Flor no penhasco

sábado, 25 de agosto de 2007


Uma flor solitária na beira de um penhasco.

Nascida entre as rochas, onde não se diria ser possível qualquer forma de vida, seja pela escassez de alimento provido pelo solo infértil, seja pela proximidade do abismo e do vento forte e frio.

Mas a flor, contrariando a nossa razão, reina soberana naquele espaço.

E sua beleza é tão singular, sua delicadeza quase nos faz chorar e pensar em como a natureza é perfeita, em como Deus é bom.

E a flor, apesar de solitária, está próxima do céu, contemplando a imensidão azul, as nuvens que se movimentam, como a dançar ao sabor do vento.

A flor, apesar de sozinha, contempla a luz do sol de perto, sente o calor que lhe traz vida em suas pétalas, em suas folhas.

A flor, apesar de solitária recebe o orvalho da manhã com a alma agradecida pelo frescor que lhe invade o ser, que permite que ela permaneça viva e viçosa.

E a flor, mesmo quando chega o inverno e perde todas as suas pétalas, se encolhendo dentro de si, se escondendo do frio, está apenas adormecida, refletindo e se preparando para quando a primavera chegar.

Assim também, saibamos, mesmo nos sentindo sozinhos, aproveitar as coisas boas da vida, aproveitar as bênçãos que a natureza nos concede, as bênçãos que o Pai nos dá e sermos felizes com o que temos.

Mesmo que nos encontremos à beira de um abismo, onde à primeira vista pode parecer que estamos em perigo e que não temos saída, olhemos adiante e contemplemos a imensidão.

Pense que quanto maior o abismo, maior a queda. Mas também, quanto mais alto subirmos, mais nos aproximaremos do Pai.


Evanhoé

MENSAGEM AOS JOVENS

sábado, 11 de agosto de 2007



Jovem, observa o seu mundo. Olha ao seu redor. Onde nascestes e crescestes. Pensa em seus pais, em seus familiares e amigos. Não fique contra Deus que é o seu Criador.
Não deixe se iludir com falsas ilusões. Não entre nesta canoa furada! Não tolha sua vida, não encurte sua jornada que pode ser bela e proveitosa.
Temos o livre  arbítrio e quando atingimos a maioridade temos o direito de fazer da nossa vida o que queremos, porém, lembre-se que existe uma Lei Divina e infinitamente sábia, a Lei da ação e reação, isto é, tudo o que fizermos para nós  e para o próximo tem conseqüências. Se fizermos boas coisas, teremos o bem, se fizermos coisas más, teremos o mal, é tão simples.
Portanto jovem, se temos uma vida regrada, estudamos e praticamos boas ações. Se amamos e respeitamos o nosso corpo, a nossa consciência, a tudo e a todos que fazem parte de nossa vida, temos um retorno feliz. O Senhor sempre nos oferece oportunidades de aprendizado, progresso e crescimento. Porém, se usamos mal o nosso tempo, se não cuidamos do nosso corpo, se estragamos a nossa saúde, se intoxicamos a nossa mente com substâncias nocivas, com leituras perniciosas. Se usamos o nosso tempo com coisas erradas e inferiores,  se prejudicamos  a nós próprios e ao próximo, estamos transgredindo não só as leis terrenas, mas principalmente as Leis Divinas.
Você jovem é inteligente, nasceu para ser feliz. Aquele que nos criou, Nosso Pai Criador nos fez para sermos felizes e ajuda-LO  na Sua grande obra que é a evolução da humanidade cósmica.
Portanto, jovem querido ou querida, não estamos aqui por acaso.Não viemos à Terra  apenas para curtir um barato, tirar proveito das pessoas e situações e fazer da nossa vida uma tragédia cheia de dor e angústia.
Viemos para aprender, amar, servir e evoluir. E através das Leis Divinas recebermos as recompensas. Quando partimos para o outro lado, continuamos nossa tarefa com a certeza da Paternidade eterna,pois, a vida é eterna.
Eu repito, temos o livre arbítrio sim, mas queiramos ou não somos responsáveis         pelas nossas decisões e atitudes. Se elas forem boas, colheremos bons frutos, encontraremos a paz e seguiremos a
jornada sempre acompanhados daqueles que nos amam. Se não for assim, se for de forma negativa, também continuaremos a nossa jornada, queiramos ou não, mas será de momentos dolorosos, de resgates difíceis, de aprendizado sofrido. E não é isso que Nosso Pai quer. ELE quer que todos os Seus filhos sejam felizes e cresçam para a Sua glória e pelo amor que nos une.
Por isso jovem, eu rogo a você com todo o meu carinho: Pare, pense, reflita, fuja deste caminho que o encaminha para o sofrimento atroz  que dilacera corpo e espírito.
Abra seu coração e ofereça         sua vida para o  Pai Criador!
Nasça pelo amor e para o amor!
Você também é responsável pela evolução da humanidade, todos somos, queiramos ou não.
Pelo amor que eu sinto por você e por todos os jovens ; ame-se,fuja deste caminho que o conduz a mais dolorosa de todas as experiências terrenas.
Fuja para os braços e os ensinamentos de Jesus e você se sentirá num porto seguro e feliz.
Ore, busque luz e força e encontrará.
Muita luz para você!



TAVINHO  

Cerejeiras...


As cerejeiras em flor são um espetáculo para os nossos olhos e no Japão marcam o fim de um rigoroso inverno e a chegada da tão esperada primavera.

É o espetáculo da vida, trazendo dentro de si a semente que germina, que vence a neve e faz-se flor. Que com sua beleza, com sua singeleza, com suas cinco pétalas delicadas e simétricas, mostram a perfeição do nosso Criador.

Deus nos fez perfeitos em nossa forma humana e espera de nós, que sejamos também perfeitos em nosso espírito, em nosso modo de agir, em nossas atitudes e em nosso coração.

”Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”. Que esta máxima do Mestre esteja sempre presente em nossas vidas, em nossas atitudes.

Que a justiça, a bondade e a misericórdia de Deus pautem as nossas vidas em todos os momentos.

E que sempre que estivermos tristes, desanimados e sem esperança, achando as coisas difíceis, achando que nada dá certo, pensemos nas cerejeiras, que enfrentaram o rigor do inverno, as tempestades de neve e as agruras do frio, para depois desabrocharem num espetáculo de flores e cor.


Com amor, Evanhoé

Depoimento - Felipe


Hoje, o sentimento que trago vivo no peito é uma profunda tristeza e a saudade... ah, a saudade que dói apertada por ter deixado para trás tantos sonhos, tanta vida e aqueles que amo e que cedo deixei desamparados. Na realidade, desamparei a minha família ainda quando estava encarnado. Aquela que eu tive por companheira durante a minha curta jornada na Terra ficou sozinha com os meus dois filhos.

Ah, que saudade, Gláucia, Matheus e Marcelo... Como eu gostaria de poder voltar atrás, como eu queria poder não ter feito as coisas que fiz, como eu queria não ter feito vocês sofrerem. Sei que por muito tempo eu não pensei em vocês, eu abandonei moralmente e até financeiramente todos vocês. Tudo o que eu ganhava ia para compra de entorpecentes que eu achava que aliviavam o vazio que eu trazia dentro de mim, dentro do meu coração.

Não soube entender nem valorizar a minha esposa, os meus filhos, o meu trabalho e acima de tudo a vida que Deus me deu.

Destruí a minha saúde, destruí todo e qualquer vínculo afetivo com os meus filhos, que eu não vi nascer, que eu não vi crescer e que me viam como um estranho, que às vezes voltava embriagado e drogado para casa, mas que às vezes desaparecia por um tempo para depois retornar.

Deus, quando a humanidade se livrará desta desgraça, desta chaga que fere tantas almas que destrói tantas vidas, tantas famílias, tantos sonhos?... Que mata e fere mais do que armas de fogo, do que as guerras. Viver no mundo das drogas é viver numa guerra interior, numa batalha consigo mesmo, numa constante luta entre largar tudo e recuperar a sua identidade, pois o drogado deixa de saber até mesmo quem ele é, e o que ele está fazendo aqui, pois deixa de ter um propósito de vida, deixa de traçar planos para o futuro.

Quando Senhor? Quando estaremos livres deste mal terrível que assola os dias da humanidade?

Ergo meu pensamento a Deus e convido vocês a fazerem o mesmo, a nos unirmos em uma oração de súplica para que a paz reine sobre a Terra, para que a paz reine soberana nos corações e sobre os homens.

Peço a Deus que ilumine também os governantes do mundo todo, os homens que têm o poder de tirar as crianças da rua e de impedir que aqueles que ainda têm um lar caiam nesta vida tão triste. É preciso conscientização, é preciso união e priorização da educação como forma de afastar as crianças e os jovens desta estrada tão triste que eu mesmo trilhei.

Ainda estou em um Centro de Recuperação pois meu perispírito ainda trás muitas marcas do que as drogas fizeram com o meu organismo, com o meu corpo físico, mas já estou bem melhor. E acima de tudo estou muito lúcido e consciente de meus atos. Atos dos quais me arrependo profundamente e que se eu pudesse gostaria de voltar no tempo e jamais ter seguido este caminho.

Quanta vida eu ainda tinha pela frente quando deixei a Terra, minha família.... e principalmente meus filhos.

Acho que pela proximidade do “Dia dos Pais” estou emotivo e não consigo deixar de derramar lagrimas de tristeza, de arrependimento e de perdão por tudo que fiz meus filhos sofrerem.

Espero que eles consigam entender que o pai deles estava doente, iludido por promessas de uma vida fácil, de um mundo onde não havia tristeza, onde não havia problemas... que ilusão.

Graças a Deus a Gláucia soube ampará-los e eles hoje estão crescendo fortes, saudáveis, estudiosos e longe das drogas.

Orem por mim, orem por eles.

Sei que ainda teremos muito tempo antes de podermos nos reencontrar, mas saber que a vida continua, que esta saudade que sinto não será eterna, é um grande alívio para o meu coração oprimido e ao mesmo tempo agradecido a Deus por eu saber que meus filhos não estão seguindo o mesmo caminho que segui.

Obrigado pela oportunidade de eu poder abrir o meu coração.

Obrigado pelas orações que vocês têm endereçado a mim a aos meus companheiros.

Obrigado a Deus pela dádiva da imortalidade da alma.

 Um abraço, Felipe

Depoimento - Sávio

sábado, 4 de agosto de 2007


Cresci em uma favela na periferia de São Paulo, em meio a muitos vícios, crimes, pobreza, mas também muita gente honesta e batalhadora. Cedo, eu e meus seis irmãos deixamos de freqüentar a escola para ajudar em casa. Mal o dia raiava e íamos todos nós, junto com minha mãe para um dos milhões de semáforos que existem nesta imensa cidade.

Pai, eu nunca conheci. Eu era o mais velho de todos e cedo também comecei a me envolver com pessoas de caráter duvidoso e que me mostraram o caminho das drogas e dos vícios, me ensinaram a consumir e me mostraram que o dinheiro vinha mais fácil se eu começasse a distribuir entre os jovens e até mesmo crianças da comunidade, do que simplesmente vendendo balas no farol. Que o que eu poderia ganhar em um dia com a venda e a distribuição de drogas, muitas vezes era o que ganharia em um mês vendendo balas no semáforo.

Deixei-me envolver por este mundo terrível, medonho, que destrói tantas vidas, tantos sonhos, tantos planos, tantos futuros. Futuro... esta é uma palavra que não existe neste mundo que faz tantas vítimas.

Às vezes eu também consumia, mas não cheguei e me tornar um viciado fora de controle, pois o que eu fazia mesmo era vender e ajudei a viciar e a envolver muitas, muitas pessoas.

Quantas vidas eu comprometi, quantas pessoas eu ajudei a viciar e a colocar neste caminho.

Até mesmo nas escolas eu tinha os “esquemas” para infiltrar a droga e fazer com que mais e mais pessoas precisassem consumir e dependessem da nossa rede de distribuição.

O dinheiro fácil, a fragilidade da vida humana, a facilidade com que eu conseguia mais e mais clientes....

A culpa me persegue e me atormenta o espírito. Hoje já me encontro mais consciente e profundamente arrependido por ter seguido este caminho e por ter desencaminhado tantas pessoas, tantos jovens inocentes, cheios de vida e que tinham todo um futuro pela frente, mas que graças às drogas tiveram suas vidas ceifadas antes do tempo.

Quando desencarnei, vítima de tiros de vingança  de traficantes com os quais eu tinha dívidas, fui muito perseguido pelas almas daqueles que eu fiz sofrer, que eu contribui para envolver com o mundo das drogas, que eu iniciei no mundo dos vícios e da loucura. Por muito tempo tive que me manter escondido, com medo da vingança destes espíritos cujas vidas eu havia destruído.

Mas Deus é tão misericordioso e tão bom que teve pena de mim, teve compaixão pela minha alma, também enferma e que precisava se purificar e pedir perdão a todos que prejudiquei. 

Hoje trabalho juntamente com os amigos espirituais que têm auxiliado tantos jovens na sua recuperação, no tratamento de seus corpos espirituais e na conscientização de que eles estão nesta situação por seus próprios atos.

Vocês não têm idéia da quantidade de jovens que desencarnam todos os dias em situação de extremo sofrimento e de comprometimento quase total de suas faculdades mentais. Muitos têm sido trazidos aqui: os que já estão em condições melhores, para ouvir os ensinamentos e outros tantos, ainda inconscientes, para tratamento pelos amigos espirituais com a ajuda das vibrações e fluidos de amor e energia de vocês.

Continuem orando por estas crianças. Sim, eu digo crianças pois, apesar da idade cronológica que tinham ao fim de sua última encarnação ser de adolescentes ou de adultos, no espírito são todos crianças, carentes de afeto, de amor, de esperança que o futuro será melhor e que precisam aprender a valorizar a vida que nos foi dada pelo nosso Criador.

Sei da responsabilidade que pesa sobre as minhas costas, por tantas vidas que eu ajudei a destruir, tantos jovens que eu ajudei a desencaminhar.

E é por isso que, mesmo com todas as minhas imperfeições, tenho me esforçado em corresponder à confiança em mim depositada pela Espiritualidade Maior ao permitir que eu trabalhasse em favor daqueles que eu prejudiquei.

Peço forças a Deus para que eu não fracasse nesta tarefa e conto com a ajuda e com as preces de vocês para ajudar nossos irmãozinhos. É, hoje sei que somos todos irmãos perante Deus e perante a eternidade.

Boa noite a todos e fiquem em paz.

 Um abraço, Sávio

Depoimento - Ana Luiza

sábado, 28 de julho de 2007

            Não sei dizer bem como foi que eu me perdi na vida, como eu me envolvi com este mundo das drogas.

Nasci em uma família de classe média alta, tive tudo o que um pai pode dar para um filho, desde o lado material até o lado moral, os ensinamentos que eu tive desde a infância.
Mas o fato é que eu me perdi. E me perdi feio, me envolvi com coisas e com pessoas que eu jamais imaginei, me deparei com situações que eu não consigo lembrar sem chorar, sem me arrepender do que eu fiz comigo mesma e do que eu me tornei ao longo dos últimos anos em que estive aqui na Terra.
Acho que foi no colégio, na minha adolescência, com alguns amigos, que comecei experimentando um cigarrinho aqui, uma bebida ali e depois passei a usar coisas mais fortes que me davam a sensação de liberdade que eu jamais experimentara em casa.
Em casa, a minha família apesar de boa, era bastante repressora, tradicional e eu não tinha muita liberdade de expressar o que eu sentia e não tinha espaço para expor as minhas idéias. Eu era a única menina, tinha dois irmãos mais velhos que podiam sair e eu não. Meus pais queriam sempre me prender, talvez com o ímpeto de me proteger (acho que no íntimo eles sabiam o que me esperava, as amarguras que iriam tomar conta do meu caminho). Eu inventava mentiras para poder sair, para escapar do controle deles, dizia que ia estudar quando na verdade eu só pensava em me divertir.
No começo eu ainda conseguia continuar levando a escola, conseguia tirar boas notas, mas com o passar do tempo, eu dedicava tanto do meu tempo ao consumo de drogas que quando eu estava em casa eu não conseguia me concentrar nos estudos. Parece que as drogas matam dia a dia o seu cérebro e a sua capacidade de pensar com clareza. Mesmo quando eu não estava sob o efeito dos entorpecentes eu não conseguia me concentrar nas atividades que antes eram rotineiras, vivia irritada e tensa, sempre bolando um novo plano de fuga dos meus pais e uma nova desculpa para sair.
Até o dia em que a minha família tomou conhecimento do meu estado e do meu envolvimento e tentaram, a todo custo, fazer com que eu largasse. Primeiro me prenderam o quarto, não me deixavam sair, meus irmãos ficavam o tempo todo me vigiando, me levavam para todo lugar. Mas eu precisava continuar estudando e aí eu sempre encontrava um jeito de burlar a vigilância deles e ia atrás de mais droga. Até porque antes, quando ninguém sabia, eu me preocupava para que eles não descobrissem e fazia as coisas de forma velada, discreta, tentando sair sem que eles soubessem onde eu realmente estava, inventando desculpas e mais desculpas, mas nunca desrespeitando meus pais e meus irmãos.
Mas a partir do momento em que eles realmente souberam o que estava acontecendo e o que eu era, eu passei a não me preocupar mais em esconder o que eu estava fazendo. Minhas únicas preocupações eram como conseguir mais drogas, uma vez que eles cortaram a minha mesada, e como fazer para escapar da vigilância deles, ainda que eles soubessem que quando eu sumia era para me drogar.
Eu tinha apenas 15 anos, uma menina ainda, e acabei parando nas ruas, pois fugi de casa depois de uma das vezes em que eles me deixaram trancada no quarto por 2 dias sem que eu consumisse um grama sequer. Quase enlouqueci, pois meu organismo já estava tão dependente que eu tinha dores horríveis, uma compulsão por consumir e não ter o que fazer. Quebrei tudo, gritei, me bati, tentando fazer a dor passar.
Minha família não agüentava mais isso e quiseram me internar mas eu me recusei. Quisera que eles tivessem sido fortes e tivessem me internado ainda que contra a minha vontade, pois naquela época eu não tinha condições psíquicas e fisiológicas para decidir nada. Mas eles não fizeram nada, pois achavam que se eu quisesse ajuda eu deveria pedir, eu deveria querer me ajudar. Mas eu estava tão debilitada tanto fisicamente quanto emocionalmente que eu jamais admitiria que precisava de ajuda.
Sei que comecei a viver nas ruas, junto com outros meninos e meninas que passavam o dia consumindo drogas, dormindo por aí, roubando e até se prostituindo para ter alguns momentos de prazer, vivendo em condições subumanas, transformados em verdadeiros farrapos humanos.
Eu não sabia mais quem eu era, porque estava vivendo, o que eu estava fazendo com a minha vida.
E foi então que eu descobri que estava grávida, nem sei bem como isso aconteceu tal era o meu estado de loucura. É claro que a gravidez não foi adiante, pois as drogas mataram o meu filho antes mesmo que ele nascesse. Fiquei um bom tempo muito mal, minha saúde estava bastante debilitada e eu queria sair disso, pedir ajuda, mas não sabia a quem recorrer.
Nunca mais vi a minha família. Às vezes pensava em procurá-los, mas logo desistia pois sabia que eles não me entenderiam, que eles não iriam poder fazer mais nada por mim.
Sentia que a minha vida se esvaia aos poucos e foi numa noite fria como esta que eu desencarnei. Ouvia gritos ao meu redor, vozes que me chamavam de suicida, de assassina... assassina do meu filho que eu não deixei vir ao mundo, que eu matei e a quem hoje peço perdão. Peço perdão também a Deus e a mim mesma, pelo que fiz comigo, pelo que eu deixei de viver.
Como eu queria poder voltar atrás...
Como eu me arrependo pelas coisas que fiz, pelas pessoas que eu fiz sofrer...
Mas o tempo não volta e agora me resta agradecer por poder contar um pouco da minha história e espero que ela sirva de exemplo para que outros jovens não se percam como eu me perdi.
Deus foi e tem sido muito bom comigo, me acolhendo nos braços de amigos dedicados que muito têm feito pela minha recuperação e a de outros jovens, que assim como eu, perderam tão cedo as suas vidas.
Estou num centro de recuperação, onde tenho passado por tratamentos que estão reequilibrando minhas energias e restabelecendo a minha lucidez. Tenho participado das reuniões de vocês já há algumas semanas e quero agradecer a Deus por esta oportunidade que Ele tem me dado de aprender, de evoluir, de continuar me tratando e ouvindo coisas que eu nunca ouvi quando estava encarnada.
Como eu disse no início, meus pais tinham uma condição social favorável, me deram tudo que o dinheiro podia comprar, me deram ensinamentos morais mas nunca me falaram de Deus, nunca me ensinaram a rezar e a ver as pessoas como nossos irmãos. Eu nunca aprendi a olhar para mim mesma e ver o que eu estava fazendo com a minha vida. Eu nunca entrei numa igreja, nunca pensei no que aconteceria comigo depois que eu morresse. Nunca me preocupei com o que eu estava fazendo ao meu corpo e ao meu perispírito, pois eu achava que quando morresse tudo estaria acabado e para ser bem sincera, quando eu estava curtindo os efeitos das drogas eu nem pensava nisso.
Mas como eu me enganei... E como eu queria ter conhecido antes as coisas que eu sei agora.
Bom, meus mentores que me trouxeram aqui estão me dizendo que já é hora de me despedir de vocês.
E eu digo que tenho o coração mais aliviado depois de poder compartilhar com vocês a minha história.
Obrigada mais uma vez e continuem orando por nós. Por mim e pelos meus companheiros. 
Um abraço com gratidão,  
Ana Luiza

sábado, 14 de julho de 2007

            As areias de uma ampulheta escoam de forma contínua e inexorável, como se não tivessem outra coisa a fazer a não ser cair e correr

Por mais que tentemos impedir que ela escorra para o lado de baixo, sem mexermos a ampulheta do lugar, ela não irá parar de cair, até que termine o último grão.
Mas se inclinarmos levemente a ampulheta, a areia cairá mais lentamente e o tempo será maior, ou ainda se a colocarmos de forma horizontal, a areia cessará de cair até que a recoloquemos na posição original.
Assim também é a nossa vida. Se não fizermos nada que a altere, se não mudarmos o seu curso, teremos um tempo de vida e uma jornada conforme programado pela Espiritualidade.
Mas se tomarmos outros rumos, se alterarmos nossos planos, a nossa vida poderá ser ceifada antes da hora ou ainda poderá ficar estanque, paralisada, sem sair do lugar, desperdiçando oportunidades preciosas que poderíamos ter vivido,
Mas Deus, em sua infinita bondade e sabedoria, sempre nos ampara para que trilhemos nosso caminho o mais próximo possível dos ensinamentos do Cristo. 

Boa noite e graças a Deus.
Força e fé, queridos irmãos.
 
Evanhoé

Depoimento - Emílio


Queria gritar por socorro, mas de repente me vi caído. Tentei gritar, mas já não tinha voz. Vi meu corpo estendido sobre o asfalto, pessoas tentando me reanimar, mas tudo em vão. Eu não conseguia entender o que se passava comigo, o que estava acontecendo. Como eu podia estar lá, estirado no chão e ao mesmo tempo em pé, olhando para mim mesmo? Mas a dor, a sensação de asfixia, a droga que me corroia as entranhas, isso eu continuava sentindo.

Uma sensação de horror tomou conta de mim quando eu me dei conta de que estava morto, de que já não pertencia mais a esta vida. Aliás, vida esta que eu desperdicei e só hoje percebo quantas oportunidades perdi.

Como eu queria, meu Deus, naquele tempo ter o entendimento que eu tenho agora, saber as coisas que eu sei.

Nasci e cresci numa família católica, mas nunca me senti perto de Deus, nunca freqüentei assiduamente as missas como era o desejo de meus pais. Pequenino, minha mãe me ensinou a rezar, mas tão logo eu me vi crescido e auto-suficiente, como eu me achava, e me esqueci desta prática tão importante, que talvez tivesse me tirado deste caminho horrendo no qual eu me perdi.

Hoje eu sei que Deus é nosso Pai e que só a Ele cabe decidir quando a nossa vida, quando a nossa jornada será encerrada, mas na época em que eu estava encarnado eu não pensava assim. Achava que eu podia fazer tudo, que nada iria me acontecer, que eu tinha uma saúde de ferro e que o que eu estava injetando ou ingerindo só iria me fortalecer e me deixar mais solto, mais alegre, mais eufórico.

Mas como eu me enganei. E como eu sofri. Agora ainda sofro, não mais das dores físicas horríveis que tinha como quando desencarnei,  mas de dores da alma. Sofro com o remorso e com a culpa pelo que fiz a mim mesmo. Sofro pelo sofrimento que causei aos meus pais, que sempre se preocuparam comigo, ao meu irmão, que tentou me alertar, que tentou me ajudar e fazer com que eu largasse esse caminho tão triste que escolhi. Mas eu, orgulhoso que era, não dei ouvidos a ninguém e segui sozinho por esta estrada dolorosa.

Queria ter conhecido a Doutrina Espírita ainda em vida, saber o que sei agora. Talvez eu não tivesse sido forte o suficiente e tivesse me envolvido também como me envolvi nesta teia pegajosa, que por mais que você tente sair sempre te enrosca, te enrola e te prende, te puxa de volta para o meio dela. Mas talvez não, talvez eu tivesse tido consciência do que eu estava fazendo ou talvez nem tivesse me envolvido. Talvez, talvez, talvez.... Agora de nada adiantam lamentos e suposições, hipóteses.




Mas eu penso muito nisso. Hoje sei que nossa alma é eterna, que a morte do corpo não acaba com tudo, que a vida não sucumbe com a morte do corpo, que o que fizermos com nosso corpo deixará marcas profundas cravadas em nosso corpo espiritual e que eu posso sim, ser considerado um suicida pois não cuidei do corpo que Deus me deu e desperdicei uma oportunidade jogando fora a minha última encarnação, ceifando a minha própria vida, rompendo mais cedo do que o planejado o fio que une o corpo ao espírito.

Hoje me encontro bem melhor e rezo para que Deus me perdoe pelo que fiz comigo e com todos os que me amam. Se eu pudesse voltar no tempo, diria perdão aos meus pais, que me deram a vida e a Deus, que me deu a oportunidade de reencarnar, oportunidade esta que eu não soube aproveitar.

Quero ter forças para continuar me tratando, para continuar estudando e ajudando outros jovens que como eu tiveram família, tiveram um lar, tiveram estudo, amigos, viagens, um emprego e tudo que um jovem precisa para ser feliz, mas não souberam aproveitar isto enquanto em vida.

Hoje sei o quanto eu queria poder estar na Terra, poder estar com aqueles que eu amo, mas sei que teremos um longo tempo separados.

Peço a vocês que nos ajudem com as suas orações e com as palavras de incentivo e de fé que eu tenho ouvido aqui.

E que lutem com o que vocês tiverem de recursos para tirar jovens e até mesmo crianças deste caminho horroroso que é este mundo das drogas.

Obrigado pela oportunidade de eu poder estar expressando meus sentimentos há tanto represados e contidos dentro de um coração às vezes amargurado e às vezes agradecido a Deus por agora compreender como a vida é sábia e como a vida nos ensina, ainda que pelos caminhos da dor.

Fiquem com Deus e estejam certos de que a luz do Sol estará sempre brilhando no caminho de vocês.



Uma boa noite e um abraço a todos.


Emílio

Família

sábado, 7 de julho de 2007


Família é um bem sagrado

Aqueles que agora temos ao lado

Foram talvez nossos companheiros de outrora

Ou quem sabe nossos inimigos de fora

Mas se Deus permitiu que nos reencontrássemos

Foi para que juntos nos ajudássemos

Foi para que juntos nós crescêssemos

E juntos evoluíssemos.

Depoimento - Carlos

            Queridos irmãos, boa noite.

Já há algumas noites que eu venho acompanhando as reuniões de vocês. Fui aqui trazido por companheiros que têm se dedicado à nossa recuperação, à minha e à de meus companheiros de tragédia. Nós, que tão cedo deixamos a vida na Terra. Nós que tão cedo tivemos ceifada a nossa existência pela desgraça em que nos envolvemos, pela teia de horrores em que ficamos presos.
Quero dizer que muito tenho aprendido com os estudos de vocês, que muito têm me ajudado a entender melhor o que aconteceu comigo e com os meus companheiros de drogas. Nós, que nos envolvemos com esta mazela que tem levado tantas vidas, que tem destruído a alegria de tantos lares, que vem acabando com a alegria de tantos jovens, que assim como eu, foram fracos para resistir aos apelos que todos os dias batem à porta de tantos jovens, que quando percebem já estão num caminho, não digo sem volta, mas muito difícil de sair. E este caminho é longo, é doloroso. No começo parece que tudo é só alegria, euforia, uma sensação de grandeza, de poder, pois quando se está sob o efeito da droga, achamos que podemos tudo, achamos que somos os melhores, que todos gostam de nós, que somos pessoas extrovertidas, desinibidas, cheias de amigos. Mas depois de um tempo você passa a precisar de mais e mais e mais, numa loucura que não tem fim, numa compulsão que enlouquece, que deixa você agoniado por mais e cada vez precisa de mais para sentir o que sentia antes, no início. E quando você acorda se sente um lixo perante si mesmo, perante sua família, perante seus amigos de verdade, que realmente querem o seu bem. Pois aqueles outros, que só consumiam drogas com você e só te ofereciam drogas, que se diziam seu amigos, esses não são amigos não, são companheiros de desgraça  ou que causaram a sua desgraça.
Não sei explicar direito como comecei, como entrei nessa, mas foram nas festas, nas ditas “baladas”, em que você, para se sentir alguém, para se enturmar, acaba experimentando, sempre achando que poderá parar, que tem controle sobre si e que só fará aquilo que quiser.
Mas quanto engano, meu Deus, quanto equívoco quando pensei que tivesse controle sobre mim, mas era a droga que me controlava. Perdi tudo que tinha: meus amigos, minha família, minha saúde e por fim a minha vida.
Destruí o meu corpo e hoje sei que destruí também parte do meu perispírito, que ainda apresenta as marcas do que as drogas fizeram comigo, com a minha sanidade física e mental.
Estou, como tantos outros amigos, em processo de recuperação, de desintoxicação do meu corpo espiritual. E em processo de aprendizado, pois sei que o que plantamos, teremos que colher. E eu agora tenho consciência de que estou colhendo os frutos amargos do que fiz comigo mesmo e que ainda terei muito o que resgatar. E poder pedir perdão ao Pai que nos deu a vida, da qual eu não soube cuidar e que desperdicei com coisas que só me fizeram mal e que fizeram aqueles que me amavam sofrer.
Quero, no futuro, quando estiver melhor, poder trabalhar, assim como o irmão Tavinho, que já se comunicou aqui com vocês e que agora está nos ajudando a nos recuperar e a ver que acima de tudo existe Deus e que a vida é um bem precioso que temos que cuidar.
Fiquem com Deus e sempre que puderem orem por nós, pois precisamos muito das vibrações amigas e da força espiritual que vocês têm nos encaminhado.

Um abraço, Carlos

LEMBRANÇAS

sábado, 23 de junho de 2007


Tive um pouco de tudo nesta vida terrena. Tive um lar e família. Amor e bons conselhos. Tive escola, livros, filmes que poderiam ter aprimorado o meu aprendizado e preparação para a vida.
Tive amigos e no entanto não tive força suficiente dentro do meu ser que me impedisse de procurar e percorrer o mais doloroso de todos os caminhos.
Não sei como denominar esta força que me faltou. Se a chamo de falta de fé ou de fraqueza da minha alma. Só sei que caí no mais profundo dos abismos e me perdi num labirinto de dor. E a dor  que mais dilacera o ser é a dor moral, a dor do espírito, a dor causada pela fraqueza humana. A dor da ingratidão com a própria vida e com aqueles que me deram a vida: primeiramente Deus e depois meus pais.
Ah!. Meus pais! Quanto sofreram por mim, quantas lágrimas os fiz chorar.
Mas, a minha fraqueza espiritual foi tamanha e o envolvimento com forças negativas ainda maiores, a ponto de eu dilacerar meu espírito e ofender meu cérebro, ceifando toda a capacidade intelectual que o Senhor da Vida havia me ofertado. Vítima de tamanha atrocidade cometida contra mim próprio, desencarnei com uma over dose que envenenou meu sangue, meu cérebro e meu sistema cardiológico... a sincope... a dor... e a morte. Que morte? Se não morremos?
Fui recolhido ainda inconsciente em um lugar onde denominamos “ Estação de pouso para o repouso”.
Não sei o tempo que lá permaneci. Hoje sei que era um lugar de tratamento intenso, não para recuperar o corpo carnal e sim o corpo espiritual. Como o Senhor da Vida é verdadeiramente Pai Amoroso!
Hoje, eu me encontro numa escola espiritual onde além de estudar e aprender sobre as Leis Divinas, ajudo na recuperação de jovens que como eu  chegam até nosso plano enfermos e carentes. Ajudo-os  a se recuperarem auxiliando no tratamento psicológico -  neuro   emocional .
Ah! Como sou agradecido ao Pai por me dar outra chance. Como o Senhor é maravilhoso na Sua bondade e sabedoria sem limites. Hoje eu sei o que é realmente a vida e seus valores reais. E o dia em que eu estiver preparado, voltarei a reencarnar e hei de trabalhar na Terra combatendo essa chaga monstruosa que destrói vidas, sonhos, realizações e esperanças de tantos jovens.
Suplico ao Pai o socorro para todos eles. E sei que um dia  a nossa Terra ficará livre deste câncer monstruoso que impede tantos jovens de cumprirem  a jornada da vida e viverem para o bem.
Sei também que este período doloroso de transição terrena faz parte de um mundo de expiação e provas e já sei também que aqueles que estão envolvidos nesta trama infernal conduzindo tantos jovens à loucura, um dia terão que prestar contas de seus atos ao Senhor da Vida, pois, aprendi que nada passa desapercebido ou impune pelas Leis Divinas que regem as nossas existências tanto nos planos materiais  como nos espirituais de todo o Universo. 
Obrigado pela paciência e por deixar que eu pudesse expressar o meu pensamento através da escrita. Continuem vibrando com amor por todos nós. Precisamos muito de amor e compreensão, pois, no fundo somos vítimas e ao mesmo tempo culpados. Sei que cada um de nós traça e caminha pelos caminhos da vida escolhidos por si próprio.
Obrigado! Que Jesus abençoe a todos.
Graças à Deus.


Otavio ou Tavinho.

Simplicidade...


Simplicidade...
Esta é a palavra chave para a felicidade.
A vida não precisa ser complicada, e também não precisa ser explicada. Procuramos em vão explicação para as coisas e, ao não encontrarmos, nos sentimos infelizes e desgostosos.
Sejam simples, como os lírios do campo, que com a sua singeleza exalam perfume e beleza, que com a ausência de cor em suas pétalas traduzem toda a pureza que existe em sua essência e que enfeitam os campos, alimentam os pássaros e insetos com o seu néctar e perfumam o ar para aqueles que passam perto deles.
Quanto mais simples formos, menos sofreremos, pois não criaremos expectativas a respeito das coisas, não teremos ambições que poderão nos derrubar e nos levar por caminhos tortuosos dos quais depois não poderemos escapar.
Vejam o exemplo do Mestre Jesus, que com sua simplicidade e singeleza exalou tanta luz. Com simplicidade Ele nasceu naquela manjedoura em Belém, e com simplicidade Ele morreu no meio daqueles que Deus escolheu.
E é com simplicidade na alma que Ele nos acolhe todos os dias de nossa vida.

A vida continua...


A vida não termina com a morte do corpo. Somos seres milenares, que através de sucessivas oportunidades de reencarnação, encarnamos, ganhamos um corpo material e desencarnamos, deixando para trás este corpo como quem despe uma roupa que já não serve mais, para amanhã colocar uma nova.
A reencarnação é a oportunidade que Deus nos concede, para em contato com a matéria e com o esquecimento do passado, nos aperfeiçoarmos, resgatarmos dívidas passadas e nos reencontrarmos com nossos entes queridos e amigos de outrora e também com aqueles que porventura tenhamos prejudicado ou magoado e vice-versa.
Através das sucessivas existências, o ser humano adquire novas experiências e novas oportunidades de evoluir.
Que possamos aproveitar da melhor maneira possível a nossa atual existência para que dela não levemos mais dívidas, débitos e arrependimentos do que quando reencarnamos.
Que Deus nos ajude e nos dê forças para trilharmos o caminho do bem.
Força e luz de um amigo que estará sempre com vocês.


Ah, se todas as pessoas soubessem que a vida não termina com a morte do corpo, que a vida não acaba, que o sofrimento não acaba quando o corpo se estende embaixo da terra. Continuamos sentindo, continuamos pensando, talvez até com mais clareza e lucidez do que quando estamos encarnados pois não há mais a barreira da matéria nos impedindo de enxergar as verdades, nos impedindo de conhecer a extensão da eternidade.
Bendita Doutrina Espírita, que quisera todos tivessem a oportunidade de conhecer. Doutrina que alivia, que acalenta a nossa alma e que evitaria um dos maiores erros que um ser humano pode cometer contra si mesmo que é o suicídio.
O ser humano que dá fim à sua vida acredita que assim terminará com tudo, que acabará com o seu sofrimento, que irá finalmente descansar e não sentir mais dor, não sentir mais tristeza; não sentir dor seja do corpo ou da alma.
Mas quanto engano, Senhor, quanto sofrimento estes seres estão atraindo para a sua existência, pois não cabe a nós decidir pelo término da nossa jornada, não cabe a nós definir quando a vida será encerrada e sim a Deus que nos concedeu a vida e a oportunidade desta encarnação.
O suicida contrairá perante a eternidade uma grande dívida da qual se arrependerá amargamente ao perceber que seus planos de colocar fim a tudo só fizeram as coisas ficarem piores, que todo o tempo que ele ainda tinha para viver aqui na Terra, terá para refletir pelas conseqüências de seu ato e sentirá as dores no seu íntimo como se ainda tivesse corpo.
Senhor, pedimos compaixão por todos os irmãos que se encontram nesta situação tão difícil. Que eles possam entender que só ao Senhor pertence a decisão de quando a vida terá um fim nesta existência e que possam se arrepender do que fizeram.
Façamos uma prece por estes irmãos e que os mesmos tenham as suas dores aliviadas. Que bênçãos de luz caiam sobre eles e que fique gravado em suas memórias, ainda que inconsciente, que a vida é um bem precioso e que por pior que as coisas estejam, Deus é nosso Pai e não nos desampara, para que em outra existência, quando receberem uma nova oportunidade da espiritualidade de estarem encarnados, possam valorizar a dádiva da vida.

Ulisses

Nossa vida é como um barco...


Um barquinho de papel flutuando sobre as águas

Nos remete a refletir sobre a fragilidade da vida humana,

Que às vezes é manipulada,

Assim como o papel que deu origem ao barquinho.

Que às vezes é desviada de seu curso,

Assim como o barquinho que não tem leme

E flutua ao sabor das águas.

E que está sujeita às intempéries e desgastes da vida,

Assim como o barquinho quando enfrenta

Uma tempestade ou uma enxurrada.

Mas o barquinho também traz alegria,

Assim como uma criança brincando e sorrindo

Ao vê-lo deslizando sobre as águas e sob a luz do sol.

E o barquinho também não é eterno,

Como o nosso corpo material, pois é feito de papel.

Mas a sua imagem na lembrança de quem o fez

É imortal, como o nosso corpo espiritual.


Evanhoé

Como as ondas do mar...

sábado, 16 de junho de 2007


Nossas vidas são como as ondas do mar
Algumas horas parecemos fortes, invencíveis, altivos
E em outras parecemos nos despedaçar,
Parece que tudo vai desmoronar,
Nos desmanchando como espuma na areia.
Mas assim como as ondas,
As coisas e oportunidades em nossa vida vão e vêm.
E a mesma espuma que se desfez na areia,
Retorna e se ergue como novas ondas majestosas e fortes,
Que estão prontas para enfrentar tudo novamente.

Evanhoé 

Tempo e eternidade...


O tempo, quando bem aproveitado, é uma benção.
A eternidade é uma dádiva que nos foi concedida pelo nosso Pai Criador, que nos dá a chance de termos mais de uma oportunidade, de podermos voltar atrás e corrigir, ainda que em outro corpo, em outra existência, os erros que cometemos no passado, quando nos encontrávamos iludidos, com o espírito adormecido e sem condições talvez de compreendermos as verdades da vida.
A eternidade do nosso espírito, a sobrevivência do espírito à morte e a certeza de que iremos voltar a esta Terra trazendo conosco as bagagens do conhecimento que adquirimos ao longo da nossa longa jornada, e a certeza de que Deus olha por nós e nos dá a chance de ter novamente ao nosso lado aqueles que outrora prejudicamos e que agora devemos ajudar mas também os amigos queridos que nos acompanham na nossa estrada evolutiva e nos ajudam a vencer as dificuldades. E a esperança de que o futuro será melhor nos faz ter mais vontade de seguir no caminho do bem.
Precisamos viver sim, com responsabilidade e sabendo que tudo que fizermos nos será cobrado mais tarde, não por Deus, mas por nós mesmos, por nossas consciências. Que mesmo tendo a eternidade pela frente, quanto antes conseguirmos executar as tarefas que nos competem e seguir as oportunidades que nos são apresentadas, antes alcançaremos a evolução e partiremos para um mundo melhor.
Não podemos nos acomodar, pensando que se hoje não deu certo, amanha haverá uma nova chance, que Deus é misericordioso e bom e nos concederá a oportunidade de voltar e começar de novo e sim, devemos pensar que temos responsabilidade pelas nossas atitudes e que se podemos alcançar o objetivo com menos sofrimentos, por que não fazê-lo?
Esperança, fé, coragem e muito amor no coração.
Sigam confiantes em Deus e no Cristo.

Ulisses 

sábado, 2 de junho de 2007


A morte apenas rompe os laços do corpo com o espírito.
A morte é um novo recomeço:
O fim de uma jornada e
O inicio de uma nova estrada.
Quantas e quantas vezes iremos voltar,
Quantas pessoas iremos reencontrar.
Antigos afetos e velhos inimigos,
Que pela oportunidade de uma nova vida,
Resgatarão culpas e erros,
Se ajudarão nas provas e acertos,
No resgate bendito permitido pela Providência Divina
Que com o esquecimento nos abençoa
Com a oportunidade de uma nova conquista,
De uma nova chance de acertar.
Com a possibilidade de mais uma vez
Amar e ser amado.
E ainda que façamos tudo errado,
O Criador, com sua infinita bondade
E com o seu perdão,
Nos concede uma nova chance,
Com a oportunidade bendita
Que é a reencarnação.

João de Deus 

 
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