e gostei. Mas os estudos de vocês me fizeram refletir e pensar na minha situação. Será que quando eu voltar para a Terra, eu terei problemas, alguma deficiência decorrente do mau uso que fiz do meu corpo, decorrente dos maus tratos causados pelo exagero do uso de drogas? Confesso que fiquei um pouco preocupado e pensativo. E também curioso para saber mais sobre as Leis Divinas, sobre a ordem que rege o Universo.


Quando estive aí na Terra, tive acesso à cultura, à educação, tive uma religião, uma família, amigos, estive no meio de pessoas muito cultas e inteligentes, mas mesmo com tudo isso não consegui me manter afastado dos entorpecentes, que eu tinha pleno conhecimento do que causavam e de como atuavam sobre o cérebro e sobre o restante do nosso organismo.


Mas nada disso foi suficiente para me livrar do vício, para que eu não me envolvesse com esta praga que tomou conta da Terra, desta ferida, que me dói até hoje.


Eu sabia de tudo, até porque pesquisei muito sobre o assunto, inclusive foi tema de estudo de minha tese de doutorado. Mas não sei explicar em que momento eu fraquejei e me tornei vulnerável às drogas.

Depoimento - Sandra

sábado, 14 de março de 2009



Trago muita culpa dentro de mim. Por todas as coisas erradas que fiz, por todas as oportunidades que joguei fora, por todas as chances que Deus me deu e que eu desperdicei.


Eu era jovem, bonita, bem sucedida profissionalmente e tinha tudo para ter um futuro brilhante, pleno e feliz, mas por acaso do destino, por falta de vigilância e fé acabei desperdiçando a minha vida e me perdendo num caminho que só me trouxe muita dor e sofrimento.


Eu era uma publicitária bem sucedida, que alcancei o sucesso profissional muito cedo e ainda muito jovem me vi diante de um mundo para o qual, hoje sei que eu não estava preparada.


Conheci muita gente importante, grandes empresários, participei de projetos e campanhas grandiosos que acabaram me envaidecendo o ego, me ofuscando a razão e me projetando para um mundo que eu não conhecia. Passei a freqüentar muitas festas, solenidades, recebi prêmios, ganhei muito dinheiro, mas a facilidade e a rapidez com que eu tive acesso a tudo isso, foram demais para a minha alma jovem e despreparada para a vida.


Depoimento de uma mãe - Márcia

sábado, 7 de março de 2009


            Eu não consegui salvar meu filho. Mas morri tentando defendê-lo, como fiz a minha vida toda, desde que ele nasceu, desde que ele saiu de dentro de mim.
            Só quem é mãe pode entender o que se passa num coração de mãe quando vê o filho sofrer, quando vê o filho correndo perigo.
E vocês não têm idéia do que eu passei e das coisas que tive de enfrentar para defender o meu filho dos traficantes.
Nós morávamos numa favela, num morro dominado por traficantes. A lei do morro é assim: todo mundo sabe o endereço dos traficantes, todo mundo sabe o que acontece, mas ninguém denuncia, ninguém abre a boca senão morre, senão pode ter problemas.
E eu sabia do perigo que o meu filho corria vivendo naquele ambiente, convivendo com pessoas envolvidas com o tráfico e usuários de drogas.
Mas o que eu podia fazer? O que eu podia fazer, se eu não tinha condições de sair dali, se a gente não tinha condições de morar em outro lugar, longe de tudo aquilo?
Quando ele era pequeno era mais fácil, eu conseguia tê-lo por perto, dentro de casa, sob os meus olhos atentos.
Mas quando ele cresceu um pouco mais, antes mesmo de chegar à adolescência, ele ganhou a liberdade e conquistou o direito de brincar na rua, de ir sozinho à escola.
Eu trabalhava o dia todo, saia muito cedo e só chegava em casa à noite. Uma vizinha me ajudava a cuidar dele, mas ela também tinha os seus afazeres e não conseguia saber com detalhes o que ele fazia o dia todo. Quando ele era pequeno ficava na creche e eu levava e buscava, mas quando ele ficou maior, teve que deixar a creche e foi para a escola. Mas a escola ocupava o tempo dele só parte do dia. O restante ele ficava com esta vizinha até eu voltar, mas ele tinha os amigos, brincavam na rua, se divertiam.
E aí começaram os problemas. Ele acabou conhecendo uns meninos que já tinham experimentado drogas e que achavam o barato legal e ofereceram para o meu filho.
Eu conversava muito com ele em casa, tentando alertá-lo sobre o perigo das drogas, sobre as más companhias, mas ele era apenas um menino e na maior parte das vezes não me dava muita atenção.
Quando eu percebi que ele estava envolvido já era tarde, ele já era quase um homem e eu não conseguia mais segura-lo.
Ele chegou a me agredir, tanto com palavras quanto fisicamente, ensandecido pelo efeito das drogas.
Eu tentava impedi-lo de sair de casa, tentava chamá-lo para a realidade, para acordá-lo desta loucura e traze-lo volta para junto de mim.
Cheguei à loucura de procurar os traficantes e proibi-los de vender drogas para o meu filho, de ameaçá-los dizendo que eu os denunciaria para a polícia se eles não deixassem o meu filho em paz, se eles não deixassem que eu tentasse recuperar meu filho.
E é claro que eles riram na minha cara, me chamando de velha louca e estúpida, me ameaçando que se eu não parasse de me meter nos negócios deles, que se eu não deixasse livre o caminho deles, eu teria que arcar com as conseqüências, que não seriam nada boas para mim.
Eu contei tudo para o meu filho, implorei que ele deixasse de usar drogas, que ele se afastasse desse caminho, que ele voltasse para o nosso lar, para a nossa vida antiga, feliz. Mas ele estava muito viciado e não me ouviu.
E eu não podia ver meu filho se destruindo e não fazer nada e procurei a policia. Mas por ironia do destino, os policiais que me atenderam estavam envolvidos até a alma com os traficantes, com a propina que recebiam deles para que o tráfico continuasse correndo solto no morro e fora dele e vocês já sabem o meu fim.
Os traficantes ficaram sabendo o que eu fiz e armaram uma emboscada para mim.
E foi assim que eu morri. Meu desespero foi tão grande por não poder mais tentar proteger o meu filho, que agora estava sozinho no mundo, sem ninguém para olhar por ele.
Eu queria continuar do lado dele, eu queria tirá-lo dessa vida, mas agora que eu não tinha um corpo, que ele não conseguia me ver nem me ouvir, tudo parecia ainda mais difícil. Desesperada, sem saber o que fazer, só me restava rezar. E orei fervorosamente à Nossa Mãe Santíssima, que como mãe da humanidade e mãe de Jesus, saberia entender meu coração amargurado e oprimido.
Desde que eu morrera, eu não conseguira me desligar do meu filho e não encontrava sossego, pois não consegui seguir em frente e partir. Permaneci em minha antiga casa, ao lado dele, tentando influencia-lo com palavras boas, com pensamentos positivos, mas nada adiantava, ele não me ouvia. Também, era de se esperar, pois ele não me ouvia nem quando eu ainda estava viva, ao seu lado.
Mas nesse dia em que orei, cansada, desesperada e sem esperança, amigos espirituais me socorreram e me convenceram a seguir com eles para que eu pudesse me recuperar, me fortalecer e prometeram que meu filho não ficaria desamparado.
Eu concordei e segui com eles. Pouco tempo depois, meu filho também desencarnou, vítima de uma overdose e, com a graça de Deus e da nossa Mãe Santíssima, ele foi socorrido e eu tive a oportunidade de visita-lo e ficar ao seu lado na estação de tratamento.
Hoje estou bem, meu filho está se tratando e em fase de recuperação. O amor de mãe é um amor que rompe as barreiras da morte, rompe todas as fronteiras para ver o filho feliz, para que o filho não sofra.
Mães, amem com toda força que tiverem, os seus filhos, apóiem, instruam, eduquem, estejam próximas deles, ganhem a confiança deles e façam tudo o que puderem para que eles não se aproximem desta chaga monstruosa que destrói famílias, que destrói sonhos, que destrói vidas.

Márcia 

Orgulho, vaidade e egoísmo

sábado, 28 de fevereiro de 2009



O orgulho e a vaidade endurecem nosso coração e ofuscam nossos olhos.


Nos orgulhamos pelo que somos, pelo que temos, pelo que sabemos, por onde moramos, pelos títulos que temos, mas nada disso é nosso, nada disso nos pertence, pois não temos, não somos, mas estamos.


Estamos assim neste mundo, estamos neste momento, mas amanhã poderemos não estar mais, poderemos não ter o que hoje nos faz nos julgarmos melhores do que os outros ou que temos mais conhecimento ou títulos do que os outros.


Quanta ilusão permeia o nosso espírito ainda repleto de imperfeições, de vícios, de vaidade, orgulho e egoísmo!


E fácil ser compreensivo conosco e com aqueles que amamos. É fácil ajudar aqueles que são da nossa família e do nosso circulo de amizades, mas e os menos favorecidos tanto material quanto espiritualmente?

Depoimento - João Pedro



Depois que eu me envolvi com drogas, minha vida não foi nada fácil.

Eu sabia que aquilo me fazia mal, que me fazia perder o controle sobre mim mesmo, que me impedia de trabalhar direito, de pensar com clareza, mas ao mesmo tempo a vontade era tão grande, uma verdadeira compulsão em consumir, que me dava até tremedeira, calafrios quando eu tentava parar com aquilo, mas eu não conseguia.

Por diversas vezes estive internado, por diversas vezes fugi e pus todo o tratamento a perder. Outras vezes eu até levava o tratamento até o fim, mas logo tinha uma recaída e começava o inferno tudo de novo, começava aquela loucura, aquela vontade incontrolável e, eu caia de novo, chegava até o fundo do poço, às ultimas conseqüências para conseguir a droga.

Que triste é a vida de quem é dependente químico... Nos raros momentos de lucidez, eu prometia a mim mesmo que aquilo não voltaria a acontecer, que eu deixaria de me drogar, que eu tentaria resgatar tudo o que eu tinha perdido nestes anos, mas bastava eu ficar sozinho ou me ver contrariado pra começar tudo de novo.

Depoimento - Priscila



Eu nunca tinha experimentado drogas. E eu sempre ouvira dizer que as drogas faziam mal, que viciavam, que levavam à morte. Mas eu tinha curiosidade para saber se era assim mesmo, se era como diziam. Mas eu também tinha muito medo. E se fosse verdade? E se eu realmente me viciasse e não conseguisse mais sair dessa?


Passei muito tempo assim, neste dilema. Até o dia em que o meu namorado me ofereceu um cigarro de maconha, me disse que eu ficaria mais relaxada, que era muito bom, que eu me sentiria mais alegre, mais leve. No começo eu relutei, por causa do medo, da dúvida, mas depois, de tanto ele insistir e inclusive ameaçar que se eu queria ficar com ele, eu tinha que gostar das coisas que ele gostava e fazer as coisas que ele fazia.


E eu, fraca, jovem, ingênua e sem juízo, acabei cedendo à pressão dele e experimentei. No começo, foi realmente muito bom, mas depois vocês já sabem, não preciso ficar repetindo o que muitos outros já contaram aqui.


Minha vida simplesmente acabou, minha saúde se deteriorou e eu acabei morrendo, sem entender o que estava acontecendo comigo, sem saber o que fazer, pra onde ir e o que tinha acontecido.

Depoimento - Carla

sábado, 14 de fevereiro de 2009



Sinto uma angústia no peito, um nó na garganta, uma vontade de chorar, mas já não tenho mais lágrimas.


Há quanto tempo estou assim?


Nem consigo mais me lembrar.


Aliás não me lembro mais direito nem de quem sou, ou melhor, do que eu fui um dia,


Fui uma menina que teve uma infância feliz, que teve amor, carinho, família, educação e uma religião.


Mas bastou chegar na adolescência e eu me afastei de tudo isso, em busca de liberdade, de emoções, em busca do desconhecido, junto com supostos amigos que me apresentaram as drogas.


Que fim triste foi o meu!


Acabei com tudo o que eu tive de bom, destruí o amor que minha família sentia por mim, tornei-me outra pessoa, nem eu mesma me reconhecia mais.


Afundei-me na droga, na bebida, na prostituição. Vivia no mais completo delírio, na mais completa loucura, fazia tudo pelas drogas, pela sensação que elas me davam.


E esta vida desregrada não podia durar muito. Desencarnei muito cedo e continuei vagando por aí, sem rumo, me drogando através dos meus antigos companheiros de noitadas.


Não posso mais viver assim. Não consigo mais continuar desse jeito. Quero mudar, quero me sentir limpa outra vez, quero me sentir feliz, como fui na minha infância.


Quero seguir com estes anjos de luz que aqui se encontram e que me prometem uma nova chance, uma nova vida, que me dizem que eu ainda posso voltar a ter paz.


Obrigada pela oportunidade que estou recebendo.


Meu peito já não se encontra tão oprimido.


Obrigada meu Deus.





Muito obrigada.



Carla



São tantos que aqui se encontram... Tantos jovens necessitados, que precisam tanto de auxílio, de tratamento, de doações de energia.


São tantos aqui e milhares em todo o mundo, vítimas deste mundo cruel, deste mal dos nossos tempos que são as drogas.


Continuem orando e emanando vibrações de amor, de cura, de paz para os nossos irmãozinhos.


Que eles possam receber o auxílio do Pai Maior e que se conscientizem da sua real situação, que estejam abertos a receber o tratamento do seu corpo e do seu espírito.




Eliseu



O amor de Deus é infinito, incondicional, ama sem esperar nada em troca.


Espelhemo-nos no amor do Pai e amemos sem esperar ser amados, façamos o bem sem esperar reconhecimento, sem esperar gratidão.


Amemos por amor. Amemos pelo bem do outro, pela felicidade do outro.


O amor liberta. O egoísmo e a vaidade nos amarram, nos mantém presos a nós mesmos e às nossas imperfeições.


Aprendamos a olhar para fora de nós, para aqueles que têm menos do que nós, que precisam do nosso amor e da nossa compaixão.


E se não recebermos um “obrigado”, se não recebermos o reconhecimento, é talvez porque a pessoa não tenha condições de nos dar isso.


Mas nossa consciência estará tranqüila por ter feito o que era certo, na hora em que foi preciso.


Se amarmos incondicionalmente, a vida fica mais fácil, mais leve, nosso coração fica mais tranqüilo.


Ponha um pouco de amor na sua vida. Lembre-se do amor do Pai Criador que, não importa o que façamos, está sempre disposto a nos socorrer, a nos perdoar e a nos dar uma nova chance para recomeçar.



Ulisses

Juventude em perigo



Jovens, crianças


Perdidos num mar de lama e de desespero


Num abismo profundo e perigoso


Em meio às trevas e guerra violentas


De interesses, de poder,


De maldade e de ambição


Expostas aos mais variados riscos


Expostas a todo tipo de violência


Desde a violência doméstica


À falta de amor, de respeito,


De afeto e compreensão.


Piedade Senhor!


Piedade e socorro para as nossas crianças e jovens!


Que a força do teu amor atinja o coração e a consciência de quem tem oportunidade de fazer algo, de quem tem sob a sua responsabilidade um pequeno que veio a este mundo para ser amado, para ser respeitado, para aprender, evoluir, crescer saudável tanto material quanto espiritualmente.


Luz para cada lar responsável em educar uma criança, em formar um futuro cidadão.


Misericórdia para aqueles que se encontram em meio a guerras inúteis, sem sentido, envolvendo crianças e jovens, dizimando famílias e às vezes até colocando armas em suas mãos.


Esperança de um futuro melhor, de um futuro promissor para cada um destes jovens.


Oremos por todas as crianças e jovens que se encontram desamparados, em situação de risco, forças para que eles se mantenham afastados do mau caminho, das más companhias e do mundo das drogas.


Senhor, que o teu amor se estenda sobre o nosso planeta e inunde de luz a todos que sofrem.


Graças a Deus,




Pedro

Depoimento - Marcos Vinícius

sábado, 7 de fevereiro de 2009



Tudo isso ainda é muito novo para mim. Tudo isso é muito esquisito e muito louco para o meu entendimento. Mas eu já sei que eu não tenho mais corpo. Eu já sei que eu morri. Mas ainda não entendo o que isso quer dizer.

Eu não tenho corpo, mas continuo sentindo tudo, ouvindo tudo, tenho vontade de drogas, continuo sentindo fome, dor, frio, compulsão.

Mas eu ouço e nem sempre as pessoas me ouvem, nem sempre respondem.

Minha mente está confusa, preciso de respostas. Vim aqui hoje junto com um amigo que me disse que tinha um conhecido que tinha seguido com uns enfermeiros para um lugar onde eles recebem tratamento e onde explicaram para ele muitas coisas que ele também não compreendia.

Disse que tinha umas pessoas que ajudavam pessoas como nós, “mortas-vivas”, e eu resolvi acompanha-lo aqui hoje. E gostei. Me senti bem, senti uma paz muito grande e nós dois já decidimos que iremos conhecer este lugar que eles estão falando que nos acolherá e nos dará tratamento e abrigo.

Obrigado Deus por esta chance que estamos recebendo.

Quem sabe agora, encontremos alívio, paz, descanso e resposta para as nossas indagações.

Obrigado,



Marcos Vinícius

Depoimento - Marcelo



Eu nunca quis que a minha família sofresse. Eu nunca quis que eles passassem pelo que passaram. Já faz tanto tempo...


Principalmente minha mãe, quanto a fiz sofrer, quantas vezes a vi chorar, desesperada, sem saber o que fazer. Não foi culpa dela, não foi culpa de ninguém. A responsabilidade por tudo o que aconteceu comigo foi só minha, foi por minha vontade, por minha rebeldia que eu segui este caminho, que eu me embrenhei por um caminho sem volta, com coisas erradas, com pessoas erradas.


Meus pais me deram de tudo, me deram amor, educação, carinho, me ensinaram o que era certo e o que era errado, mas eu não quis aprender, eu não quis seguir uma vida correta. Eu nunca fui muito bom nos estudos, sempre gostei de ficar pela rua, desde menino, empinando pipa, subindo em muros e telhados, às vezes até assustando os vizinhos.


Tinha um monte de amigos, ou melhor, de falsos amigos, pois amigo de verdade quer o bem da gente e os meus só me levaram para o mau caminho.


Eu queria muito poder voltar no tempo e queria que a minha mãe soubesse que ela não teve culpa de nada, que ela fez o que podia, que ela deu o melhor de si para mim e para a minha irmã. Ela sempre fez tudo por nós, nos deu tudo o que ela podia, nos deu amor, educação, livros, viagens. Minha irmã soube aproveitar, mas eu não, eu não quis aprender, eu não tinha paciência para ler, para estudar, para conversar. Eu só queria vadiar, ficar à toa na vida.


E foi aí que eu dancei: comecei a usar drogas, comecei a faltar às aulas e me envolvi com pessoas perigosas. E numa tarde, há muitos anos, fui morto num confronto com a polícia.


Minha mãe quase enlouqueceu, minha irmã sofreu demais, afinal, apesar de tudo, éramos muito ligados, tínhamos uma ligação forte, apesar das nossas diferenças, uma ligação que nos uniu desde antes do nascimento, pois éramos gêmeos.


Como podem dois filhos dos mesmos pais, gerados ao mesmo tempo, no mesmo ventre, seguirem caminhos tão diferentes?


Eu não tive a força e a doçura da minha irmã para aceitar as oportunidades que recebi e seguir pelo caminho do bem, pelo contrário, me envolvi com bebida, com drogas, com pessoas erradas e acabei com a minha vida muito cedo.


Sofri muito depois que morri, não entendia o que estava acontecendo, não agüentava ver o sofrimento da minha mãe. Meu pai, que sempre foi quieto e calado, ficou ainda mais introspectivo depois da minha morte. Mas a minha irmã sofreu demais. Ela que sempre esteve ao meu lado, mesmo quando eu estava errado, ela que sempre tentou me abrir os olhos, me chamar para as coisas boas, me trazer junto com ela para o caminho do bem, ela que sempre me amou incondicionalmente, mesmo com todas as coisas erradas que eu fazia.


Chorei muito, tentei gritar, mas ninguém me ouvia. Eu via a minha família chorar, sofrer e eu não podia fazer nada.


Fiquei anos vagando sem rumo, continuei no caminho errado por muito tempo. Até que um dia, vi uma luz e resolvi ir até ela. Senti uma paz, um bem estar tão grande como eu não sentia há muitos anos. Eu já estava cansado de sofrer, de vagar, de me drogar e pedi ajuda a Deus. Lembrei da minha família, das coisas que eles me ensinaram a respeito de Deus, de Jesus e pedi ajuda. E a ajuda veio em forma de luz, em forma de um lar que me acolheu, de pessoas amigas e bondosas que me deram todo o apoio que eu precisava para me livrar do vício e me recuperar.


Hoje estou bem, tenho somente uma tristeza grande por ter perdido tanto tempo e por ter feito os que me amavam sofrer. Mas hoje sei que eles também estão bem, que já superaram a minha morte, que conseguiram seguir a vida adiante.


Espero um dia poder estar junto deles. A saudade e o remorso são muito grandes. Quero abraçar a minha mãe e a minha irmã e poder demonstrar a elas o quanto as amo e dizer perdão por tudo que eu fiz de errado e por todas as coisas que deixei de fazer por ter partido tão cedo.


Mas hoje sei que a vida continua após a morte e que um dia voltarei à Terra.


E que eu tenha forças suficientes para não errar de novo e me manter afastado das drogas.


Marcelo

Depoimento - Amilton

sábado, 24 de janeiro de 2009


Tenho me sentido tão mal. Sinto que de uns tempos pra cá meu organismo chegou no limite. As drogas acabaram comigo em vida. E continuam acabando comigo depois de morto.
É estranho, é esquisito, tudo isso que tem acontecido comigo depois que eu morri. Eu vi meu corpo lá, estendido no chão, morto. Acompanhei tudo, os bombeiros do resgate tentando me reanimar, as pessoas gritando, chorando após o acidente, meu corpo estendido, inerte, a dor imensa, lancinante no meu peito e eu vendo tudo... Como era possível? Como eu podia estar lá, morto e ao mesmo tempo aqui, sentindo-me vivo, apesar da dor, apesar do desespero, mas vivo? Como eu podia ser dois? Como eu podia estar em dois lugares ao mesmo tempo? Aprendi na faculdade que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço nem tampouco o mesmo corpo pode estar em dois lugares. Mas como podia ser eu e não ser eu?



Cai a tarde


Chega a noite


E a escuridão oculta os sofrimentos


A escuridão esconde rostos


Esconde historias de horror e de tormentos


Vidas sem vida


Vidas sem sentido


Vidas destruídas


Famílias arrasadas


Historias inacabadas


Juventude interrompida


Juventude transviada


Desviada do caminho do bem


Do caminho da luz


E destruída pelo caminho das drogas


Consumida por este mundo perverso


Por este mundo ao avesso


Que a luz do Senhor ilumine


As trevas que envolvem nosso planeta


E que fomentam essa chaga que destrói,


Que mata, que acaba com vidas, com sonhos,


Com nosso futuro, com nossas crianças e jovens.

Quisera

sábado, 3 de janeiro de 2009



Quisera ter o poder de acalmar os corações,
De abrandar os sofrimentos,
De aplacar as guerras,
De extinguir o ódio da face da Terra.
Quisera ter o poder de transformar os pensamentos,
De unir as pessoas,
De extinguir as diferenças,
De acabar com a maldade,
Com os rótulos e máscaras
De hipocrisia, de egoísmo.
Quisera que a paz reinasse entre os homens,
Que não houvesse outra crença
Que não fosse no Pai Criador.
Que não houvesse lutas de classes, de raças, de religiões
Quisera que os homens se amassem como irmãos,
Colocando em prática os ensinamentos de amor
E o exemplo de humildade do Cristo.

Graças a Deus.

Irmão da Cruz 

Depoimento - Cibelle



Quero me encontrar, quero encontrar respostas para tanta coisa que me angustia, que me tira o sono, se é que posso dizer que sinto sono, pois sei que não tenho mais um corpo de carne, que meu espírito não precisa dormir. Mas acho que preciso é de repouso, de paz de espírito, de respostas para minhas indagações, para tantas dúvidas que me atormentam.
Uns amigos que fiz no além me convidaram para vir aqui esta noite, alguns companheiros de drogas, que ficaram muito tempo comigo, vagando, buscando grupos de jovens que utilizavam drogas, mas que depois se cansaram desta vida e seguiram com uma espécie de anjos, de mensageiros de luz, que os levaram para viver num lugar que eles chamam de “Pouso para o Repouso”, mas que eu não quis conhecer, pois não queria perder a minha liberdade. Eles voltaram algumas vezes e repetiram o convite para segui-los, disseram que lá tinham feito novos amigos, que estavam se tratando, estudando, mas eu, teimoso, não quis ouvi-los, não quis ir com eles.

Depoimento - Celina



Minha vida nunca foi fácil. Nasci e cresci num bairro pobre, na periferia de São Paulo. Casa humilde, mas honesta, com pais trabalhadores, mas que nem sempre tinham comida para por à mesa, nem dinheiro para saciar a fome e as mais básicas necessidades. Meus irmãos foram mais fortes do que eu. Apesar de todos os problemas e dificuldades que passamos, eles conseguiram dar a volta por cima e serem alguém na vida, honestamente, com trabalho, com estudo, com noites sem dormir, estudando para chegar aonde chegaram, para passar no vestibular e cursar uma faculdade. Mas eu fui fraca... Por quê? Não sei. Sempre fui muito orgulhosa e revoltada com a nossa condição de penúria.
Havia dias em que eu via minha mãe chorando, dizendo que não sabia mais o que fazer, que não tinha mais dinheiro e que não havia nada para comer. Às vezes os vizinhos nos ajudavam. Ou os patrões do meu pai, lhe davam roupas e alimentos para trazer para casa. Essa ajuda era recebida com alegria e gratidão por minha mãe e irmãos, mas não por mim. Sentia-me humilhada com aquelas migalhas da solidariedade e queria mais, queria coisas melhores, queria, mas não fazia nenhum esforço para mudar aquela situação.
Ao contrário dos meus irmãos, que sempre agarraram com todas as forças as oportunidades que tinham, eu sequer queria freqüentar as aulas. Às vezes cabulava, ficava pelas ruas, onde conheci pessoas que eu julgava serem meus amigos, mas que foram o inicio da minha desgraça.

 
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