sábado, 29 de setembro de 2007


Quantas vidas ainda terão de ser ceifadas, quantas famílias terão de ser destruídas para que abramos os olhos e coloquemos em prática o que o Cristo no ensinou?

Quantas crianças terão de ser banidas do convívio dos seus, fisgadas pelas ruas e por toda a sorte de crueldades para que façamos algo por elas?

Quantas vezes ainda teremos que ver nos noticiários, histórias de jovens e crianças com a infância e a vida destruídas pela maldade humana?

Não falo apenas das drogas, mas das guerras e guerrilhas que vemos todos os dias em todo o mundo.

Gente destruindo gente.

Irmão matando irmão.

Quanto tempo ainda passará até que a Terra deixe de ser um planeta de expiações e provas e passe a mundo de regeneração e de paz?

Quanto do nosso tempo estamos dispendendo em favor disso?

Quantos de nós estão fazendo a sua parte?

Quantos de nós estão fazendo algo para mudar o destino do nosso planeta?

Ainda há tempo de mudarmos o rumo que as coisas tomaram. Ainda há chance de fazermos uma nova história, de mudarmos o destino de muitas crianças para que no futuro elas se transformem em cidadãos de bem.

Ainda podemos mudar a história do nosso Planeta, começando pelo nosso Brasil, pela nossa terra querida que tanto amamos.

Ainda há tempo de mudarmos o curso da história, de escrever um final feliz.

Mas para isso temos que sair desta inércia em que nos habituamos a viver, a sair desta passividade que nos assola os dias. Precisamos aproveitar melhor o nosso tempo, pois ele é nosso aliado quando bem aproveitado, quando utilizado na prática da caridade e do bem, mas também é um perigo quando mal aproveitado, pois nos faz contrair ainda mais dívidas perante a Eternidade.

Façamos bom uso do nosso tempo, tiremos proveito do tempo que temos a nosso favor e em favor daqueles que necessitam e a quem podemos e devemos ajudar.

Queridos amigos, pensem nisso com carinho. Lembro mais uma vez que basta amor no coração e dedicação de um pouco do tempo de vocês para iniciar um trabalho que pode ser grandioso e que pode salvar vidas. Fiquem com Deus.

Irmão da Cruz

Depoimento - Marcos

sábado, 22 de setembro de 2007


Tenho observado o trabalho de vocês há algum tempo. Amigos queridos me trouxeram aqui para aprender com os estudos de vocês e também para me fortalecer com as energias positivas e amorosas que os amigos têm doado a mim e aos meus companheiros.

Primeiramente gostaria de agradece-los por todo este trabalho, que embora vocês considerem pequeno e às vezes até insignificante perto dos desejos que vocês têm de ajudar, tem sido muito importante no nosso tratamento e na nossa recuperação.

De grupos como o de vocês é que os amigos espirituais coletam porções de energia e fluidos que são utilizados no tratamento de desintoxicação, fortalecimento e reequilíbrio dos nossos corpos espirituais tão maltratados pelos nossos atos inconseqüentes de quando estávamos encarnados.

Não vou ficar repetindo meu drama que é idêntico ao de tantos outros jovens que já passaram por aqui e contaram as suas histórias e suas desgraças.

O que posso dizer é que assim como eles, eu também tive a chance de seguir um caminho diferente, mas preferi seguir o que me dava mais prazer, mas que também foi o que me trouxe mais sofrimentos.

O que posso dizer a vocês é que não desanimem com as aparentes dificuldades de levar boas idéias adiante. Pois com boa vontade, entusiasmo e dedicação, vocês conseguirão tudo o que desejam, pois o plano espiritual superior e nosso Mestre Maior estarão sempre ao lado de vocês.

Divulguem os ensinamentos de Jesus a todos que tiverem oportunidade, a todos que fazem parte do cotidiano de vocês. Plantem sementes de amor e de esperança em todos os corações que puderem, pois assim como na parábola do semeador, o amor é uma força poderosa e há de encontrar terreno fértil para germinar, ainda que isso demore, ainda que muitas vezes fracassemos em nosso intuito de espalhar a boa nova.

Fiquem com Deus e continuem orando pelos necessitados.

E tenham esperança que a semente do bem germinará sobre a Terra e prevalecerá sobre o mal.


Um abraço, Marcos

Mãos em prece...

sábado, 15 de setembro de 2007


Mãos que suplicam,

Mãos que se doam,

Mãos que se agitam,

Mãos que perdoam,

Mãos que se estendem,

Mãos que se mexem,

Mãos que se acendem,

Mãos que aquecem,

Mãos que fazem o bem,

Mãos que trazem o calor

E a vida para alguém,

Mãos que iluminam a vida,

Mãos que incendeiam a alma,

Mãos que curam,

Mãos que acalmam,

Mãos que trazem alimento

Para o corpo e para alma,

Mãos que trazem alento

Para os que têm desespero na alma.

Mãos que trazem esperança

Para quem não tem mais nada.

Mãos que suplicam auxilio,

Mãos que trazem somente o vazio,

Mãos que pedem ajuda,

Mãos que suplicam: nos acuda!

Mãos que acenam dizendo adeus,

Mãos que enxugam as lágrimas

De quem tem saudade dos seus.

Mãos que escondem o rosto,

De quem já não tem mais nada a perder,

De quem já perdeu a família,

De quem já perdeu a esperança,

A esperança no futuro,

A esperança na vida.

Mãos que escondem a vergonha

De ter se envolvido com drogas.

Mãos que seguram a cabeça

Do pai e da mãe que chora.

Mãos que passam

A mão na cabeça do filho.

Mãos que queriam ter

Forças para prender o filho.

Mãos que pedem perdão

Por tudo que aconteceu.

Mãos que suplicam ajuda:

São as mãos daquele que se perdeu.

Mãos que pedem ajuda

Para voltar a encontrar o seu eu.

Mãos que muitas vezes machucam

Aqueles que mais ama.

Mãos que se agitam para chamar a atenção

E pedir paciência e calma.


E que nós tenhamos amor suficiente no coração e boa vontade em nosso íntimo para estender as mãos em favor daqueles que necessitam.

 João de Deus

sábado, 8 de setembro de 2007


Um ínfimo raio de luz, uma fagulha sequer são suficientes para iluminar a escuridão. Mas para quem não vê nada, um ponto de luz, por menor que seja, é o inicio da esperança pelo fim das trevas, pela chegada da luz.

Mas se vários raios de luz se unirem, várias fontes, por menores que sejam, juntas são capazes de iluminar e estender a sua luz a quilômetros de distância.

Unam-se, irmãos, na prática do bem, na prática da caridade. Unam-se pela paz, que deveria reinar entre os homens. Pois somos filhos de um mesmo Pai e, portanto, deveríamos nos amar e nos respeitar, como verdadeiros irmãos. Que a bandeira da paz possa ser o estandarte que iluminará a humanidade.

Oremos pelo fim das guerras, dos conflitos que dizimam raças inteiras, destroem famílias, destroem lares, destroem vidas, destroem sonhos de um futuro melhor.

Oremos pela paz entre os homens, pelo fim dos conflitos religiosos, dos conflitos de poder por territórios, por riqueza.

Que as crianças possam ser crianças, possam usufruir a inocência da infância. Não é possível admitir crianças com armas nas mãos, lutando por causas que não são suas, por lutas que elas muitas vezes nem entendem.

Paz, Senhor!

Paz é o que queremos, paz é o que sonhamos para o nosso planeta, para a nossa Terra adorada.

Esperança! É tudo o que temos. E boa vontade no coração para mudar o  rumo que as coisas tomaram nos últimos tempos.

Que o sol ilumine os nossos horizontes, que a luz possa inundar os nossos espíritos de esperança e força.

E que as orações de cada um de vocês seja um pequeno foco de luz que ajudará a iluminar a escuridão que tenta se abater sobre o nosso planeta.


Um abraço fraternal do amigo Ulisses

Água é vida

sábado, 1 de setembro de 2007


A água alimenta o nosso corpo,

Purifica o nosso organismo,

Nos dá animo e vida.

A água deu origem à vida.

Da água surgiram as espécies que hoje conhecemos.

Na água vivemos no ventre de nossas mães.

Da água nascemos e pela água vivemos.

Rios, lagos, oceanos, regatos, riachos e cascatas

A água traz vida.

A água, com seu frescor, nos traz saúde e alegria.

A água é essencial à nossa sobrevivência.

A água está presente em nossa vida,

Em nosso corpo e sem ela não viveríamos.

A agricultura precisa da água,

A indústria precisa da água,

Nossa saúde depende da água.

A água é o mais precioso bem da humanidade

Haverá um dia em que os homens  brigarão por água.

A água limpa o nosso corpo,

Lava o nosso organismo de impurezas,

De todas as energias negativas e pesadas

Que nos prejudicam a saúde.

Água é vida.

Flor no penhasco

sábado, 25 de agosto de 2007


Uma flor solitária na beira de um penhasco.

Nascida entre as rochas, onde não se diria ser possível qualquer forma de vida, seja pela escassez de alimento provido pelo solo infértil, seja pela proximidade do abismo e do vento forte e frio.

Mas a flor, contrariando a nossa razão, reina soberana naquele espaço.

E sua beleza é tão singular, sua delicadeza quase nos faz chorar e pensar em como a natureza é perfeita, em como Deus é bom.

E a flor, apesar de solitária, está próxima do céu, contemplando a imensidão azul, as nuvens que se movimentam, como a dançar ao sabor do vento.

A flor, apesar de sozinha, contempla a luz do sol de perto, sente o calor que lhe traz vida em suas pétalas, em suas folhas.

A flor, apesar de solitária recebe o orvalho da manhã com a alma agradecida pelo frescor que lhe invade o ser, que permite que ela permaneça viva e viçosa.

E a flor, mesmo quando chega o inverno e perde todas as suas pétalas, se encolhendo dentro de si, se escondendo do frio, está apenas adormecida, refletindo e se preparando para quando a primavera chegar.

Assim também, saibamos, mesmo nos sentindo sozinhos, aproveitar as coisas boas da vida, aproveitar as bênçãos que a natureza nos concede, as bênçãos que o Pai nos dá e sermos felizes com o que temos.

Mesmo que nos encontremos à beira de um abismo, onde à primeira vista pode parecer que estamos em perigo e que não temos saída, olhemos adiante e contemplemos a imensidão.

Pense que quanto maior o abismo, maior a queda. Mas também, quanto mais alto subirmos, mais nos aproximaremos do Pai.


Evanhoé

MENSAGEM AOS JOVENS

sábado, 11 de agosto de 2007



Jovem, observa o seu mundo. Olha ao seu redor. Onde nascestes e crescestes. Pensa em seus pais, em seus familiares e amigos. Não fique contra Deus que é o seu Criador.
Não deixe se iludir com falsas ilusões. Não entre nesta canoa furada! Não tolha sua vida, não encurte sua jornada que pode ser bela e proveitosa.
Temos o livre  arbítrio e quando atingimos a maioridade temos o direito de fazer da nossa vida o que queremos, porém, lembre-se que existe uma Lei Divina e infinitamente sábia, a Lei da ação e reação, isto é, tudo o que fizermos para nós  e para o próximo tem conseqüências. Se fizermos boas coisas, teremos o bem, se fizermos coisas más, teremos o mal, é tão simples.
Portanto jovem, se temos uma vida regrada, estudamos e praticamos boas ações. Se amamos e respeitamos o nosso corpo, a nossa consciência, a tudo e a todos que fazem parte de nossa vida, temos um retorno feliz. O Senhor sempre nos oferece oportunidades de aprendizado, progresso e crescimento. Porém, se usamos mal o nosso tempo, se não cuidamos do nosso corpo, se estragamos a nossa saúde, se intoxicamos a nossa mente com substâncias nocivas, com leituras perniciosas. Se usamos o nosso tempo com coisas erradas e inferiores,  se prejudicamos  a nós próprios e ao próximo, estamos transgredindo não só as leis terrenas, mas principalmente as Leis Divinas.
Você jovem é inteligente, nasceu para ser feliz. Aquele que nos criou, Nosso Pai Criador nos fez para sermos felizes e ajuda-LO  na Sua grande obra que é a evolução da humanidade cósmica.
Portanto, jovem querido ou querida, não estamos aqui por acaso.Não viemos à Terra  apenas para curtir um barato, tirar proveito das pessoas e situações e fazer da nossa vida uma tragédia cheia de dor e angústia.
Viemos para aprender, amar, servir e evoluir. E através das Leis Divinas recebermos as recompensas. Quando partimos para o outro lado, continuamos nossa tarefa com a certeza da Paternidade eterna,pois, a vida é eterna.
Eu repito, temos o livre arbítrio sim, mas queiramos ou não somos responsáveis         pelas nossas decisões e atitudes. Se elas forem boas, colheremos bons frutos, encontraremos a paz e seguiremos a
jornada sempre acompanhados daqueles que nos amam. Se não for assim, se for de forma negativa, também continuaremos a nossa jornada, queiramos ou não, mas será de momentos dolorosos, de resgates difíceis, de aprendizado sofrido. E não é isso que Nosso Pai quer. ELE quer que todos os Seus filhos sejam felizes e cresçam para a Sua glória e pelo amor que nos une.
Por isso jovem, eu rogo a você com todo o meu carinho: Pare, pense, reflita, fuja deste caminho que o encaminha para o sofrimento atroz  que dilacera corpo e espírito.
Abra seu coração e ofereça         sua vida para o  Pai Criador!
Nasça pelo amor e para o amor!
Você também é responsável pela evolução da humanidade, todos somos, queiramos ou não.
Pelo amor que eu sinto por você e por todos os jovens ; ame-se,fuja deste caminho que o conduz a mais dolorosa de todas as experiências terrenas.
Fuja para os braços e os ensinamentos de Jesus e você se sentirá num porto seguro e feliz.
Ore, busque luz e força e encontrará.
Muita luz para você!



TAVINHO  

Cerejeiras...


As cerejeiras em flor são um espetáculo para os nossos olhos e no Japão marcam o fim de um rigoroso inverno e a chegada da tão esperada primavera.

É o espetáculo da vida, trazendo dentro de si a semente que germina, que vence a neve e faz-se flor. Que com sua beleza, com sua singeleza, com suas cinco pétalas delicadas e simétricas, mostram a perfeição do nosso Criador.

Deus nos fez perfeitos em nossa forma humana e espera de nós, que sejamos também perfeitos em nosso espírito, em nosso modo de agir, em nossas atitudes e em nosso coração.

”Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”. Que esta máxima do Mestre esteja sempre presente em nossas vidas, em nossas atitudes.

Que a justiça, a bondade e a misericórdia de Deus pautem as nossas vidas em todos os momentos.

E que sempre que estivermos tristes, desanimados e sem esperança, achando as coisas difíceis, achando que nada dá certo, pensemos nas cerejeiras, que enfrentaram o rigor do inverno, as tempestades de neve e as agruras do frio, para depois desabrocharem num espetáculo de flores e cor.


Com amor, Evanhoé

Depoimento - Felipe


Hoje, o sentimento que trago vivo no peito é uma profunda tristeza e a saudade... ah, a saudade que dói apertada por ter deixado para trás tantos sonhos, tanta vida e aqueles que amo e que cedo deixei desamparados. Na realidade, desamparei a minha família ainda quando estava encarnado. Aquela que eu tive por companheira durante a minha curta jornada na Terra ficou sozinha com os meus dois filhos.

Ah, que saudade, Gláucia, Matheus e Marcelo... Como eu gostaria de poder voltar atrás, como eu queria poder não ter feito as coisas que fiz, como eu queria não ter feito vocês sofrerem. Sei que por muito tempo eu não pensei em vocês, eu abandonei moralmente e até financeiramente todos vocês. Tudo o que eu ganhava ia para compra de entorpecentes que eu achava que aliviavam o vazio que eu trazia dentro de mim, dentro do meu coração.

Não soube entender nem valorizar a minha esposa, os meus filhos, o meu trabalho e acima de tudo a vida que Deus me deu.

Destruí a minha saúde, destruí todo e qualquer vínculo afetivo com os meus filhos, que eu não vi nascer, que eu não vi crescer e que me viam como um estranho, que às vezes voltava embriagado e drogado para casa, mas que às vezes desaparecia por um tempo para depois retornar.

Deus, quando a humanidade se livrará desta desgraça, desta chaga que fere tantas almas que destrói tantas vidas, tantas famílias, tantos sonhos?... Que mata e fere mais do que armas de fogo, do que as guerras. Viver no mundo das drogas é viver numa guerra interior, numa batalha consigo mesmo, numa constante luta entre largar tudo e recuperar a sua identidade, pois o drogado deixa de saber até mesmo quem ele é, e o que ele está fazendo aqui, pois deixa de ter um propósito de vida, deixa de traçar planos para o futuro.

Quando Senhor? Quando estaremos livres deste mal terrível que assola os dias da humanidade?

Ergo meu pensamento a Deus e convido vocês a fazerem o mesmo, a nos unirmos em uma oração de súplica para que a paz reine sobre a Terra, para que a paz reine soberana nos corações e sobre os homens.

Peço a Deus que ilumine também os governantes do mundo todo, os homens que têm o poder de tirar as crianças da rua e de impedir que aqueles que ainda têm um lar caiam nesta vida tão triste. É preciso conscientização, é preciso união e priorização da educação como forma de afastar as crianças e os jovens desta estrada tão triste que eu mesmo trilhei.

Ainda estou em um Centro de Recuperação pois meu perispírito ainda trás muitas marcas do que as drogas fizeram com o meu organismo, com o meu corpo físico, mas já estou bem melhor. E acima de tudo estou muito lúcido e consciente de meus atos. Atos dos quais me arrependo profundamente e que se eu pudesse gostaria de voltar no tempo e jamais ter seguido este caminho.

Quanta vida eu ainda tinha pela frente quando deixei a Terra, minha família.... e principalmente meus filhos.

Acho que pela proximidade do “Dia dos Pais” estou emotivo e não consigo deixar de derramar lagrimas de tristeza, de arrependimento e de perdão por tudo que fiz meus filhos sofrerem.

Espero que eles consigam entender que o pai deles estava doente, iludido por promessas de uma vida fácil, de um mundo onde não havia tristeza, onde não havia problemas... que ilusão.

Graças a Deus a Gláucia soube ampará-los e eles hoje estão crescendo fortes, saudáveis, estudiosos e longe das drogas.

Orem por mim, orem por eles.

Sei que ainda teremos muito tempo antes de podermos nos reencontrar, mas saber que a vida continua, que esta saudade que sinto não será eterna, é um grande alívio para o meu coração oprimido e ao mesmo tempo agradecido a Deus por eu saber que meus filhos não estão seguindo o mesmo caminho que segui.

Obrigado pela oportunidade de eu poder abrir o meu coração.

Obrigado pelas orações que vocês têm endereçado a mim a aos meus companheiros.

Obrigado a Deus pela dádiva da imortalidade da alma.

 Um abraço, Felipe

Depoimento - Sávio

sábado, 4 de agosto de 2007


Cresci em uma favela na periferia de São Paulo, em meio a muitos vícios, crimes, pobreza, mas também muita gente honesta e batalhadora. Cedo, eu e meus seis irmãos deixamos de freqüentar a escola para ajudar em casa. Mal o dia raiava e íamos todos nós, junto com minha mãe para um dos milhões de semáforos que existem nesta imensa cidade.

Pai, eu nunca conheci. Eu era o mais velho de todos e cedo também comecei a me envolver com pessoas de caráter duvidoso e que me mostraram o caminho das drogas e dos vícios, me ensinaram a consumir e me mostraram que o dinheiro vinha mais fácil se eu começasse a distribuir entre os jovens e até mesmo crianças da comunidade, do que simplesmente vendendo balas no farol. Que o que eu poderia ganhar em um dia com a venda e a distribuição de drogas, muitas vezes era o que ganharia em um mês vendendo balas no semáforo.

Deixei-me envolver por este mundo terrível, medonho, que destrói tantas vidas, tantos sonhos, tantos planos, tantos futuros. Futuro... esta é uma palavra que não existe neste mundo que faz tantas vítimas.

Às vezes eu também consumia, mas não cheguei e me tornar um viciado fora de controle, pois o que eu fazia mesmo era vender e ajudei a viciar e a envolver muitas, muitas pessoas.

Quantas vidas eu comprometi, quantas pessoas eu ajudei a viciar e a colocar neste caminho.

Até mesmo nas escolas eu tinha os “esquemas” para infiltrar a droga e fazer com que mais e mais pessoas precisassem consumir e dependessem da nossa rede de distribuição.

O dinheiro fácil, a fragilidade da vida humana, a facilidade com que eu conseguia mais e mais clientes....

A culpa me persegue e me atormenta o espírito. Hoje já me encontro mais consciente e profundamente arrependido por ter seguido este caminho e por ter desencaminhado tantas pessoas, tantos jovens inocentes, cheios de vida e que tinham todo um futuro pela frente, mas que graças às drogas tiveram suas vidas ceifadas antes do tempo.

Quando desencarnei, vítima de tiros de vingança  de traficantes com os quais eu tinha dívidas, fui muito perseguido pelas almas daqueles que eu fiz sofrer, que eu contribui para envolver com o mundo das drogas, que eu iniciei no mundo dos vícios e da loucura. Por muito tempo tive que me manter escondido, com medo da vingança destes espíritos cujas vidas eu havia destruído.

Mas Deus é tão misericordioso e tão bom que teve pena de mim, teve compaixão pela minha alma, também enferma e que precisava se purificar e pedir perdão a todos que prejudiquei. 

Hoje trabalho juntamente com os amigos espirituais que têm auxiliado tantos jovens na sua recuperação, no tratamento de seus corpos espirituais e na conscientização de que eles estão nesta situação por seus próprios atos.

Vocês não têm idéia da quantidade de jovens que desencarnam todos os dias em situação de extremo sofrimento e de comprometimento quase total de suas faculdades mentais. Muitos têm sido trazidos aqui: os que já estão em condições melhores, para ouvir os ensinamentos e outros tantos, ainda inconscientes, para tratamento pelos amigos espirituais com a ajuda das vibrações e fluidos de amor e energia de vocês.

Continuem orando por estas crianças. Sim, eu digo crianças pois, apesar da idade cronológica que tinham ao fim de sua última encarnação ser de adolescentes ou de adultos, no espírito são todos crianças, carentes de afeto, de amor, de esperança que o futuro será melhor e que precisam aprender a valorizar a vida que nos foi dada pelo nosso Criador.

Sei da responsabilidade que pesa sobre as minhas costas, por tantas vidas que eu ajudei a destruir, tantos jovens que eu ajudei a desencaminhar.

E é por isso que, mesmo com todas as minhas imperfeições, tenho me esforçado em corresponder à confiança em mim depositada pela Espiritualidade Maior ao permitir que eu trabalhasse em favor daqueles que eu prejudiquei.

Peço forças a Deus para que eu não fracasse nesta tarefa e conto com a ajuda e com as preces de vocês para ajudar nossos irmãozinhos. É, hoje sei que somos todos irmãos perante Deus e perante a eternidade.

Boa noite a todos e fiquem em paz.

 Um abraço, Sávio

Depoimento - Ana Luiza

sábado, 28 de julho de 2007

            Não sei dizer bem como foi que eu me perdi na vida, como eu me envolvi com este mundo das drogas.

Nasci em uma família de classe média alta, tive tudo o que um pai pode dar para um filho, desde o lado material até o lado moral, os ensinamentos que eu tive desde a infância.
Mas o fato é que eu me perdi. E me perdi feio, me envolvi com coisas e com pessoas que eu jamais imaginei, me deparei com situações que eu não consigo lembrar sem chorar, sem me arrepender do que eu fiz comigo mesma e do que eu me tornei ao longo dos últimos anos em que estive aqui na Terra.
Acho que foi no colégio, na minha adolescência, com alguns amigos, que comecei experimentando um cigarrinho aqui, uma bebida ali e depois passei a usar coisas mais fortes que me davam a sensação de liberdade que eu jamais experimentara em casa.
Em casa, a minha família apesar de boa, era bastante repressora, tradicional e eu não tinha muita liberdade de expressar o que eu sentia e não tinha espaço para expor as minhas idéias. Eu era a única menina, tinha dois irmãos mais velhos que podiam sair e eu não. Meus pais queriam sempre me prender, talvez com o ímpeto de me proteger (acho que no íntimo eles sabiam o que me esperava, as amarguras que iriam tomar conta do meu caminho). Eu inventava mentiras para poder sair, para escapar do controle deles, dizia que ia estudar quando na verdade eu só pensava em me divertir.
No começo eu ainda conseguia continuar levando a escola, conseguia tirar boas notas, mas com o passar do tempo, eu dedicava tanto do meu tempo ao consumo de drogas que quando eu estava em casa eu não conseguia me concentrar nos estudos. Parece que as drogas matam dia a dia o seu cérebro e a sua capacidade de pensar com clareza. Mesmo quando eu não estava sob o efeito dos entorpecentes eu não conseguia me concentrar nas atividades que antes eram rotineiras, vivia irritada e tensa, sempre bolando um novo plano de fuga dos meus pais e uma nova desculpa para sair.
Até o dia em que a minha família tomou conhecimento do meu estado e do meu envolvimento e tentaram, a todo custo, fazer com que eu largasse. Primeiro me prenderam o quarto, não me deixavam sair, meus irmãos ficavam o tempo todo me vigiando, me levavam para todo lugar. Mas eu precisava continuar estudando e aí eu sempre encontrava um jeito de burlar a vigilância deles e ia atrás de mais droga. Até porque antes, quando ninguém sabia, eu me preocupava para que eles não descobrissem e fazia as coisas de forma velada, discreta, tentando sair sem que eles soubessem onde eu realmente estava, inventando desculpas e mais desculpas, mas nunca desrespeitando meus pais e meus irmãos.
Mas a partir do momento em que eles realmente souberam o que estava acontecendo e o que eu era, eu passei a não me preocupar mais em esconder o que eu estava fazendo. Minhas únicas preocupações eram como conseguir mais drogas, uma vez que eles cortaram a minha mesada, e como fazer para escapar da vigilância deles, ainda que eles soubessem que quando eu sumia era para me drogar.
Eu tinha apenas 15 anos, uma menina ainda, e acabei parando nas ruas, pois fugi de casa depois de uma das vezes em que eles me deixaram trancada no quarto por 2 dias sem que eu consumisse um grama sequer. Quase enlouqueci, pois meu organismo já estava tão dependente que eu tinha dores horríveis, uma compulsão por consumir e não ter o que fazer. Quebrei tudo, gritei, me bati, tentando fazer a dor passar.
Minha família não agüentava mais isso e quiseram me internar mas eu me recusei. Quisera que eles tivessem sido fortes e tivessem me internado ainda que contra a minha vontade, pois naquela época eu não tinha condições psíquicas e fisiológicas para decidir nada. Mas eles não fizeram nada, pois achavam que se eu quisesse ajuda eu deveria pedir, eu deveria querer me ajudar. Mas eu estava tão debilitada tanto fisicamente quanto emocionalmente que eu jamais admitiria que precisava de ajuda.
Sei que comecei a viver nas ruas, junto com outros meninos e meninas que passavam o dia consumindo drogas, dormindo por aí, roubando e até se prostituindo para ter alguns momentos de prazer, vivendo em condições subumanas, transformados em verdadeiros farrapos humanos.
Eu não sabia mais quem eu era, porque estava vivendo, o que eu estava fazendo com a minha vida.
E foi então que eu descobri que estava grávida, nem sei bem como isso aconteceu tal era o meu estado de loucura. É claro que a gravidez não foi adiante, pois as drogas mataram o meu filho antes mesmo que ele nascesse. Fiquei um bom tempo muito mal, minha saúde estava bastante debilitada e eu queria sair disso, pedir ajuda, mas não sabia a quem recorrer.
Nunca mais vi a minha família. Às vezes pensava em procurá-los, mas logo desistia pois sabia que eles não me entenderiam, que eles não iriam poder fazer mais nada por mim.
Sentia que a minha vida se esvaia aos poucos e foi numa noite fria como esta que eu desencarnei. Ouvia gritos ao meu redor, vozes que me chamavam de suicida, de assassina... assassina do meu filho que eu não deixei vir ao mundo, que eu matei e a quem hoje peço perdão. Peço perdão também a Deus e a mim mesma, pelo que fiz comigo, pelo que eu deixei de viver.
Como eu queria poder voltar atrás...
Como eu me arrependo pelas coisas que fiz, pelas pessoas que eu fiz sofrer...
Mas o tempo não volta e agora me resta agradecer por poder contar um pouco da minha história e espero que ela sirva de exemplo para que outros jovens não se percam como eu me perdi.
Deus foi e tem sido muito bom comigo, me acolhendo nos braços de amigos dedicados que muito têm feito pela minha recuperação e a de outros jovens, que assim como eu, perderam tão cedo as suas vidas.
Estou num centro de recuperação, onde tenho passado por tratamentos que estão reequilibrando minhas energias e restabelecendo a minha lucidez. Tenho participado das reuniões de vocês já há algumas semanas e quero agradecer a Deus por esta oportunidade que Ele tem me dado de aprender, de evoluir, de continuar me tratando e ouvindo coisas que eu nunca ouvi quando estava encarnada.
Como eu disse no início, meus pais tinham uma condição social favorável, me deram tudo que o dinheiro podia comprar, me deram ensinamentos morais mas nunca me falaram de Deus, nunca me ensinaram a rezar e a ver as pessoas como nossos irmãos. Eu nunca aprendi a olhar para mim mesma e ver o que eu estava fazendo com a minha vida. Eu nunca entrei numa igreja, nunca pensei no que aconteceria comigo depois que eu morresse. Nunca me preocupei com o que eu estava fazendo ao meu corpo e ao meu perispírito, pois eu achava que quando morresse tudo estaria acabado e para ser bem sincera, quando eu estava curtindo os efeitos das drogas eu nem pensava nisso.
Mas como eu me enganei... E como eu queria ter conhecido antes as coisas que eu sei agora.
Bom, meus mentores que me trouxeram aqui estão me dizendo que já é hora de me despedir de vocês.
E eu digo que tenho o coração mais aliviado depois de poder compartilhar com vocês a minha história.
Obrigada mais uma vez e continuem orando por nós. Por mim e pelos meus companheiros. 
Um abraço com gratidão,  
Ana Luiza

sábado, 14 de julho de 2007

            As areias de uma ampulheta escoam de forma contínua e inexorável, como se não tivessem outra coisa a fazer a não ser cair e correr

Por mais que tentemos impedir que ela escorra para o lado de baixo, sem mexermos a ampulheta do lugar, ela não irá parar de cair, até que termine o último grão.
Mas se inclinarmos levemente a ampulheta, a areia cairá mais lentamente e o tempo será maior, ou ainda se a colocarmos de forma horizontal, a areia cessará de cair até que a recoloquemos na posição original.
Assim também é a nossa vida. Se não fizermos nada que a altere, se não mudarmos o seu curso, teremos um tempo de vida e uma jornada conforme programado pela Espiritualidade.
Mas se tomarmos outros rumos, se alterarmos nossos planos, a nossa vida poderá ser ceifada antes da hora ou ainda poderá ficar estanque, paralisada, sem sair do lugar, desperdiçando oportunidades preciosas que poderíamos ter vivido,
Mas Deus, em sua infinita bondade e sabedoria, sempre nos ampara para que trilhemos nosso caminho o mais próximo possível dos ensinamentos do Cristo. 

Boa noite e graças a Deus.
Força e fé, queridos irmãos.
 
Evanhoé

Depoimento - Emílio


Queria gritar por socorro, mas de repente me vi caído. Tentei gritar, mas já não tinha voz. Vi meu corpo estendido sobre o asfalto, pessoas tentando me reanimar, mas tudo em vão. Eu não conseguia entender o que se passava comigo, o que estava acontecendo. Como eu podia estar lá, estirado no chão e ao mesmo tempo em pé, olhando para mim mesmo? Mas a dor, a sensação de asfixia, a droga que me corroia as entranhas, isso eu continuava sentindo.

Uma sensação de horror tomou conta de mim quando eu me dei conta de que estava morto, de que já não pertencia mais a esta vida. Aliás, vida esta que eu desperdicei e só hoje percebo quantas oportunidades perdi.

Como eu queria, meu Deus, naquele tempo ter o entendimento que eu tenho agora, saber as coisas que eu sei.

Nasci e cresci numa família católica, mas nunca me senti perto de Deus, nunca freqüentei assiduamente as missas como era o desejo de meus pais. Pequenino, minha mãe me ensinou a rezar, mas tão logo eu me vi crescido e auto-suficiente, como eu me achava, e me esqueci desta prática tão importante, que talvez tivesse me tirado deste caminho horrendo no qual eu me perdi.

Hoje eu sei que Deus é nosso Pai e que só a Ele cabe decidir quando a nossa vida, quando a nossa jornada será encerrada, mas na época em que eu estava encarnado eu não pensava assim. Achava que eu podia fazer tudo, que nada iria me acontecer, que eu tinha uma saúde de ferro e que o que eu estava injetando ou ingerindo só iria me fortalecer e me deixar mais solto, mais alegre, mais eufórico.

Mas como eu me enganei. E como eu sofri. Agora ainda sofro, não mais das dores físicas horríveis que tinha como quando desencarnei,  mas de dores da alma. Sofro com o remorso e com a culpa pelo que fiz a mim mesmo. Sofro pelo sofrimento que causei aos meus pais, que sempre se preocuparam comigo, ao meu irmão, que tentou me alertar, que tentou me ajudar e fazer com que eu largasse esse caminho tão triste que escolhi. Mas eu, orgulhoso que era, não dei ouvidos a ninguém e segui sozinho por esta estrada dolorosa.

Queria ter conhecido a Doutrina Espírita ainda em vida, saber o que sei agora. Talvez eu não tivesse sido forte o suficiente e tivesse me envolvido também como me envolvi nesta teia pegajosa, que por mais que você tente sair sempre te enrosca, te enrola e te prende, te puxa de volta para o meio dela. Mas talvez não, talvez eu tivesse tido consciência do que eu estava fazendo ou talvez nem tivesse me envolvido. Talvez, talvez, talvez.... Agora de nada adiantam lamentos e suposições, hipóteses.




Mas eu penso muito nisso. Hoje sei que nossa alma é eterna, que a morte do corpo não acaba com tudo, que a vida não sucumbe com a morte do corpo, que o que fizermos com nosso corpo deixará marcas profundas cravadas em nosso corpo espiritual e que eu posso sim, ser considerado um suicida pois não cuidei do corpo que Deus me deu e desperdicei uma oportunidade jogando fora a minha última encarnação, ceifando a minha própria vida, rompendo mais cedo do que o planejado o fio que une o corpo ao espírito.

Hoje me encontro bem melhor e rezo para que Deus me perdoe pelo que fiz comigo e com todos os que me amam. Se eu pudesse voltar no tempo, diria perdão aos meus pais, que me deram a vida e a Deus, que me deu a oportunidade de reencarnar, oportunidade esta que eu não soube aproveitar.

Quero ter forças para continuar me tratando, para continuar estudando e ajudando outros jovens que como eu tiveram família, tiveram um lar, tiveram estudo, amigos, viagens, um emprego e tudo que um jovem precisa para ser feliz, mas não souberam aproveitar isto enquanto em vida.

Hoje sei o quanto eu queria poder estar na Terra, poder estar com aqueles que eu amo, mas sei que teremos um longo tempo separados.

Peço a vocês que nos ajudem com as suas orações e com as palavras de incentivo e de fé que eu tenho ouvido aqui.

E que lutem com o que vocês tiverem de recursos para tirar jovens e até mesmo crianças deste caminho horroroso que é este mundo das drogas.

Obrigado pela oportunidade de eu poder estar expressando meus sentimentos há tanto represados e contidos dentro de um coração às vezes amargurado e às vezes agradecido a Deus por agora compreender como a vida é sábia e como a vida nos ensina, ainda que pelos caminhos da dor.

Fiquem com Deus e estejam certos de que a luz do Sol estará sempre brilhando no caminho de vocês.



Uma boa noite e um abraço a todos.


Emílio

 
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